Dengue não some na seca: HDT alerta para risco do Aedes aegypti

Hospital de Goiânia orienta população a manter cuidados contra o mosquito mesmo no período de estiagem

Dengue não some na seca HDT alerta para risco do Aedes aegypti

Mesmo durante o período de seca, o risco de dengue, chikungunya e zika permanece nas residências brasileiras. O alerta é do Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT), em Goiânia, que reforça a necessidade de manter a eliminação de criadouros do Aedes aegypti durante todo o ano, mesmo quando a umidade e o volume de chuvas diminuem.

A recomendação chama atenção porque contraria uma percepção comum entre a população: a de que a estiagem reduziria automaticamente o risco de transmissão das arboviroses. Segundo o hospital, os ovos do mosquito resistem a longos períodos sem água e voltam a se desenvolver assim que encontram condições favoráveis, o que torna a vigilância doméstica indispensável mesmo fora da estação chuvosa.

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Por que o risco de dengue na seca?

Os ovos do Aedes aegypti podem permanecer viáveis por mais de um ano em superfícies secas, aguardando apenas o contato com a água para eclodir, segundo o HDT. Esse mecanismo biológico explica por que o mosquito consegue atravessar períodos de estiagem sem desaparecer do ambiente urbano.

Durante a seca, o comportamento da própria população pode favorecer a proliferação do vetor. É comum que famílias armazenem água em caixas d’água, tonéis e outros recipientes para lidar com a escassez, e quando esses reservatórios não estão devidamente vedados se transformam em criadouros ideais para o mosquito.

De acordo com o infectologista do HDT, Dr. Luiz Felipe Silveira Sales, a maior parte dos focos do Aedes aegypti está dentro ou ao redor das residências, o que reforça a importância de medidas simples no cotidiano das famílias para conter o vetor.

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Quais cuidados devem ser mantidos em casa

O hospital recomenda um conjunto de práticas domésticas para reduzir os criadouros do mosquito, entre elas:

  • manter caixas d’água tampadas e devidamente vedadas;
  • eliminar recipientes que possam acumular água parada;
  • realizar inspeções frequentes em quintais, jardins e áreas externas;
  • limpar calhas e ralos periodicamente;
  • colocar areia nos pratos de vasos de plantas;
  • descartar corretamente pneus, garrafas e demais materiais que retenham água.

Segundo o HDT, uma vistoria semanal de poucos minutos já é suficiente para identificar possíveis criadouros e interromper o ciclo de reprodução do Aedes aegypti. A instituição destaca que a colaboração da população é determinante para reduzir o risco de transmissão das arboviroses transmitidas pelo mosquito.

Qual o papel da vacinação contra a dengue na seca

Além da eliminação dos criadouros, a vacinação integra a estratégia de prevenção contra a dengue. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina Qdenga está disponível para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, conforme a estratégia definida pelo Ministério da Saúde. O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre elas.

“O período de menor circulação da doença é uma oportunidade para conferir a caderneta de vacinação e completar o esquema vacinal. Quem recebeu apenas a primeira dose deve retornar à unidade de saúde para concluir a imunização. É importante lembrar que a vacina complementa, mas não substitui, as ações de eliminação dos criadouros”, orienta o infectologista do HDT, Luiz Felipe Silveira Sales.

O médico destaca que a vacina Qdenga não protege contra chikungunya e zika, ambas também transmitidas pelo Aedes aegypti. Por esse motivo, os cuidados para evitar a proliferação do mosquito precisam ser mantidos ao longo de todo o ano, independentemente da vacinação do público indicado.

Quais são os sintomas que exigem atenção

Os principais sintomas da dengue incluem febre alta, dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, dor atrás dos olhos, náuseas e manchas avermelhadas na pele. Em casos de agravamento, com dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, dificuldade para respirar ou sensação de desmaio, a orientação do HDT é procurar imediatamente uma unidade de saúde para avaliação médica.

Mesmo durante a seca, o Aedes aegypti continua circulando e encontra condições favoráveis para se reproduzir dentro das residências. A combinação entre eliminação de criadouros, vacinação do público indicado e adoção de medidas preventivas segue sendo a principal estratégia para reduzir a transmissão da dengue, da chikungunya e da zika no país.

O que aponta o boletim sobre El Niño e a dengue na seca

Segundo o Painel El Niño, elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) em parceria com outras instituições, a previsão climática para o trimestre de julho a setembro de 2026 aponta temperaturas acima da média em grande parte do país, com maior potencial para ondas de calor na faixa central, além de chuvas acima da normal na Região Sul e abaixo da média em boa parte do Nordeste e de pontos do Norte.

Com base nesse cenário, o grupo Infodengue, ligado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e à Fundação Getulio Vargas (FGV), utilizou um modelo de redes neurais do tipo LSTM para projetar a curva de dengue na seca, até o final de 2026.

As simulações indicam que o El Niño forte está associado a cenários mais intensos de incidência da doença nas regiões Sul e Sudeste, seguidas pelo Norte, enquanto no Centro-Oeste e no Nordeste o fenômeno tende a ter efeito neutro ou protetor.

O relatório recomenda a antecipação de campanhas de comunicação e o fortalecimento da vigilância epidemiológica antes de outubro, mês em que o impacto do fenômeno sobre os casos deve se intensificar no Sul e no Sudeste.


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Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

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