Estudo da Fieg aponta crescimento de até US$ 218 milhões nas vendas goianas para a Europa após entrada em vigor do tratado comercial
A entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia, no último 1º de maio, já começa a provocar mudanças no comércio internacional e coloca Goiás entre os estados brasileiros com potencial de crescimento nas exportações. Um levantamento divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) mostra que o mercado goiano pode ganhar até US$ 218 milhões em vendas para países europeus com a implementação gradual do tratado.
O acordo encerra 25 anos de negociações entre os blocos econômicos e conecta um mercado formado por cerca de 720 milhões de pessoas, além de um Produto Interno Bruto estimado em US$ 22 trilhões. A redução de tarifas sobre milhares de produtos brasileiros abre espaço para avanço de setores estratégicos da indústria e da agroindústria goiana, especialmente em segmentos ligados à proteína animal, metalurgia, químicos e máquinas industriais.
Segundo o estudo elaborado pela Gerência de Desenvolvimento Industrial da Fieg, a União Europeia retirou imediatamente tarifas de importação para 2,9 mil produtos brasileiros. Desse total, 93% pertencem ao setor industrial. A mudança deve favorecer diretamente empresas goianas que já atuam no comércio exterior e também indústrias interessadas em expandir operações para o mercado europeu.
Atualmente, a União Europeia representa 12,5% das exportações de Goiás. Apenas em 2025, o estado movimentou US$ 1,68 bilhão em vendas para o bloco europeu. Entre os principais produtos exportados estão soja, cobre, minério de ferro e carne bovina, itens que tendem a ganhar competitividade com a redução das barreiras comerciais.
O levantamento da Fieg aponta que os dez produtos goianos mais favorecidos pela redução tarifária poderão gerar incremento de US$ 60,1 milhões nas exportações até 2036, quando parte das concessões comerciais estará totalmente implementada. Já no primeiro ano de vigência do acordo, a estimativa é de crescimento próximo de US$ 13 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 66 milhões.
Entre os setores com maior potencial aparecem carne bovina, carne de frango, couro, açúcar, gelatinas e produtos químicos. A projeção indica que as exportações goianas de carne bovina desossada congelada podem avançar até US$ 38,7 milhões por ano. Já a carne bovina fresca ou refrigerada pode registrar aumento anual de outros US$ 12,3 milhões.
Para o analista de desenvolvimento industrial da Fieg, Saulo Nogueira, o tratado cria novas oportunidades para Goiás ampliar sua participação no mercado internacional. “O acordo melhora as condições de acesso dos produtos goianos ao mercado europeu e reduz custos comerciais que historicamente dificultavam a competitividade brasileira. Isso cria oportunidades tanto para ampliar exportações já consolidadas quanto para inserir novos produtos industriais de Goiás no mercado europeu”, avalia.
Além do impacto direto nas exportações, o estudo também aponta possíveis ganhos para a modernização da indústria instalada no estado. A abertura gradual do mercado deve facilitar a entrada de máquinas, equipamentos e tecnologias europeias em Goiás, reduzindo custos para empresas locais e ampliando capacidade produtiva em diferentes setores.
As projeções da Gedin-Fieg indicam que os efeitos do acordo devem atingir toda a economia brasileira. Dados utilizados no estudo apontam possibilidade de crescimento de 0,34% no PIB nacional, resultado que representa cerca de R$ 37 bilhões adicionais na economia do País. Os investimentos também podem avançar em aproximadamente R$ 13,6 bilhões.
As exportações brasileiras para a União Europeia devem crescer 13% até a implementação completa do tratado. Isso representaria aumento estimado em US$ 6,5 bilhões nas vendas externas. No caso da indústria de transformação, o avanço previsto é ainda maior, podendo chegar a 26% nas exportações direcionadas ao bloco europeu.
Outro ponto considerado estratégico pela Fieg é o prazo negociado para abertura gradual do mercado brasileiro. O acordo prevê que o Brasil tenha entre 10 e 15 anos para reduzir tarifas de 44% dos produtos europeus incluídos no tratado, abrangendo cerca de 4,4 mil itens. Já na União Europeia, somente 0,9% das exportações brasileiras precisarão aguardar uma década para atingir tarifa zero.
Na avaliação de Saulo Nogueira, o cronograma reduz impactos imediatos sobre a indústria nacional e cria condições para adaptação das empresas brasileiras. “O acordo foi estruturado com mecanismos de adaptação gradual, permitindo que empresas brasileiras tenham tempo para investir em produtividade, inovação e adequação às novas condições de concorrência”, afirma.
O estudo da Fieg mostra que o movimento comercial será de mão dupla. Com a redução das tarifas, Goiás também deverá ampliar as importações vindas da Europa, principalmente nos segmentos farmacêutico e industrial. A estimativa é de crescimento de até US$ 190 milhões nas compras internacionais até 2041.
Entre os produtos europeus com tendência de aumento nas importações goianas aparecem medicamentos, equipamentos industriais, sistemas de empacotamento e máquinas voltadas para compactação. A maior parte das tarifas brasileiras sobre esses produtos será reduzida gradualmente ao longo de períodos entre oito e 15 anos.
Para Saulo Nogueira, o aumento da concorrência exige adaptação das empresas locais, mas também cria oportunidades importantes para modernização industrial. “Existe concorrência maior em alguns segmentos, mas também há oportunidades importantes para a indústria local incorporar tecnologias mais avançadas, melhorar eficiência e elevar a qualidade da produção”, explica.
O levantamento da Gedin-Fieg faz parte de uma série de quatro estudos sobre os impactos do Acordo Mercosul-União Europeia em Goiás. As próximas análises devem abordar temas ligados ao potencial exportador da indústria goiana, sustentabilidade e questões regulatórias envolvendo o novo cenário comercial.
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