Pesquisa mostra que quatro em cada dez brasileiras já viajaram sozinhas, enquanto experiências voltadas ao público feminino avançam no setor de turismo
O turismo feminino vem registrando crescimento contínuo no Brasil e em diversos países, impulsionado pela busca por autonomia, lazer, bem-estar e autoconhecimento. Dados de uma pesquisa realizada em 2026 pelo Ministério do Turismo em parceria com a Unesco indicam que 40% das brasileiras já viajaram sozinhas, refletindo uma mudança significativa no comportamento das viajantes.
O levantamento também revela os principais motivos que levam mulheres a embarcarem em experiências independentes: 72,6% viajam por lazer, 65,1% buscam liberdade e 41,4% apontam o autoconhecimento como fator determinante. O cenário acompanha uma tendência global de fortalecimento do público feminino no setor turístico, com aumento da procura por roteiros personalizados e ambientes considerados mais seguros.
De acordo com a Abreutur, empresa especialista do setor, o aumento da independência financeira das mulheres, aliado à maior oferta de produtos turísticos direcionados a esse público, contribui para o avanço desse segmento.
Nos últimos anos, viajar deixou de ser apenas uma atividade de lazer para se tornar também uma ferramenta de desenvolvimento pessoal. Muitas mulheres enxergam as viagens como oportunidade para ampliar repertórios culturais, criar novas conexões e vivenciar experiências fora da rotina.
Outro fator relevante é a ampliação da oferta de grupos organizados exclusivamente para mulheres, que unem segurança, socialização e praticidade. Esse formato tem atraído tanto viajantes experientes quanto aquelas que desejam realizar a primeira viagem desacompanhadas.
Além de conhecer novos destinos, as viajantes buscam experiências que proporcionem significado e aprendizado.
Entre os interesses mais comuns estão:
A tendência acompanha uma mudança observada internacionalmente, em que turistas priorizam experiências autênticas em vez de apenas visitar atrações tradicionais.
Os grupos femininos são organizados para reunir participantes com interesses semelhantes, oferecendo roteiros planejados e suporte durante toda a viagem.
Nesse modelo, a logística costuma incluir hospedagem, transporte, passeios e acompanhamento especializado. A proposta é reduzir preocupações operacionais e permitir que as participantes aproveitem melhor a experiência.
Outro diferencial é a possibilidade de construir relacionamentos durante a jornada. O compartilhamento de experiências entre mulheres de diferentes perfis tem sido apontado como um dos principais atrativos desse tipo de viagem.
Os roteiros direcionados ao público feminino costumam incorporar atividades voltadas ao bem-estar, à cultura local e à descoberta pessoal. Entre os elementos frequentemente valorizados estão momentos de contemplação, pausas para descanso, experiências gastronômicas e períodos de tempo livre para exploração individual dos destinos.
Também há uma preocupação crescente em criar ambientes acolhedores, permitindo que as participantes se sintam confortáveis para viajar sozinhas sem abrir mão da convivência em grupo.
A culinária passou a ocupar posição estratégica nos roteiros turísticos modernos. Em vez de ser apenas uma necessidade durante a viagem, tornou-se uma forma de aproximação com a cultura local.
Experiências gastronômicas permitem conhecer tradições, hábitos e aspectos históricos de cada destino. Degustações, visitas a mercados e refeições típicas ajudam as viajantes a compreender melhor a identidade cultural das regiões visitadas.
Segundo profissionais do setor, a busca por experiências autênticas tem elevado a importância da gastronomia no planejamento de viagens nacionais e internacionais.
Há pouco mais de uma década, viajar sozinha ainda era visto por muitas mulheres como um desafio relacionado principalmente à segurança e à falta de suporte durante o deslocamento.
Com a popularização das plataformas digitais, o acesso a informações sobre destinos, avaliações de hospedagens e compartilhamento de experiências tornou-se mais simples. Paralelamente, operadoras, hotéis e empresas do setor passaram a desenvolver produtos específicos para atender às necessidades desse público.
O crescimento do turismo feminino acompanha uma transformação social mais ampla, marcada pelo aumento da participação das mulheres em decisões de consumo, lazer e planejamento financeiro.
Dados de organizações internacionais ligadas ao turismo indicam que as mulheres já representam uma parcela significativa dos viajantes independentes em diversos mercados, influenciando tendências e estratégias do setor.
Ao apresentar iniciativas voltadas para esse público, representantes do setor destacam que a proposta vai além do deslocamento entre destinos.
Segundo a Abreutur, operadora responsável por um dos programas voltados exclusivamente para mulheres, a proposta busca oferecer experiências que unam convivência, segurança e descoberta pessoal.
A empresa afirma que a iniciativa proporciona às participantes “crescimento pessoal, inspiração e a sensação de ter vivido algo verdadeiramente marcante”.
A declaração ilustra uma das principais características do turismo feminino contemporâneo: a valorização das experiências transformadoras e da construção de memórias associadas ao desenvolvimento individual.
>> Resumo rápido
- O que é turismo feminino?
É o segmento de viagens voltado às necessidades e interesses das mulheres, incluindo experiências solo e grupos exclusivamente femininos.
- Quantas brasileiras já viajaram sozinhas?
Segundo pesquisa do Ministério do Turismo e da Unesco, quatro em cada dez mulheres brasileiras já realizaram viagens desacompanhadas.
- Por que as mulheres estão viajando mais?
Os principais motivos são lazer (72,6%), liberdade (65,1%) e autoconhecimento (41,4%).
- Quais são os benefícios dos grupos femininos de viagem?
Eles oferecem maior sensação de segurança, suporte logístico, oportunidades de socialização e experiências compartilhadas.
- O turismo feminino está crescendo?
Sim. O segmento apresenta crescimento contínuo no Brasil e no exterior, acompanhando mudanças sociais e comportamentais das viajantes.
Jornalista pós-graduada em Comunicação Organizacional e especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação.
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