Filme mistura desaparecimentos, lendas polonesas e referências a crimes reais
A chegada de “As Cores do Mal: Preto” ao catálogo da Netflix despertou a curiosidade dos fãs de suspense policial. Com uma trama marcada por desaparecimentos de crianças, segredos enterrados por décadas e uma atmosfera carregada de mistério, muitos espectadores passaram a questionar se a produção é baseada em fatos reais.
Lançado como continuação de “As Cores do Mal: Vermelho”, o novo thriller polonês amplia o universo criado pela escritora Małgorzata Oliwia Sobczak. Embora não adapte um caso criminal verdadeiro, a obra foi construída a partir de referências históricas, elementos do folclore da Polônia e inspirações indiretas em crimes que marcaram a história recente.
Apesar da sensação de realismo transmitida pela narrativa, “As Cores do Mal: Preto” não retrata um crime específico ocorrido na vida real.
O filme é baseado no romance homônimo de Małgorzata Oliwia Sobczak, segundo volume da trilogia literária “As Cores do Mal”. A autora utilizou diferentes elementos do mundo real para criar o ambiente da história, mas desenvolveu uma trama totalmente ficcional.
Essa abordagem é comum em obras do gênero policial, que frequentemente combinam fatos históricos, comportamentos sociais e referências culturais para construir histórias mais verossímeis e envolventes.
Uma das principais fontes de inspiração para a escritora foi a região da Kashúbia, localizada no norte da Polônia. Após se mudar para a área, Sobczak passou a estudar tradições populares e antigas crenças locais. Entre elas estão histórias envolvendo espíritos, fantasmas e figuras folclóricas conhecidas como Łopi e Wieszcz.
Segundo algumas crenças tradicionais da região, determinados mortos poderiam retornar ao mundo dos vivos. Essas narrativas deram origem a rituais e práticas destinadas a impedir esse retorno, elementos que ajudaram a compor o clima sombrio presente tanto no livro quanto na adaptação da Netflix.
O uso do folclore regional também segue uma tendência crescente do cinema e da literatura europeia, que frequentemente incorporam mitologias locais para criar narrativas de suspense psicológico e terror.
Outro detalhe que chama atenção em “As Cores do Mal: Preto” é a referência indireta a Pedro López, criminoso colombiano conhecido internacionalmente como o Monstro dos Andes.
López foi condenado por assassinar dezenas de meninas na América do Sul entre as décadas de 1970 e 1980 e se tornou um dos serial killers mais conhecidos da história latino-americana.
No romance que inspirou o filme, o antagonista recebe o apelido de Monstro de Kartuzy, uma menção que remete ao caso de López. No entanto, a autora já explicou que o criminoso não serviu como modelo direto para o personagem.
Segundo Sobczak, apenas alguns aspectos relacionados à repercussão do caso contribuíram para a construção da narrativa.
A história acompanha novamente o promotor Leopold Bilski, personagem central da franquia. Depois de assumir um novo cargo em uma cidade menor, ele acredita estar iniciando uma fase mais tranquila da carreira. A situação muda quando um garoto desaparece sem deixar rastros.
À medida que a investigação avança, surgem indícios de que o caso pode estar conectado a outro desaparecimento ocorrido muitos anos antes. O que parecia um episódio isolado passa a revelar uma série de segredos mantidos pela comunidade local.
A produção aposta em uma investigação gradual, construída por meio de pistas, revelações e acontecimentos que ampliam constantemente o mistério.
Interpretado pelo ator polonês Jakub Gierszał, Leopold Bilski se tornou o principal elo entre os filmes da franquia.
Diferentemente de muitos investigadores retratados em produções policiais, o personagem não é apresentado como um herói infalível. Ele enfrenta dúvidas, conflitos internos e dilemas morais que influenciam diretamente suas decisões.
Essa construção psicológica é uma das características que ajudam a diferenciar a franquia de outros thrillers disponíveis nos serviços de streaming.
Embora compartilhem o mesmo universo narrativo, os dois filmes apresentam diferenças importantes. Enquanto “As Cores do Mal: Vermelho” explorava assassinatos e segredos ligados a uma região costeira, “As Cores do Mal: Preto” transfere a ação para uma comunidade menor e mais isolada.
Essa mudança altera completamente a dinâmica da história. O isolamento geográfico aumenta a sensação de tensão e cria um ambiente onde praticamente todos os moradores parecem esconder alguma informação relevante.
Além disso, a continuação aprofunda o desenvolvimento de Leopold Bilski e amplia as conexões entre os personagens do universo criado por Sobczak.
Grande parte do sucesso da franquia está relacionada à forma como o suspense é construído. A direção de Adrian Panek utiliza fotografia marcada por tons escuros, cenários isolados e iluminação reduzida para criar uma sensação constante de desconforto.
Em vez de apostar apenas em reviravoltas rápidas, o filme trabalha a tensão de maneira gradual. Pequenos detalhes ganham importância ao longo da narrativa, exigindo atenção do espectador durante toda a investigação.
Essa abordagem costuma agradar especialmente fãs de thrillers europeus, conhecidos por priorizar desenvolvimento psicológico e profundidade narrativa.
Além do mistério envolvendo desaparecimentos, “As Cores do Mal: Preto” explora questões humanas e sociais que ampliam a complexidade da trama.
Entre os principais temas estão:
Segundo a própria autora, um dos objetivos da obra era mostrar como violência, preconceitos e abusos podem atravessar diferentes gerações, afetando toda uma comunidade.
Além de Jakub Gierszał, o elenco reúne nomes conhecidos do audiovisual polonês, incluindo:
Para os fãs de suspense policial europeu, o novo lançamento da Netflix reúne elementos que costumam atrair o público do gênero: investigação complexa, desaparecimentos misteriosos, personagens bem desenvolvidos e uma atmosfera marcada por tensão constante.
Além disso, o filme acompanha uma tendência observada nos últimos anos nas plataformas de streaming, com produções internacionais ganhando espaço entre os títulos mais assistidos e ampliando o interesse global por histórias policiais fora do eixo hollywoodiano.
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