Câncer de pulmão: sintomas persistentes podem indicar doença descoberta tarde

Tosse prolongada, falta de ar, rouquidão e catarro com sangue estão entre os sinais que merecem investigação médica

Câncer de pulmão sintomas persistentes podem indicar doença descoberta tarde

Sintomas aparentemente comuns, como tosse persistente, falta de ar, rouquidão e dor no peito, podem estar relacionados ao câncer de pulmão, doença frequentemente identificada em fases avançadas no Brasil. Durante o Agosto Branco, mês de conscientização sobre a doença, a pneumologista da Unimed Goiânia, Heloisa Costa, alerta para sinais que podem ser confundidos com gripe, alergia ou bronquite e, por isso, ter a investigação médica adiada.

O diagnóstico tardio tem impacto direto nas possibilidades de tratamento. Dados citados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que somente cerca de 16% dos cânceres de pulmão são identificados em estágio inicial. Nessa fase, a taxa de sobrevida relativa em cinco anos chega a 56%, enquanto a taxa geral é de 18%.

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Sintomas do câncer de pulmão podem parecer problemas respiratórios comuns

A persistência dos sintomas é um dos pontos que merecem atenção. De acordo com a pneumologista, alterações respiratórias que não melhoram ou apresentam piora precisam ser investigadas.

“Quando aparecem sintomas, muitas vezes eles são confundidos com problemas respiratórios comuns. O mais importante é observar quando um sintoma não melhora ou se torna persistente, uma tosse que dura mais de três semanas, falta de ar que vai piorando, dor no peito, rouquidão, catarro com sangue ou cansaço excessivo sem causa aparente”, orienta a pneumologista Heloisa Costa.

Dados do Observatório de Oncologia ajudam a dimensionar o problema do diagnóstico tardio. Levantamento sobre pacientes atendidos no SUS identificou 87% dos casos em estágios avançados III e IV. Outra análise da instituição encontrou diagnóstico avançado em 86% dos registros com informação adequada sobre o estágio da doença.

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Câncer de pulmão também pode atingir quem nunca fumou

O tabagismo permanece como o principal fator de risco para o câncer de pulmão, mas a doença não ocorre exclusivamente entre fumantes. Exposição passiva ao cigarro, poluição do ar e contato ocupacional com determinadas substâncias também estão entre os fatores associados.

“Cerca de 10% a 20% dos casos acontecem em pessoas que nunca fumaram. Nesses pacientes, a doença pode estar relacionada ao tabagismo passivo, à poluição do ar, ao gás radônio, ao contato com amianto e sílica no ambiente de trabalho e até a alterações genéticas. Por isso, ninguém está totalmente livre do risco”, sublinha a pneumologista Heloisa Costa.

O INCA também aponta a exposição à poluição do ar, fatores genéticos e exposições ocupacionais entre condições que podem elevar o risco de desenvolvimento da doença.

Brasil deve registrar 35,3 mil novos casos por ano

O INCA estima 35.380 novos casos de câncer de traqueia, brônquios e pulmão por ano no Brasil em cada ano do triênio de 2026 a 2028. Desse total, são projetados 18.730 casos entre homens e 16.650 entre mulheres.

A identificação da doença em estágio inicial amplia as possibilidades de tratamento. Por isso, pessoas pertencentes a grupos de maior risco podem receber indicação para rastreamento.

“O rastreamento é indicado principalmente para pessoas entre 50 e 80 anos que fumam atualmente ou pararam de fumar a qualquer. O exame utilizado é a tomografia computadorizada de tórax de baixa dose, que consegue identificar tumores muito pequenos, antes mesmo de surgirem sintomas”, pontua a pneumologista Heloisa Costa.

Tosse persistente e falta de ar exigem atenção

A demora para procurar atendimento diante de alterações respiratórias persistentes pode fazer com que o câncer de pulmão seja identificado em uma fase avançada. Tosse que não desaparece, piora progressiva da falta de ar, dor no peito, rouquidão, presença de sangue no catarro e cansaço sem causa aparente estão entre os sintomas destacados pela médica.

“O câncer de pulmão tem muito mais chance de cura quando é descoberto cedo. Não ignore uma tosse persistente, falta de ar ou qualquer sintoma que não melhora. E, se você fuma ou já fumou por muitos anos, converse com seu pneumologista sobre a possibilidade de fazer o rastreamento. Cuidar da saúde hoje pode fazer toda a diferença no futuro”, acrescenta Heloisa Costa.


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Autor: Pollyana Cicatelli

Jornalista especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação. Editora e administradora do portal Gazeta Culturismo

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