Crescimento das ocorrências acompanha férias escolares e concentra impactos na região metropolitana de Goiânia
O aumento do número de pipas próximas à rede elétrica já provocou interrupções no fornecimento de energia para mais de 70 mil consumidores em Goiás no primeiro semestre de 2026. Dados divulgados pela Equatorial Goiás mostram que as ocorrências cresceram justamente com a chegada do período de férias escolares e do clima seco, quando crianças e adolescentes costumam ocupar áreas abertas para a brincadeira. A maior parte dos registros está concentrada na Região Metropolitana de Goiânia.
Além dos transtornos para milhares de moradores, os incidentes representam risco de acidentes envolvendo a rede elétrica. O levantamento da distribuidora indica que os casos aumentaram entre abril e junho e continuam sendo registrados em julho, período em que cresce a circulação de pessoas em espaços públicos durante o recesso escolar.
➡️Clique aqui e entre no canal do WhatsApp para receber notícias de forma gratuita
Os registros de interrupções no fornecimento de energia cresceram de forma significativa ao longo do segundo trimestre do ano.
Em abril, foram contabilizadas 32 ocorrências, número 45% superior ao registrado em março. Em maio, houve um salto para 129 registros, enquanto junho terminou com 112 casos. Nos primeiros dias de julho, outras 19 ocorrências já haviam sido registradas pelas equipes da concessionária.
Segundo a Equatorial Goiás, o comportamento acompanha um período tradicionalmente marcado pelo aumento da prática de soltar pipas, impulsionado pelas férias escolares e pelas condições climáticas típicas da estação seca.
➡️ Leia também: Férias de julho; passeios, colônias de férias e diversão com as crianças em Goiânia
Os dados mostram que os problemas se concentram principalmente na região metropolitana da capital.
Goiânia lidera o levantamento com 63 ocorrências, equivalente a aproximadamente 26% de todos os registros do estado em 2026. Na sequência aparecem:
Juntas, essas quatro cidades respondem por cerca de 55% das interrupções de energia relacionadas ao contato de pipas com a rede elétrica em Goiás. Também aparecem entre os municípios com maior número de casos Rio Verde e Anápolis.
Para o gerente do Centro de Operações Integradas da Equatorial Goiás, Vinicyus Lima, a concentração acompanha o perfil urbano da região:
“A concentração de ocorrências na região metropolitana acompanha a maior densidade populacional e o uso mais intenso dos espaços urbanos. Por isso, com a chegada das férias escolares, a Equatorial Goiás reforça a importância da prevenção, orientando a população a soltar pipas em locais abertos e distantes da rede elétrica, reduzindo riscos de acidentes e de interrupções no fornecimento de energia”, avalia o gerente.
O problema ocorre quando a linha da pipa alcança equipamentos estratégicos da rede elétrica, principalmente os chamados alimentadores, cabos que transportam energia das subestações para bairros inteiros.
Quando ocorre o contato, forma-se um caminho para a corrente elétrica, provocando curto-circuito. Os sistemas automáticos de proteção desligam imediatamente o circuito para evitar acidentes, incêndios e danos à infraestrutura elétrica.
Na maior parte das ocorrências, entre 150 e 250 consumidores são afetados. Entretanto, quando o problema atinge alimentadores principais, o impacto pode ser muito maior.
Em abril, um único incidente em Formosa deixou aproximadamente 5.500 clientes sem energia. Outro caso registrado em Goiânia, em junho, interrompeu o fornecimento para quase 5 mil consumidores simultaneamente. Segundo a distribuidora, ambos os serviços foram restabelecidos após atuação das equipes técnicas.
O Centro de Operações Integradas da concessionária aponta que os atendimentos emergenciais acontecem principalmente entre 15h e 20h, período em que aumenta a prática de soltar pipas.
Em Goiânia, os bairros com maior número de registros são:
Em Aparecida de Goiânia, destacam-se:
Segundo Vinicyus Lima, esse mapeamento permite direcionar ações preventivas e agilizar o atendimento quando ocorrem interrupções.
“Soltar pipa é uma tradição cultural saudável, mas que exige responsabilidade coletiva. Quando uma linha atinge um alimentador importante da rede elétrica, o impacto não é apenas local: bairros inteiros e milhares de famílias podem perder o fornecimento de energia instantaneamente por conta de uma brincadeira em local inadequado. Precisamos do apoio dos pais e dos jovens para que a diversão aconteça longe dos fios e com total segurança”, ressalta Vinicyus.
Além do risco de interrupção do fornecimento de energia, o uso de cerol e linha chilena representa ameaça à integridade física de pedestres, motociclistas, ciclistas e trabalhadores da rede elétrica.
Em Goiás, a Lei Estadual nº 20.454/2019 proíbe a fabricação, comercialização e posse desses materiais. As multas variam de R$ 200 a R$ 2 mil para pessoas físicas.
Para estabelecimentos comerciais flagrados vendendo cerol ou linha chilena, a penalidade ultrapassa R$ 3 mil, podendo haver aplicação em dobro e fechamento definitivo do estabelecimento em caso de reincidência.
Na capital, a Lei Municipal nº 8.832/2009 também proíbe o uso desses materiais em áreas públicas e autoriza sua apreensão pelos órgãos de fiscalização.
“O grande perigo real na rede elétrica não é a pipa em si, mas o uso criminoso de cerol e linhas chilenas. Esses materiais cortantes destroem os cabos de energia e representam um risco gravíssimo de acidentes fatais, tanto para a população quanto para as nossas equipes de campo que trabalham na manutenção. Nosso compromisso técnico é monitorar e reparar esses circuitos críticos de forma ágil, mas a prevenção e o respeito às leis de segurança continuam sendo o melhor escudo para proteger vidas”, alerta o gerente.
A Equatorial Goiás orienta que a brincadeira seja realizada apenas em locais amplos, afastados da rede elétrica, como parques e campos.
Entre as principais recomendações estão:
Caso ocorra qualquer incidente envolvendo a rede elétrica, a orientação é isolar o local, não tocar em fios caídos ou objetos em contato com a rede, acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 e comunicar imediatamente a Equatorial Goiás pelo 0800 062 0196.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Jornalista especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação. Editora e administradora do portal Gazeta Culturismo
Copyright © 2024 // Todos os direitos reservados.