Surtos psicóticos, tentativas de suicídio e agitação intensa podem exigir atendimento de urgência para reduzir riscos e encaminhar o paciente ao serviço adequado
Uma crise psiquiátrica pode exigir atendimento médico imediato quando envolve tentativa de suicídio, surto psicótico, agitação intensa ou comportamento que coloque a própria pessoa ou terceiros em risco. Nessas situações, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) pode ser acionado gratuitamente pelo telefone 192 para avaliar a ocorrência, orientar quem está no local e mobilizar uma equipe quando necessário.
Embora o SAMU seja frequentemente associado a infartos, acidentes e outras emergências clínicas, o serviço também atende ocorrências psiquiátricas. O Ministério da Saúde inclui crise psiquiátrica entre as urgências que integram a atuação do atendimento móvel. O objetivo, diante de uma crise, é reduzir riscos, estabilizar o quadro e direcionar o paciente para o ponto da rede de saúde compatível com suas necessidades.
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Nem toda alteração de comportamento representa uma emergência, mas alguns quadros exigem avaliação rápida. Tentativas de suicídio, surtos psicóticos e episódios de agitação intensa podem colocar a vida ou a integridade física da própria pessoa e de quem está ao redor em risco.
Durante o atendimento, a equipe precisa avaliar tanto o estado do paciente quanto as condições do ambiente. Eduardo Minuzzi, diretor-geral da SMB Gestão em Saúde, operadora do SAMU em regiões do Paraná, explica que a prioridade é reduzir a tensão e conduzir a abordagem de forma humanizada.
“Sempre que possível, a abordagem busca acalmar o paciente e evitar intervenções coercitivas, respeitando seus direitos e sua dignidade”, destaca.
O cuidado inicial busca estabilizar a situação e permitir que o paciente chegue ao serviço adequado para continuar a assistência. Dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), a rede inclui estruturas como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), unidades de urgência e leitos de saúde mental em hospitais gerais, conforme a necessidade identificada durante a avaliação.
Familiares, amigos ou testemunhas podem acionar o SAMU pelo telefone 192 quando a crise representar uma situação de urgência. Durante a ligação, é importante explicar o comportamento da pessoa, informar se existe risco de autoagressão ou ameaça a terceiros e comunicar a presença de objetos que possam representar perigo no local.
Essas informações ajudam a Central de Regulação das Urgências a avaliar o caso e definir a resposta necessária. Além de enviar uma equipe quando há indicação, o serviço também pode orientar quem fez a ligação sobre os primeiros cuidados enquanto o atendimento é organizado.
O episódio registrado recentemente em Ponta Grossa, no Paraná, também chama atenção para os riscos enfrentados pelos profissionais durante esse tipo de ocorrência. Segundo as informações fornecidas pela operadora responsável pelo serviço na região, trabalhadores do SAMU sofreram ameaças durante um atendimento e um material da ambulância foi furtado.
Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em setembro de 2025 apontam que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais, com ansiedade e depressão entre as condições mais prevalentes.
Ao apresentar os dados, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, classificou a transformação dos serviços de saúde mental como “um dos desafios mais urgentes da saúde pública”. Ele também defendeu que os países ampliem a atenção destinada ao tema.
“Nenhum país pode se dar ao luxo de negligenciar”, declarou Tedros ao abordar a necessidade de investimentos em saúde mental, afirma.
O diretor-geral da OMS também relacionou o acesso ao cuidado à garantia de direitos. Segundo Tedros, cada governo e cada liderança têm “a responsabilidade de agir com urgência e garantir que os cuidados de saúde mental sejam tratados não como um privilégio, mas como um direito básico de todos.”
Os dados da OMS também revelam uma diferença significativa no acesso aos serviços. Nos países de baixa renda, menos de 10% das pessoas que precisam de atendimento em saúde mental conseguem recebê-lo. Nas nações de alta renda, o percentual supera 50%.
O investimento público ajuda a dimensionar essa desigualdade. Segundo a organização, os governos destinam, em média, apenas 2% do orçamento da saúde à saúde mental. Nos países de alta renda, o gasto chega a aproximadamente US$ 65 (R$ 332,47) por pessoa, enquanto nas economias de baixa renda fica em torno de US$ 0,04 (R$ 0,20) por habitante.
Ao analisar as diferenças entre homens e mulheres, Mark Van Ommeren, chefe do Departamento de Doenças Crônicas e Saúde Mental da OMS, apontou a maior ocorrência de alguns transtornos entre mulheres.
“A depressão e a ansiedade são, de longe, as condições de saúde mental mais comuns, e frequentes entre as mulheres, o panorama geral é que elas têm mais problemas de saúde mental”, avalia.
As situações relacionadas ao comportamento suicida exigem atenção imediata pelo risco à vida. Segundo os dados apresentados pela OMS, 727 mil pessoas morreram por suicídio em 2021, e o problema permanece entre as principais causas de morte de jovens em diferentes contextos socioeconômicos.
A redução dessas mortes também está entre as metas internacionais de saúde. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) preveem diminuir a mortalidade por suicídio em um terço até 2030. No entanto, a OMS calcula que, mantida a trajetória atual, a queda deverá alcançar apenas 12% até o prazo estabelecido.
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Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.
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