Levantamento inédito criado por ClickBus e Fipe mostra que as passagens rodoviárias acumularam alta de 7,5% em 12 meses, abaixo da variação do diesel e das passagens aéreas
O transporte rodoviário de passageiros passou a contar com um novo indicador para acompanhar a evolução dos preços das passagens no Brasil. Lançado pela ClickBus em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o Índice do Rodoviário ClickBus (IRCB) acompanha mensalmente a variação média das tarifas de ônibus em todo o país, utilizando uma ampla base de dados de transações realizadas na plataforma digital da empresa.
A divulgação ocorre em um momento em que o ônibus continua sendo o principal meio de deslocamento entre cidades brasileiras. Segundo estimativas baseadas em dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e órgãos estaduais, cerca de 160 milhões de passageiros utilizaram o transporte rodoviário em 2025, número superior ao registrado pelo transporte aéreo doméstico. O novo índice busca oferecer uma referência permanente para consumidores, empresas, pesquisadores e analistas do mercado de mobilidade.
Os primeiros resultados do IRCB indicam que o preço médio das passagens de ônibus aumentou 7,5% nos últimos 12 meses, desempenho inferior ao observado em itens diretamente ligados aos custos operacionais do setor.
No mesmo período, o diesel acumulou alta de 15,7%, enquanto as passagens aéreas avançaram 23,2%. Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou variação de 4,4%.
Os dados sugerem que o transporte rodoviário absorveu parte significativa das pressões de custo sem repassá-las integralmente ao consumidor final.
Entre janeiro e abril de 2026, as passagens de ônibus acumularam aumento de 5,9%, repetindo o mesmo percentual registrado no acumulado móvel dos últimos 12 meses.
A análise regional mostra diferenças importantes no comportamento dos preços. O Centro-Oeste registrou a maior variação tarifária do país nos últimos 12 meses, com avanço médio de 8,2%. Apesar do reajuste, a região também apresentou crescimento nas vendas digitais de passagens.
Os destaques foram:
Já a região Sul apresentou a menor variação de preços no período, com aumento médio de 2,8%.
Na série histórica iniciada em dezembro de 2017, o comportamento regional foi o seguinte:
O levantamento identificou diferenças relevantes entre categorias de serviço e distâncias percorridas. Entre as classes de atendimento, a categoria Convencional registrou a maior alta anual, com avanço de 6,5%. Já o serviço Cama apresentou a menor variação, de 4,9%.
Quando analisadas as distâncias percorridas, os aumentos mais expressivos ocorreram em trajetos curtos.
Segundo a metodologia do índice, isso indica que viagens utilizadas com maior frequência para deslocamentos diários, trabalho e serviços regionais passaram por ajustes mais intensos do que os percursos de longa distância.
O IRCB foi desenvolvido para medir a variação média dos preços ao longo do tempo, evitando distorções comuns em comparações pontuais de tarifas. A metodologia elaborada pela Fipe utiliza informações de passagens comercializadas em todo o território nacional e controla características que influenciam os preços, como:
Outro diferencial é que o cálculo considera o mês de realização da viagem, e não a data da compra da passagem. Essa abordagem permite uma leitura mais precisa do comportamento efetivo dos preços praticados no mercado.
Um dos principais resultados do estudo está na análise de longo prazo. Desde dezembro de 2017 até abril de 2026, as passagens rodoviárias acumularam alta de 60,5%.
No mesmo período:
Os números mostram que o aumento das passagens ficou significativamente abaixo da evolução do principal insumo operacional do setor, o diesel.
Também chamam atenção os dados por modalidade:
Nas viagens de longa distância, o aumento acumulado foi de 49,2%, abaixo da média nacional.
O transporte rodoviário permanece como a principal alternativa de mobilidade entre cidades brasileiras devido à sua ampla cobertura territorial.
Enquanto a malha aérea está concentrada nos grandes centros urbanos e o transporte ferroviário de passageiros possui alcance limitado, o ônibus conecta milhares de municípios de diferentes portes.
O setor desempenha papel relevante no acesso da população a serviços essenciais, como saúde, educação, trabalho e turismo.
Nos últimos anos, o mercado também passou por mudanças regulatórias promovidas pela ANTT, incluindo maior flexibilidade tarifária em determinadas rotas interestaduais. Paralelamente, houve avanço da digitalização da venda de passagens, permitindo maior transparência de preços e ampliação dos canais de compra.
Para Phillip Klien, CEO da ClickBus, a criação do indicador preenche uma lacuna histórica no acompanhamento dos preços do transporte rodoviário.
“Pela primeira vez, o mercado de transporte rodoviário tem um índice de preços confiável e recorrente. O que o IRCB já revela, confirma uma percepção que sempre tivemos: em quase uma década, a viagem de ônibus no Brasil se transformou. Frota renovada, Wi-Fi a bordo, leitos-cama, novas categorias de conforto, venda 100% digital. Mas essa evolução não foi cobrada do consumidor. As tarifas acompanharam a inflação, enquanto a qualidade da viagem deu um salto. O brasileiro está pagando praticamente o mesmo por um produto incomparavelmente melhor. Isso diz muito sobre a resiliência do setor rodoviário e sobre como ele absorveu o custo da sua própria transformação”, avalia Phillip Klien, CEO da ClickBus.
Já Bruno Oliva, presidente da Fipe, destacou que a combinação entre uma base nacional de dados e metodologia econômica especializada permite análises consistentes sobre a evolução dos preços das viagens rodoviárias.
A construção do índice utilizou aproximadamente 62 terabytes de dados transacionais, tratados de forma agregada e sem identificação individual dos usuários, seguindo normas de proteção e governança de dados.
O IRCB registrou alta de 3,3% em abril de 2026, acima do IPCA mensal de 0,7%. Segundo os responsáveis pelo indicador, o resultado está associado principalmente a fatores sazonais que costumam influenciar a demanda por viagens em determinados períodos do ano.
No mesmo mês, o diesel avançou 4,5%, percentual superior ao aumento das passagens rodoviárias. A comparação sugere que o setor continuou absorvendo parte dos custos operacionais, mesmo diante das oscilações nos preços dos combustíveis.
>>> Resumo rápido
Apreciador de boas histórias, filmes e games. Repórter no portal Gazeta Culturismo.
Copyright © 2024 // Todos os direitos reservados.