Comunidade com cerca de 500 moradores preserva tradições há mais de 250 ano
O Povoado Quilombola do Moinho, localizado em Alto Paraíso de Goiás, na Chapada dos Veadeiros, tem atraído visitantes interessados em conhecer um modelo de turismo baseado na valorização da cultura tradicional, da gastronomia regional e da preservação do Cerrado. Com aproximadamente 500 habitantes, a comunidade mantém costumes transmitidos entre gerações e transforma saberes ancestrais em fonte de renda por meio do turismo de experiência.
Reconhecido como comunidade quilombola pela Fundação Cultural Palmares desde 2014, o povoado reúne mais de 250 anos de história. Instalado ao redor de um antigo moinho de água construído no século XVIII, o local preserva práticas agrícolas sustentáveis, conhecimentos sobre plantas medicinais e manifestações culturais que ajudam a manter viva a identidade quilombola no interior goiano.
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A origem do povoado está ligada a um antigo moinho movido pela força da água, estrutura que deu nome à comunidade e desempenhou papel importante no desenvolvimento da região durante o período colonial.
Ao longo dos séculos, famílias quilombolas permaneceram no território preservando técnicas agrícolas, tradições culinárias, modos de produção artesanal e conhecimentos populares relacionados ao bioma do Cerrado, considerado um dos mais biodiversos do planeta e reconhecido como hotspot mundial de biodiversidade pela organização internacional Conservation International.
Para o presidente da Associação Quilombola Povoado do Moinho, Lucas Moura, o reconhecimento oficial ampliou o interesse de visitantes pela história local.
“Esta é uma comunidade que existe a mais de 250 anos e depois da certificação da Fundação Zumbi dos Palmares, em 2014, as pessoas têm nos procurado para conhecer mais sobre as histórias do que nossos pais faziam, nossos avós faziam e o que a gente aprendeu, então hoje, poder trabalhar e tirar renda do que a gente faz no dia a dia é gratificante e o Projeto tem um cuidado muito grande com isso.”
O roteiro turístico começa logo pela manhã com o chamado café com prosa, experiência em que visitantes compartilham uma refeição preparada por Dona Irany enquanto conhecem relatos sobre a história da comunidade, das famílias e das tradições preservadas ao longo das gerações.
Na sequência, os turistas percorrem trilhas em passeios a cavalo, atravessando riachos, mirantes naturais e áreas de vegetação típica da Chapada dos Veadeiros. O trajeto também inclui paradas em cachoeiras da região, conhecidas pelas águas cristalinas.
A culinária é um dos principais atrativos da comunidade. Entre as receitas mais conhecidas está o Tijolo, doce preparado com caldo de cana-de-açúcar, leite e temperos, receita tradicional transmitida entre gerações.
Outra experiência bastante procurada acontece na casa de Dona Conceição e Sr. Domingos, onde os visitantes acompanham o preparo do tradicional doce de leite cortado.
No almoço, a cozinha típica ganha destaque com pratos como frango ensopado, carne de panela e a tradicional Rapadura do Moinho, alimento que preserva técnicas artesanais de produção do açúcar de cana.
O artesanato ocupa papel importante na economia local e na preservação dos conhecimentos tradicionais.
Entre as atividades oferecidas aos visitantes está a oficina de trançados utilizando fibra de bananeira, técnica difundida pelo artesão Donato e mantida por moradores da comunidade. Durante a experiência, turistas aprendem as etapas básicas da produção de esteiras confeccionadas em tear.
Outro saber tradicional é a produção de tapetes artesanais realizada por Dona Santina, que demonstra o funcionamento do tear utilizado pela comunidade.
No período da tarde, os visitantes podem participar da oficina do Pão de Queijo do Moinho, receita ensinada por Dona Irany, herdada de sua avó.
Também fazem parte do roteiro o Sucoco Lanches, localizado no caminho para as Cachoeiras dos Anjos e dos Arcanjos, e a oficina conduzida por Dona Cici, dedicada ao preparo artesanal de chips de banana, batata-doce e mandioca.
Entre os símbolos culturais do povoado estão as Bonecas Quilombolas, produzidas pelas famílias locais. A tradição surgiu a partir das brincadeiras das crianças da comunidade, que utilizavam espigas de milho para criar bonecas improvisadas. Com o passar do tempo, a prática foi adaptada para o artesanato e atualmente representa uma importante fonte de renda para diversas famílias, além de preservar aspectos da memória coletiva e da identidade quilombola.
O povoado está localizado às margens do Rio São Bartolomeu, entre as serras do Paranã e da Água Fria, dentro da região da Chapada dos Veadeiros, um dos principais destinos de ecoturismo do Brasil.
A área integra uma região reconhecida pela riqueza ambiental do Cerrado, com rios de águas transparentes, cachoeiras, formações rochosas e elevada diversidade de fauna e flora. A proximidade com o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, patrimônio natural reconhecido pela Unesco, amplia o interesse de turistas brasileiros e estrangeiros que buscam experiências ligadas à natureza e ao patrimônio cultural.
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Jornalista especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação. Editora e administradora do portal Gazeta Culturismo
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