Documentação é indispensável na hora de viajar
O passaporte brasileiro é um dos documentos de viagem mais fortes do mundo. Segundo a edição de julho de 2026 do Henley Passport Index — considerado o ranking mais respeitado sobre mobilidade internacional, elaborado com dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) — o Brasil ocupa a 16ª posição global, empatado com a Argentina, com acesso sem necessidade de visto prévio a 169 dos 227 destinos avaliados. É a melhor colocação do país desde 2018. No topo da lista está Singapura, cujo passaporte garante entrada livre em 192 destinos, seguida por Japão, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos.
Isso significa que, para a maioria dos destinos, basta apresentar o passaporte válido (e, dentro da América do Sul, muitas vezes apenas a carteira de identidade) para entrar no país. Ainda assim, diversas nações — incluindo destinos bastante procurados pelos brasileiros — continuam exigindo visto ou algum tipo de autorização eletrônica antes da viagem.
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Estados Unidos: o visto de turismo (categoria B1/B2) continua obrigatório. O processo envolve formulário online (DS-160), pagamento de taxa e, na maioria dos casos, entrevista presencial em um consulado americano no Brasil. A recomendação é iniciar a solicitação com bastante antecedência, principalmente por causa da Copa do Mundo de 2026, que deve aumentar a procura e os prazos de agendamento.
Canadá: o visto de visitante é obrigatório para brasileiros e pode ser solicitado on-line, mas exige envio de documentos e coleta de dados biométricos (foto e digitais). O tempo de processamento varia conforme a época do ano.
México: o país ainda exige visto físico, mas há previsão de retomada do visto eletrônico (e-Visa) a partir de 2026. Uma exceção importante: brasileiros que já possuam visto válido dos Estados Unidos ou do Canadá estão dispensados do visto mexicano para turismo.
Austrália: exige a autorização eletrônica de viagem eVisitor (subclasse 651), solicitada on-line e, para brasileiros, geralmente gratuita.
China: mantém uma política de vistos rigorosa, com processo burocrático que inclui roteiro de viagem detalhado e comprovantes de hospedagem.
Japão: desde setembro de 2023, um acordo bilateral isenta reciprocamente brasileiros e japoneses da exigência de visto para estadias de até 90 dias — desde que o passaporte tenha chip biométrico. Por isso, o Japão não aparece mais na lista de países que exigem visto de brasileiros.
>> Leia também: Estados Unidos suspendem vistos para 75 países, incluindo o Brasil
Para quem planeja viajar ao Espaço Schengen (bloco de 27 países europeus com fronteiras unificadas), é preciso ficar atento ao ETIAS — o Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem. Não se trata de um visto tradicional, mas de uma autorização eletrônica obrigatória e paga (taxa estimada em 7 euros, com validade de três anos), semelhante ao ETA canadense ou ao ESTA americano. A implementação já foi adiada diversas vezes e, até o momento, ainda não tem data definitiva de entrada em vigor. Enquanto isso, permanece a isenção de visto para turismo de até 90 dias no bloco, mediante comprovação de passagem de volta, hospedagem, seguro-viagem e recursos financeiros.
Outra mudança relevante já em vigor é o Sistema de Entrada e Saída (EES, na sigla em inglês), implantado no fim de 2025, que passou a registrar digitalmente a entrada e saída de viajantes nas fronteiras externas do bloco Schengen — sem, no entanto, alterar a dispensa de visto em si.
Um capítulo recente e pouco lembrado dessa história diz respeito à mão dupla das relações diplomáticas: desde 10 de abril de 2025, o Brasil voltou a exigir visto de turistas dos Estados Unidos, Canadá e Austrália, encerrando um período de seis anos de isenção concedida em 2019. A medida, definida pelo Ministério das Relações Exteriores, segue o princípio da reciprocidade: como esses três países não isentam os brasileiros de visto, o Brasil deixou de conceder a isenção unilateral. O novo visto brasileiro é eletrônico (e-Visa) e pode ser solicitado inteiramente on-line. O caso do Japão ilustra o outro lado da moeda: depois que o Brasil isentou os japoneses em 2019, Tóquio devolveu o gesto em 2023, fechando um acordo de reciprocidade plena.
Seja em destinos com exigências rigorosas ou naqueles que dispensam o visto, para ingressar em qualquer país é fundamental:
Dentro do Mercosul, a regra é ainda mais simples: para Argentina, Chile, Colômbia, Uruguai e outros países associados, o brasileiro pode viajar apenas com o RG em bom estado de conservação, emitido há menos de 10 anos, sem necessidade de passaporte.
Américas: Estados Unidos, Canadá e México (com a exceção mencionada para portadores de visto americano ou canadense válido).
Ásia: Arábia Saudita, Afeganistão, Bangladesh, Butão, Brunei, China, Coreia do Norte, Iraque, Kuwait, Mianmar, Síria, Turcomenistão e Taiwan.
África: Argélia, Benin, Chade, Camarões, Congo, Eritreia, Gana, Gâmbia, Libéria, Líbia, Mali, Níger, República Centro-Africana e Sudão.
Oceania: Austrália (via eVisitor eletrônico) e Nauru.
Vale reforçar que essas regras mudam com frequência — como mostram os próprios casos do Japão e do México — por isso a recomendação é sempre confirmar a exigência diretamente no site da embaixada ou do consulado do país de destino antes de comprar passagens ou reservar hospedagem.
Para verificar a situação de qualquer destino, vale consultar:
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Jornalista especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação. Editora e administradora do portal Gazeta Culturismo
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