Produção acompanha histórias de participantes do projeto do Sesc Mesa Brasil que une sustentabilidade, capacitação e impacto social no estado
A Rede Recostura, iniciativa desenvolvida pelo Sesc Mesa Brasil Goiás, virou tema de uma série documental que estreou no último domingo, 4 de julho, no canal oficial do Sesc Goiás no YouTube. A produção apresenta os bastidores da sexta edição do projeto, que utiliza resíduos têxteis para promover qualificação profissional, geração de renda, sustentabilidade e fortalecimento comunitário entre participantes de instituições sociais atendidas pelo programa.
Ao longo dos episódios, o público acompanha a rotina das oficinas de costura criativa, bordado e customização de roupas, além do desfile realizado em junho, no Teatro Sesc Centro, em Goiânia. A série também reúne depoimentos de participantes, educadores, estudantes universitários e representantes de entidades parceiras, revelando como o reaproveitamento de tecidos vem transformando histórias de vida em diferentes comunidades goianas.
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Criada para atender instituições cadastradas no Sesc Mesa Brasil Goiás, a Rede Recostura seleciona representantes indicados por cada entidade para participarem das oficinas. Depois da formação, esses participantes compartilham o conhecimento adquirido com outras pessoas atendidas em suas comunidades, ampliando o alcance social da iniciativa.
Na sexta edição do projeto foram promovidos cerca de 15 encontros, totalizando aproximadamente 50 horas de capacitação. Durante esse período, os participantes aprenderam técnicas de reaproveitamento integral de tecidos, bordado, costura criativa e desenvolvimento de peças autorais inspiradas em suas próprias trajetórias.
A proposta segue princípios da economia circular, conceito que incentiva a reutilização de materiais e a redução do desperdício. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), iniciativas desse tipo contribuem para diminuir o impacto ambiental provocado pela indústria têxtil, considerada uma das maiores geradoras de resíduos no mundo.
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Além do aprendizado técnico, a iniciativa trabalha aspectos ligados ao desenvolvimento pessoal e à autonomia financeira dos participantes.
A gerente do Sesc Mesa Brasil Goiás, Lilia Moreira, destaca que o projeto possui um alcance social amplo: “As alunas aprendem na oficina e replicam nas instituições e isso faz parte da missão do Sesc, pois somos uma instituição social que vê não só o alimento e a roupa que estão faltando, mas também a parte emocional, cuidamos da saúde como um todo”, aponta.
Para a assistente social e coordenadora da Rede Recostura, Daiane Morais Campos de Castro, o conhecimento adquirido nas oficinas pode representar uma nova fonte de renda para muitas famílias. “Esse projeto ensina as pessoas das instituições, que vão propagar isso para todos os seus atendidos, o reaproveitamento integral do tecido. E de certa forma nós estamos ensinando as pessoas a ter uma renda.”
Ela também destaca as mudanças percebidas durante o processo de formação: “Quando o projeto começa elas chegam de uma forma e quando termina elas saem de outra forma. E sempre perguntam quando será a próxima edição porque elas se sentem acolhidas, se sentem amadas e ali também é uma terapia”, pontua Daiane.
Um dos pilares da Rede Recostura é reduzir o descarte de tecidos por meio do reaproveitamento integral dos materiais utilizados nas oficinas. Parceira da iniciativa desde as primeiras edições, a professora do curso de Design de Moda da Universidade Federal de Goiás (UFG) e coordenadora do projeto de extensão Rede Recostura, Isadora Medeiros, afirma que a proposta integra ensino, responsabilidade social e preservação ambiental.
“A Rede Recostura representa muito para mim, muito mesmo. (…) A extensão universitária é a gente levar esses profissionais que vão atuar no mercado para atuar na comunidade e dar essa contribuição”, afirma.
Ela também ressalta a importância das ações locais para enfrentar desafios ambientais: “Como professora e pesquisadora da área, entendo que sustentabilidade, para ter impacto global, ela precisa ter ações locais, então eu acho a Rede Recostura uma importantíssima ação local”, pontua Isadora Medeiros.
Conforme dados do PNUMA, a produção e o descarte inadequado de resíduos têxteis estão entre os principais desafios ambientais da indústria da moda. Projetos voltados ao reaproveitamento de materiais ajudam a prolongar o ciclo de vida dos produtos e reduzir a geração de resíduos.
Os resultados do projeto são percebidos pelas próprias instituições participantes. Diretora da Casa Silvestre Linhares, Sueli Linhares relata que encontrou nas oficinas um ambiente voltado ao aprendizado e ao cuidado com quem dedica o dia ao trabalho social.
“Quem cuida também tem o direito de ser cuidado e as oficinas são um momento de lazer para mim, em que a gente vai lá e cria coisas novas”, observa Sueli.
Ela afirma ainda que o reaproveitamento dos tecidos também gera benefícios para a instituição: “Qualquer pedacinho de pano que ganhamos, nós ressignificamos. Assim como ressignificamos nossa vida, ressignificamos isso aqui.”.
Na Associação dos Idosos Fonte Viva, a voluntária Sueli Francisca dos Santos destaca que o conhecimento adquirido nas oficinas é compartilhado com outras pessoas.
“O que eu aprendo lá eu trago para cá”, garante.
A Rede Recostura também funciona como espaço de aprendizagem para estudantes do curso de Design de Moda da Universidade Federal de Goiás, que atuam como estagiários durante as oficinas.
Para Luiz Eduardo, a experiência amplia sua formação prática: “Estou gostando bastante da experiência do projeto porque consigo ter mais liberdade criativa aqui, coisa que não tenho tanto na faculdade.”
Já Melissa Carvalho afirma que a convivência entre diferentes gerações se tornou um dos principais aprendizados.
“Daqui o que eu vou levar para minha vida é o trabalho e a cooperação com o próximo. Aqui aprendemos que cada um tem um saber e aprendemos uns com os outros.”
O presidente do Sistema Fecomércio Sesc Senac em Goiás, Marcelo Baiocchi Carneiro, afirma que o projeto reúne educação, empreendedorismo, sustentabilidade e cidadania em uma única iniciativa.
“Ao oferecer qualificação, estimular o empreendedorismo, incentivar a sustentabilidade e fortalecer o trabalho das instituições sociais parceiras, o projeto amplia oportunidades e mostra que pequenos gestos podem gerar grandes mudanças na vida das pessoas e das comunidades”, comenta Baiocchi.
O diretor regional do Sesc Goiás, Leopoldo Veiga Jardim, destaca que a produção audiovisual permitirá ampliar a visibilidade das histórias construídas ao longo do projeto.
“O projeto cria um ambiente de acolhimento, fortalece vínculos, desperta talentos e incentiva a autonomia dos participantes. Ao compartilhar esse trabalho em uma série documental, queremos mostrar que cada peça produzida carrega uma história de superação, criatividade e esperança, inspirando outras pessoas e valorizando o impacto social que o Sesc promove diariamente”, afirma Veiga Jardim.
Criado em 1994, o Sesc Mesa Brasil é um programa nacional de segurança alimentar e nutricional voltado ao combate à fome e ao desperdício de alimentos. A iniciativa atua por meio da articulação entre empresas, produtores, organizações sociais e voluntários para distribuir alimentos e desenvolver ações educativas.
Em Goiás, o programa foi implantado em agosto de 2004. Atualmente, mantém unidades em Goiânia e Luziânia, atendendo mais de 400 instituições sociais distribuídas em 40 municípios, segundo dados do próprio Sesc Mesa Brasil Goiás.
Episódio 1
Episódio 2:
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