Goiás tem mais de 100 pontos de saúde mental; veja onde buscar ajuda

UBS, CAPS, unidades de acolhimento, leitos hospitalares e serviços de emergência formam uma rede disponível pelo SUS nas cinco macrorregiões do estado

atendimento de saúde mental em Goiás

Ansiedade que começa a impedir atividades cotidianas, sofrimento emocional persistente, uma crise intensa ou uma situação em que existe risco imediato exigem respostas diferentes dentro do Sistema Único de Saúde. O atendimento de saúde mental em Goiás é organizado por uma rede que começa nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), passa pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e inclui acolhimento residencial, leitos hospitalares, UPAs, pronto-socorros e Samu. Atualmente, o estado possui 101 CAPS, além de outros serviços distribuídos pelas cinco macrorregiões de saúde.

A estrutura faz parte da RAPS em Goiás, sigla para Rede de Atenção Psicossocial. A proposta é permitir que a pessoa seja atendida conforme a intensidade e a natureza da necessidade, evitando que todos os casos sejam direcionados diretamente para hospitais. Durante o Setembro Amarelo, a Secretaria de Estado da Saúde chama atenção justamente para a importância de saber qual porta procurar antes que uma situação de sofrimento se agrave.

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Rede chega às cinco macrorregiões de Goiás

Além dos 101 CAPS em Goiás, a rede estadual conta com Serviços Residenciais Terapêuticos, equipes multiprofissionais de atenção especializada em saúde mental, uma Unidade de Acolhimento Adulto, duas unidades infantojuvenis e 66 leitos de saúde mental em hospitais gerais.

Os serviços estão espalhados pelas macrorregiões Centro-Oeste, Centro-Sudeste, Centro-Norte, Nordeste e Sudoeste, divisão utilizada pelo SUS para organizar a assistência no território goiano. Juntas, elas abrangem os 246 municípios do estado.

Isso não significa que cada cidade possua todos os tipos de unidade. Municípios menores podem utilizar a atenção básica como principal porta de entrada e encaminhar pacientes para serviços regionalizados quando há necessidade de acompanhamento especializado.

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UBS atende primeiros sinais de sofrimento emocional

Para quem percebe alterações emocionais que começam a interferir na rotina, mas não está diante de uma emergência, a Unidade Básica de Saúde é uma das principais portas para o atendimento de saúde mental em Goiás.

É possível procurar a UBS diante de sintomas como ansiedade persistente, alterações importantes de humor, sofrimento emocional ou outros problemas que estejam afetando atividades do dia a dia. A equipe realiza o primeiro acolhimento e avalia se o acompanhamento pode continuar na própria atenção básica ou se existe necessidade de encaminhamento.

A atenção primária não funciona apenas como local para conseguir uma guia. O Ministério da Saúde define a UBS como parte efetiva da Rede de Atenção Psicossocial, responsável também por ações de prevenção, tratamento, reabilitação e redução de danos.

Isso é especialmente importante porque nem todo sofrimento emocional corresponde necessariamente a um transtorno mental diagnosticável. Ainda assim, procurar atendimento quando os sintomas começam a prejudicar estudo, trabalho, relações ou autocuidado pode impedir o agravamento do quadro.

CAPS pode ser procurado diretamente

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Nos casos de sofrimento psíquico intenso, os CAPS em Goiás funcionam como serviços especializados e comunitários. Um ponto importante para quem não sabe como acessar esse atendimento é que não é obrigatório ter encaminhamento médico para procurar um CAPS pela primeira vez. Segundo o Ministério da Saúde, os centros trabalham em regime de porta aberta, a pessoa pode chegar diretamente à unidade da região e solicitar o primeiro acolhimento.

Também é possível chegar ao CAPS depois de encaminhamento feito pela UBS, hospital, UPA, Samu ou até por serviços das áreas de assistência social, educação e Justiça. Na chegada, uma equipe avalia as necessidades imediatas. Caso a pessoa passe a ser acompanhada no centro, é elaborado um Projeto Terapêutico Singular, que define o cuidado conforme as particularidades daquele usuário.

O atendimento pode envolver médicos, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais, além de atividades individuais, grupos terapêuticos, ações culturais, apoio às famílias e acompanhamento para reinserção na vida comunitária.

Nem todo CAPS oferece o mesmo atendimento

A existência de diferentes modalidades explica por que dois municípios podem ter estruturas distintas para o atendimento de saúde mental em Goiás.

  • CAPS I atendem pessoas de diferentes idades em sofrimento psíquico intenso e são previstos para municípios ou regiões a partir de determinado porte populacional;
  • CAPS II ampliam essa estrutura em cidades maiores;
  • CAPS III funcionam 24 horas, inclusive aos fins de semana e feriados, e possuem possibilidade de acolhimento noturno;
  • CAPSi, voltado especificamente a crianças e adolescentes;
  • CAPSad, destinados a pessoas com necessidades relacionadas ao uso prejudicial de álcool e outras drogas;
  • CAPSad III também funciona durante 24 horas.

Por isso, localizar simplesmente “um CAPS” no mapa não garante que aquela seja a modalidade indicada para determinado caso. Quem não sabe qual unidade procurar pode começar pela UBS mais próxima ou consultar a Secretaria Municipal de Saúde. Essa também é a orientação do Ministério da Saúde para localizar o serviço adequado.

UPA e Samu atendem situações de risco imediato

Há uma diferença fundamental entre buscar acompanhamento e estar diante de uma crise que exige resposta imediata. Quando existe risco imediato à integridade da própria pessoa ou de terceiros, a orientação da SES-GO é procurar uma UPA ou pronto-socorro. O Samu pode ser acionado pelo número 192.

Os serviços de urgência fazem parte formalmente da Rede de Atenção Psicossocial. Segundo o Ministério da Saúde, Samu, UPA e pronto-socorro devem receber também emergências relacionadas à saúde mental ou ao uso de álcool e outras drogas, avaliar a gravidade e encaminhar o paciente para continuidade do cuidado.

Assim, uma pessoa em crise não precisa aguardar consulta ambulatorial ou abertura de vaga em acompanhamento regular antes de procurar atendimento.

CVV oferece apoio durante 24 horas

Além dos equipamentos do SUS, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional pelo telefone 188, gratuitamente e durante 24 horas por dia. O serviço pode ser utilizado por quem precisa conversar ou atravessa um momento de sofrimento emocional.

Há, porém, uma distinção importante: o CVV não substitui UPA, pronto-socorro ou Samu diante de uma situação de risco imediato. Nesses casos, deve-se buscar atendimento de emergência.

Rede inclui moradia e acolhimento temporário

A RAPS em Goiás vai além de consultórios e unidades onde o paciente comparece apenas para atendimento. Os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT) são moradias inseridas na comunidade destinadas principalmente a pessoas que passaram por internações psiquiátricas de longa permanência e não possuem suporte familiar ou social suficiente para retornar a uma residência própria. A finalidade é permitir uma reinserção social gradual, com apoio.

As Unidades de Acolhimento, por outro lado, têm caráter temporário. Elas recebem pessoas em situação de vulnerabilidade que precisam de proteção e cuidado contínuo por um período, funcionando de maneira articulada aos CAPS. Em Goiás, a estrutura atualmente informada inclui uma unidade para adultos e duas voltadas ao público infantojuvenil.

Já os leitos de saúde mental em hospitais gerais são utilizados especialmente quando existe necessidade de internação em casos graves ou crises agudas. A lógica da RAPS é que, após a estabilização, o paciente volte a ser acompanhado pelos serviços comunitários da rede.

Taxa de suicídio cresceu 69,6% em Goiás

A discussão sobre acesso ao atendimento de saúde mental em Goiás ganha peso diante da evolução dos indicadores de mortalidade. Dados do Ministério da Saúde mostram que a taxa padronizada de mortalidade por suicídio em Goiás passou de 5,56 mortes por 100 mil habitantes em 2010 para 9,43 em 2021.

A alta foi de 69,6% em 11 anos. No mesmo intervalo, a taxa brasileira passou de 5,24 para 7,45 por 100 mil habitantes, aumento de 42,2%. Os números não permitem atribuir as mortes a uma única causa. O suicídio é considerado um fenômeno complexo e multicausal, relacionado a diferentes fatores individuais, sociais, econômicos, familiares e de saúde.

Goiás registrou 3.252 mortes em cinco anos

Outro levantamento, construído a partir do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), identificou 3.252 mortes por suicídio em Goiás entre 2019 e 2023. Somente em 2022 foram registrados 712 óbitos. Em 2023, foram 711. Os homens corresponderam a 77,1% das mortes ocorridas durante os cinco anos analisados.

A idade também revela uma concentração importante, 44,2% das pessoas tinham entre 20 e 39 anos, enquanto outras 31% estavam na faixa dos 40 aos 59 anos. Juntos, esses dois grupos representam três em cada quatro mortes registradas no período.

Autolesão teve 5,8 mil notificações em um ano

Em 2022, Goiás registrou 5.814 notificações de violência autoprovocada, categoria que reuniu automutilações e tentativas de suicídio. O número correspondeu a 34,9% de todas as notificações de violência interpessoal ou autoprovocada analisadas naquele ano pela SES-GO.

Cerca de 71% dos registros ocorreram entre mulheres. Pessoas entre 20 e 59 anos representaram 61,4%, enquanto adolescentes de 10 a 19 anos correspondiam a 33,8% das notificações. Outro dado chama atenção, em 44,1% dos registros havia informação de ocorrência anterior de autolesão.

Autolesão exige acompanhamento contínuo

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A superintendente de Políticas e Atenção Integral à Saúde da SES-GO, Lígia Duarte, alerta que autolesão e suicídio não são situações equivalentes e não devem ser tratados como consequência automática de um diagnóstico específico.

“Nem toda autolesão envolve intenção de morrer, mas reforça a necessidade de acompanhamento contínuo, especialmente entre adolescentes, e de articulação entre saúde, famílias e escolas. O suicídio é um fenômeno multicausal e não pode ser atribuído isoladamente a um diagnóstico ou acontecimento”, explica Lígia Vanessa Silva Cruz Duarte, superintendente de Políticas e Atenção Integral à Saúde da SES-GO.

O boletim epidemiológico da SES-GO considera violência autoprovocada um conjunto que pode incluir diferentes formas de autoagressão, além de comportamentos e tentativas relacionados ao suicídio. As notificações são utilizadas também para permitir a inclusão da pessoa nas linhas de cuidado.

No caso das tentativas de suicídio, a notificação aos serviços municipais de saúde deve ocorrer de forma imediata, em até 24 horas após o atendimento, segundo as normas de vigilância citadas no boletim estadual.

Não é preciso esperar uma crise para procurar ajuda

O atendimento de saúde mental em Goiás não é destinado apenas a quem já recebeu diagnóstico psiquiátrico ou está diante de uma emergência. A UBS pode acolher uma pessoa que percebe sofrimento emocional afetando sua vida antes de uma crise grave. Quando a intensidade exige cuidado especializado, a rede pode direcioná-la para um CAPS ou outro serviço adequado.

Também não é necessário saber previamente qual diagnóstico explica aquilo que está acontecendo para procurar o SUS. A avaliação inicial serve justamente para identificar necessidades e construir o caminho de cuidado.

No Setembro Amarelo em Goiás, a orientação da rede estadual é ampliar o conhecimento sobre essas portas de entrada. Mais do que associar prevenção exclusivamente ao mês de setembro, os serviços permanecem disponíveis durante todo o ano.

Como encontrar atendimento perto de casa

Para localizar o serviço adequado de saúde mental pelo SUS, a orientação mais simples é começar pela UBS da região onde a pessoa mora. Quem já enfrenta sofrimento psíquico intenso também pode procurar diretamente um CAPS. O Ministério da Saúde informa que o primeiro acolhimento nesses centros não exige agendamento prévio. Para saber qual modalidade atende determinado território, o usuário pode consultar a Secretaria Municipal de Saúde ou a própria UBS.

Em uma crise grave ou diante de risco imediato, o caminho muda: UPA, pronto-socorro ou Samu 192. O CVV atende pelo 188, gratuitamente durante 24 horas, para apoio emocional, mas não deve ser utilizado como substituto do serviço de emergência quando existe risco imediato.


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Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

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