Confira dicas de como realizar uma viagem internacional tranquila com seu pet
Viajar de avião com animais de estimação deixou de ser uma necessidade restrita a mudanças internacionais e passou a fazer parte da rotina de um número cada vez maior de famílias. O fortalecimento do vínculo entre tutores e pets, aliado ao aumento das viagens nacionais e internacionais após a pandemia, impulsionou significativamente a demanda pelo transporte aéreo de cães e gatos nos últimos anos.
Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), o transporte de animais vivos vem registrando crescimento constante em diversos mercados, acompanhando a recuperação da aviação comercial e a adaptação das companhias aéreas para atender um público que considera os animais integrantes da família. Esse movimento também tem estimulado investimentos em protocolos de segurança, bem-estar animal e treinamento especializado para o manejo durante todas as etapas da viagem.
No Brasil, o cenário segue a mesma tendência. Dados divulgados por empresas especializadas no segmento apontam que aproximadamente 80 mil animais foram transportados em voos comerciais ao longo de 2023. Em 2024, a procura pelo serviço continuou em expansão, registrando crescimento estimado em cerca de 15%, superando a marca de 100 mil pets embarcados em voos domésticos e internacionais. Dependendo do porte do animal e das regras da companhia aérea, o transporte pode ocorrer na cabine, ao lado do tutor, ou no compartimento de carga, que é climatizado, pressurizado e preparado para garantir condições adequadas durante o voo.
Apesar da crescente oferta do serviço, transportar um animal por via aérea exige um planejamento detalhado. Em viagens internacionais, o processo envolve uma série de requisitos sanitários e documentais definidos tanto pelo país de origem quanto pelo destino. No Brasil, as exportações de animais de companhia são fiscalizadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), enquanto diversos países adotam protocolos próprios para prevenir a disseminação de doenças, especialmente zoonoses como a raiva.
Nos Estados Unidos, por exemplo, as exigências sanitárias são regulamentadas pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), que estabelece critérios específicos relacionados à vacinação antirrábica, identificação do animal e documentação comprobatória. Outros países mantêm regras ainda mais rigorosas, incluindo períodos obrigatórios de quarentena e exames laboratoriais complementares antes da autorização para entrada do pet.
Segundo a PETFriendly Turismo, empresa especializada em transporte internacional de animais, a compra da passagem representa apenas uma das etapas do processo. O sucesso da viagem depende de um cronograma bem estruturado, capaz de contemplar todas as exigências legais, veterinárias e logísticas dentro dos prazos estabelecidos por cada destino.
Entre as principais etapas estão a implantação de microchip de identificação quando exigido, a vacinação contra a raiva dentro dos prazos aceitos pelo país de destino, exames sorológicos para comprovação da imunização, emissão de atestados de saúde e do Certificado Veterinário Internacional (CVI), além da conferência de toda a documentação exigida pelas autoridades sanitárias locais.
Cada país possui regras próprias para ingresso de animais de estimação. Na América do Sul, países como Chile e Argentina costumam apresentar processos mais simples devido à existência de acordos sanitários regionais, permitindo que o planejamento seja iniciado cerca de dois meses antes da viagem.
Já os Estados Unidos passaram a adotar controles mais rigorosos para entrada de cães, especialmente em relação à comprovação da vacinação contra a raiva e à procedência do animal, tornando recomendável um planejamento mínimo de quatro meses.
Na Europa e no Reino Unido, normalmente são exigidos microchip compatível com padrões internacionais, vacinação válida, exames laboratoriais e documentação específica, fazendo com que o processo possa demandar aproximadamente seis meses de preparação.
O Japão figura entre os destinos que exigem maior organização prévia. Além dos exames laboratoriais e da documentação sanitária, o país estabelece protocolos preventivos bastante rigorosos para controle da raiva, fazendo com que o planejamento possa chegar a oito meses.
Considerada uma das legislações mais rigorosas do mundo para entrada de animais, a Austrália exige um processo ainda mais longo. O transporte pode demandar até um ano de preparação, incluindo autorizações prévias, exames realizados em diferentes etapas, cumprimento de cronogramas específicos e período obrigatório de quarentena após a chegada.
Outro aspecto que merece atenção é a modalidade de transporte. Animais de pequeno porte normalmente podem viajar na cabine, desde que atendam aos limites de peso e dimensões definidos por cada companhia aérea. Já cães e gatos maiores costumam ser transportados no compartimento de carga, em caixas homologadas e seguindo os critérios estabelecidos pela Live Animals Regulations (LAR), da IATA, referência internacional para o transporte seguro de animais vivos.
Também é indispensável verificar antecipadamente as políticas da companhia aérea escolhida. Cada empresa estabelece regras próprias sobre quantidade máxima de animais por voo, documentação exigida, dimensões aceitas para caixas de transporte, restrições para determinadas raças e procedimentos para reserva, que normalmente precisa ser realizada com antecedência devido ao número limitado de vagas.
Para reduzir o estresse do animal durante a viagem, especialistas recomendam que o tutor inicie o processo de adaptação à caixa de transporte semanas antes do embarque, permitindo que o pet associe o ambiente a uma experiência positiva. O acompanhamento de um médico-veterinário durante todo o planejamento também é considerado fundamental para avaliar as condições clínicas do animal, orientar sobre vacinação, alimentação e eventuais cuidados específicos.
As condições climáticas representam outro fator importante. Em períodos de calor ou frio extremos, algumas companhias podem restringir temporariamente o transporte de animais por questões de segurança e bem-estar. Por isso, é essencial acompanhar as políticas operacionais da empresa aérea e verificar possíveis alterações no cronograma da viagem.
Após o desembarque, o processo de adaptação continua sendo importante. Manter horários regulares de alimentação, hidratação, passeios e descanso contribui para reduzir o impacto da mudança de ambiente e facilita a adaptação do pet ao novo destino.
Com organização antecipada, cumprimento das exigências sanitárias e acompanhamento profissional, o transporte aéreo de animais pode ser realizado de forma segura, proporcionando uma viagem tranquila tanto para os pets quanto para seus tutores e garantindo que todas as etapas ocorram em conformidade com as normas internacionais de saúde e bem-estar animal.
Apreciador de boas histórias, filmes e games. Repórter no portal Gazeta Culturismo.
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