Mudança de ambiente, descanso e novas experiências ajudam a reduzir estresse e melhorar o bem-estar emocional
Em meio ao aumento dos casos de ansiedade e esgotamento emocional, especialistas têm apontado que viajar faz bem para a saúde mental e pode ajudar no equilíbrio emocional. A pausa na rotina, o contato com novos ambientes e os momentos de lazer provocam efeitos positivos no cérebro, contribuindo para a redução do estresse acumulado no dia a dia.
Pesquisas internacionais também indicam benefícios emocionais associados às viagens. Além disso, um estudo publicado no Journal of Happiness Studies, desenvolvido pelos pesquisadores De Bloom, Geurts e Kompier, apontou que períodos de férias e lazer contribuem para melhora do humor e aumento da sensação de satisfação pessoal.
Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que cerca de 9,3% da população brasileira convive com transtornos de ansiedade. O índice coloca o Brasil entre os países com maiores taxas da condição no mundo. Nesse cenário, práticas ligadas ao descanso e ao autocuidado passaram a ganhar espaço nas discussões sobre qualidade de vida e bem-estar psicológico.
A professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, Mariana Ramos, afirma que hábitos ligados ao autocuidado têm papel importante na estabilidade emocional. Entre eles estão sono adequado, prática de exercícios físicos, fortalecimento de vínculos sociais e momentos de descanso ao longo da rotina.
De acordo com a especialista, viajar também estimula áreas do cérebro pouco ativadas durante a repetição diária de tarefas. “Um estilo de vida equilibrado favorece a regulação emocional e reduz a vulnerabilidade ao estresse crônico. Nesse contexto, viajar pode atuar como um recurso complementar de promoção de bem-estar, pois rompe a rotina automática, amplia estímulos cognitivos e sensoriais e favorece emoções positivas”, afirma a Dra. Mariana.
Especialistas explicam que experiências fora da rotina ajudam o cérebro a sair do chamado “modo automático”. Isso acontece porque ambientes novos exigem atenção, adaptação e respostas diferentes, estimulando conexões neurais relacionadas à memória, concentração e flexibilidade mental.
Além do impacto cognitivo, as viagens também costumam gerar expectativa positiva antes mesmo do embarque. O planejamento de passeios, encontros e momentos de descanso ativa sensações ligadas ao prazer e pode ajudar na diminuição de sintomas associados à ansiedade.
Segundo o médico psiquiatra e professor da Afya Goiânia, Luís Bochenek, a mudança temporária de ambiente interfere diretamente no funcionamento mental. “Quando a pessoa se afasta do contexto habitual de pressão, o cérebro tende a diminuir o estado de alerta constante. Isso favorece a redução dos níveis de cortisol, melhora a qualidade do sono e pode ampliar a sensação de vitalidade e motivação ao retornar às atividades.” explica o psiquiatra.
Outro ponto destacado pelos profissionais é o fortalecimento das relações sociais durante viagens e períodos de lazer. Além disso, experiências compartilhadas costumam gerar memórias afetivas marcantes, aumentando a sensação de pertencimento, conexão emocional e apoio social.
Situações novas também podem estimular autoconfiança e autonomia. Resolver imprevistos, conhecer lugares desconhecidos e lidar com mudanças de rotina são fatores que ajudam no desenvolvimento emocional e ampliam estratégias de enfrentamento psicológico.
Mesmo com os benefícios, especialistas alertam que viagens não substituem acompanhamento médico em casos mais graves de transtornos mentais. “Em casos de depressão moderada ou grave, ansiedade intensa ou síndrome do pânico, a prioridade deve ser acompanhamento profissional. A viagem pode ajudar, mas não substitui tratamento”, reforça Dr. Luís.
Felipe Cordeiro é poeta, escritor e radialista com ampla experiência no universo da comunicação. Nordestino, carrega na voz e na escrita a força da cultura popular. Apaixonado por música, arte e pelas histórias que brotam do cotidiano, dedica-se aos estudos e vive intensamente o que a rua, a noite e a vida têm a ensinar.
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