Pesquisa revela que 42,5 milhões de brasileiros pretendem abrir um negócio nos próximos três anos e coloca o país na segunda posição mundial em empreendedores potenciais
O empreendedorismo no Brasil alcançou um novo patamar em 2025. Dados da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2025 mostram que o desejo de ter o próprio negócio registrou o maior avanço da série histórica da pesquisa, tornando-se o segundo principal sonho dos brasileiros, atrás apenas da casa própria. O levantamento também revela que 42,5 milhões de pessoas pretendem abrir uma empresa nos próximos três anos, colocando o Brasil como o segundo país com o maior número de empreendedores potenciais do mundo.
Além do crescimento no interesse por empreender, a pesquisa aponta mudanças no perfil e nas motivações dos brasileiros. A abertura de empresas deixa de ser predominantemente uma alternativa diante do desemprego e passa a estar associada à busca por independência financeira, formação de patrimônio e realização de projetos pessoais, em um cenário de mercado de trabalho mais favorável.
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A Global Entrepreneurship Monitor (GEM) é considerada a maior pesquisa internacional dedicada ao estudo do empreendedorismo. Em sua edição de 2025, o levantamento reuniu informações de 53 países. No Brasil, a pesquisa é realizada desde 2000 e, atualmente, é conduzida pela Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (Anegepe) em parceria com o Sebrae.
Entre junho e agosto de 2025, foram entrevistados 2.350 brasileiros adultos. O estudo identificou que o percentual de pessoas que sonham em ter um negócio próprio passou de 34% para 40% em apenas um ano, o maior crescimento entre os onze objetivos de vida avaliados.
O resultado recoloca o empreendedorismo na segunda posição entre os maiores sonhos da população brasileira, superando objetivos tradicionalmente valorizados, como viajar, adquirir um automóvel e conquistar estabilidade por meio de uma carreira no serviço público.
Os dados indicam uma transformação gradual no comportamento do empreendedor brasileiro.
Em 2017, apenas 18% da população citava o próprio negócio entre seus principais sonhos, em um contexto marcado pelos efeitos da recessão econômica. Durante a pandemia de Covid-19, em 2020, o indicador chegou a 59%, impulsionado principalmente pela necessidade de geração de renda.
O cenário observado em 2025 é diferente. Segundo a pesquisa, diminuiu a parcela de pessoas que afirmam empreender porque os empregos são escassos. Esse índice caiu para 71%, o menor já registrado pela série histórica.
Ao mesmo tempo, aumentou o número de brasileiros motivados pela construção de patrimônio e pela busca de maior autonomia financeira. O desejo de alcançar grande riqueza ou renda elevada permaneceu em 69%, enquanto a motivação relacionada à continuidade de negócios familiares atingiu 46%, o maior percentual já identificado pela pesquisa.
Entre aqueles que efetivamente iniciaram uma empresa em 2025, 58% disseram ter empreendido por oportunidade, acima dos 55% registrados no levantamento anterior.
O estudo estima que 42,5 milhões de brasileiros que ainda não possuem empresa desejam abrir um negócio nos próximos três anos.
Esse volume coloca o Brasil na segunda posição mundial em número absoluto de empreendedores potenciais, atrás apenas da Índia, que reúne cerca de 150 milhões de pessoas nessa condição.
Quando considerada a proporção da população, 45% dos brasileiros que ainda não empreendem afirmam ter intenção de iniciar um negócio no curto prazo, um dos maiores índices entre os países participantes da pesquisa.
A pesquisa também apresenta um retrato atualizado dos chamados empreendedores iniciais, grupo formado por pessoas com empresas em funcionamento há até três anos e meio.
Segundo a GEM 2025, o Brasil possui 26,9 milhões de empreendedores nessa condição.
Entre eles:
Outro destaque é o crescimento da participação de pessoas com 45 anos ou mais, que passaram a representar 33,7% dos novos empreendedores, o maior percentual já registrado pela pesquisa.
Por outro lado, a participação feminina apresentou retração. As mulheres representam atualmente 39,5% dos empreendedores iniciais, o menor índice desde 2003.
Além das entrevistas com a população, a GEM ouviu 55 especialistas em empreendedorismo para avaliar o ambiente de negócios brasileiro.
Entre os aspectos considerados positivos estão a dinâmica do mercado interno, a infraestrutura física disponível e um ambiente cultural favorável à criação de empresas.
O Brasil também apresentou avanço no National Entrepreneurship Context Index (NECI), indicador internacional que mede a qualidade do ambiente empreendedor. O país passou da 48ª para a 44ª posição entre as economias avaliadas ao longo dos últimos quatro anos.
Apesar dessa evolução, permanecem desafios considerados relevantes para quem deseja empreender.
A pesquisa identifica dificuldades estruturais que continuam limitando o crescimento dos pequenos negócios no país.
Entre os principais entraves aparecem:
Esses fatores ajudam a explicar um dado importante da pesquisa: embora o interesse pelo empreendedorismo tenha aumentado, a taxa total de empreendedorismo caiu de 33,4% para 31,6% em 2025.
O resultado indica que o número de brasileiros interessados em empreender cresce em ritmo superior às condições disponíveis para transformar esses projetos em empresas sustentáveis e duradouras.
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Jornalista especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação. Editora e administradora do portal Gazeta Culturismo
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