Festival de Cinema Francês terá 21 filmes em Goiânia e mais de 50 cidades brasileiras; veja programação

Evento terá produções inéditas, clássicos, filmes premiados e participação de artistas franceses

Festival de Cinema Francês terá 21 filmes em Goiânia e mais de 50 cidades brasileiras; veja programação

O 17º Festival de Cinema Francês do Brasil terá início no dia 29 de outubro de 2026, com uma programação de 21 filmes, distribuídos entre produções recentes e clássicos da cinematografia francesa. As exibições seguem até 11 de novembro, simultaneamente em aproximadamente 100 cinemas de mais de 50 cidades brasileiras.

Em Goiânia, apesar de confirmado, o evento terá o local divulgado em breve. A programação completa para a capital será adicionada ao final desta reportagem.

A seleção reúne 19 produções recentes e inéditas no circuito brasileiro do festival, além de dois clássicos. Entre os destaques estão obras apresentadas nos festivais de Cannes, Veneza, Locarno e l’Alpe d’Huez, com histórias que transitam entre comédia, romance, drama, suspense, animação e documentário.

Além das sessões, o Festival de Cinema Francês do Brasil 2026 terá encontros com atores e diretores, debates, atividades educativas e iniciativas voltadas à formação de profissionais do audiovisual. Sete convidados franceses participarão de encontros com o público em São Paulo e no Rio de Janeiro.

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Festival reúne filmes premiados e produções inéditas no Brasil

Um dos principais títulos da programação é “De Gaulle: A França Livre”, díptico dirigido por Antonin Baudry que ultrapassou cinco milhões de espectadores na França. Exibida fora de competição no Festival de Cannes, a produção acompanha os acontecimentos de junho de 1940, quando o general Charles de Gaulle decide seguir para Londres e organizar a resistência francesa à ocupação nazista.

O elenco inclui Simon Abkarian, Simon Russell Beale, Florian Lesieur e Benoît Magimel. A distribuição brasileira é da Synapse.

A curadora e diretora Emannuelle Boudier destaca a relação entre as histórias selecionadas e os acontecimentos contemporâneos.

“Temos uma seleção diversificada, com filmes que se conectam com o mundo em que vivemos. Talvez o destaque da edição seja um filme que mostra a importância de lutar pela liberdade frente às violências políticas, ainda mais no momento atual em todo o mundo. A mensagem está expressa no espetacular díptico ‘De Gaulle: A França Livre’, de Antonin Baudry. Uma obra monumental que já superou mais de cinco milhões de espectadores na França”, ressalta.

Para Christian Boudier, também curador e diretor do evento, o cinema oferece oportunidades de reflexão sobre questões da sociedade.

“É fundamental que o cinema cumpra seu papel de abrir perspectivas e levantar questões sobre os desafios diários da vida. Principalmente em tempos de crises, sejam elas políticas ou morais”, completa.

Outro destaque é “O Beijo Elétrico”, de Pierre Salvadori, comédia romântica que abriu o Festival de Cannes de 2026. Ambientado na Paris de 1928, o filme acompanha Antoine Balestro, pintor que perde a inspiração após a morte da esposa.

Ao procurar uma vidente para tentar se comunicar com ela, Antoine acaba envolvido em uma encenação criada por uma artista circense. Estrelada por Pio Marmaï, Anaïs Demoustier e Gilles Lellouche, a produção ultrapassou 600 mil espectadores na França.

Também apresentado em Cannes, “O Sentido da Vida”, dirigido por Ryūsuke Hamaguchi, acompanha a aproximação entre Marie-Lou, responsável por uma instituição de acolhimento de idosos, e Mari, diretora teatral japonesa que enfrenta um câncer. O longa concorreu à Palma de Ouro e recebeu um prêmio duplo de interpretação feminina para Virginie Efira e Tao Okamoto.

Já o suspense político “Júpiter”, de Alexandre Smia, coloca o presidente fictício Paul Archambault diante de uma crise internacional com potencial de desencadear um conflito nuclear.

Exibido fora de competição no Festival de Veneza de 2026, o filme tem Denis Ménochet, André Dussollier e Reda Kateb no elenco. O público brasileiro poderá assistir à produção antes da estreia francesa, prevista para 18 de novembro.

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Comédias francesas abordam relacionamentos, família e bastidores do cinema no Festival de Cinema Francês do Brasil

O humor também ocupa parte importante da programação do Festival de Cinema Francês do Brasil. Em “A Ilustre Desconhecida”, de Marc Fitoussi, Isabelle Huppert interpreta Corinne Maclou, uma figurante que tenta conquistar reconhecimento profissional. A aproximação com uma atriz famosa, interpretada por Sandrine Kiberlain, alimenta suas ambições. O longa abriu o Festival de Cinema Francófono de Angoulême e encerrou o Festival de Locarno em agosto de 2026.

Outra produção é “O Que é o Amor?”, de Fabien Gorgeart, estrelada por Laure Calamy e Vincent Macaigne. A trama começa quando Fred solicita à ex-esposa, Marguerite, a anulação do casamento religioso para poder se casar novamente.

A situação leva os dois a Roma, acompanhados pelos filhos e pelos atuais companheiros. O filme venceu o Grande Prêmio do Festival Internacional de Cinema de Comédia de l’Alpe d’Huez de 2026, onde Laure Calamy também recebeu o prêmio de Melhor Atriz.

Os bastidores do teatro francês aparecem em “Bem-vindos à La Comédie-Française”, de Martin Darondeau e Bertrand Usclat. A história acompanha Nina, uma diretora que precisa enfrentar problemas técnicos, atrasos e conflitos internos pouco antes de uma estreia. Protagonizada por Pauline Clément, a comédia conquistou quatro prêmios em l’Alpe d’Huez, incluindo o Prêmio do Público e o Prêmio Especial do Júri. Na França, ultrapassou 900 mil espectadores.

Pauline Clément também estrela “Uma Menina de Ouro”, de Jean-Luc Gaget, sobre uma mulher que começa a questionar sua autoestima depois de conhecer um empresário autoritário.

Dramas abordam violência contra mulheres, luto e relações familiares

Entre as produções de temática social está “A Casa das Mulheres”, de Mélisa Godet. O filme retrata o trabalho de profissionais que acolhem vítimas de violência e oferecem apoio para a reconstrução de suas vidas. A produção, que ultrapassou 500 mil espectadores na França, aborda solidariedade, escuta e os desafios enfrentados pelas mulheres atendidas.

Em “Compostela, o Caminho da Terapia”, de Yann Samuell, Fred e Adam, um adolescente em crise, percorrem juntos o caminho de Santiago de Compostela. Durante a peregrinação, conflitos e experiências compartilhadas transformam a relação entre os dois. O longa superou 800 mil espectadores nos cinemas franceses.

O processo de reconstrução pessoal também aparece em “Minha Vida de Sereia”, de Pauline Brunner e Marion Verlé. A protagonista Fanny, recém-divorciada, passa a reconsiderar suas escolhas após a chegada de uma sereia profissional à região onde mora.

Já “A Busca de Charlie”, estreia de Avril Besson na direção de longas-metragens, acompanha uma jovem que viaja levando discos de vinil herdados da avó. Ao conhecer novas pessoas, ela encontra maneiras de lidar com o luto. O filme participou das sessões especiais de Cannes e concorreu à Caméra d’Or.

Em “Sem Piedade”, de Julien Hosmalin, dois irmãos voltam a se encontrar depois de 20 anos, após a morte da mãe. O reencontro traz à tona um sequestro ocorrido no passado e coloca os personagens diante de uma escolha entre vingança e perdão.

Documentário premiado e curta vencedor do Oscar integram seleção do Festival de Cinema Francês do Brasil

A natureza é o tema central de “O Canto da Floresta”, documentário dirigido por Vincent Munier e vencedor de dois prêmios César em 2026, nas categorias Melhor Documentário e Melhor Som.

A produção acompanha três gerações da mesma família, o cineasta, seu pai e seu filho, durante uma experiência nas florestas dos Vosges, região francesa ligada à infância de Munier e ao início de seu interesse pela fotografia de animais selvagens. O documentário levou mais de 1,3 milhão de espectadores aos cinemas franceses.

Outra atração é “Duas Pessoas Trocando Saliva”, curta-metragem dirigido por Natalie Musteata e Alexandre Singh, vencedor do Oscar de Melhor Curta-Metragem em Live Action de 2026. A história se passa em uma sociedade autoritária na qual beijar é proibido e pode resultar em pena de morte. Nesse cenário, duas mulheres desenvolvem uma aproximação que desafia as regras impostas.

Clássicos franceses retornam aos cinemas durante o festival

Além dos lançamentos, a programação contempla dois títulos históricos. O primeiro é “A Grande Escapada”, comédia de Gérard Oury lançada em 1966, que completa 60 anos em 2026. Estrelado por Bourvil, Louis de Funès e Claudio Brook, o filme acompanha dois civis franceses envolvidos na fuga de pilotos britânicos durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial. A produção registrou mais de 17 milhões de espectadores na França e ultrapassou 60 milhões em todo o mundo.

O segundo clássico é “O Rei e o Pássaro”, animação de Paul Grimault desenvolvida a partir de 1946 em parceria com o poeta Jacques Prévert. Inspirada no conto “A Pastora e o Limpador de Chaminés”, de Hans Christian Andersen, a obra combina humor, fantasia e reflexões filosóficas. O filme já ultrapassou 2,3 milhões de espectadores nos cinemas e fará parte das sessões educativas destinadas a estudantes da rede pública.

Filmes exploram personagens históricos e referências culturais francesas

Três produções abordam figuras importantes da cultura e da história da França. Em “Victor, como Hugo”, de Pascal Bonitzer, o ator Robert Zucchini apresenta espetáculos inspirados na obra do escritor Victor Hugo. A reaparição de uma filha com quem perdeu contato o leva a reconsiderar suas relações pessoais.

Já “Molière, Cyrano e o Pequeno Rei”, de Michel Leclerc, acompanha o jovem Luís XIV, que busca proteção em uma companhia teatral para escapar de uma ameaça à monarquia. Sob os cuidados de D’Artagnan e Cyrano de Bergerac, ele conhece o universo artístico. O filme integrou a programação Cinéma de la Plage, do Festival de Cannes.

O tradicional Palais Garnier, sede da Ópera de Paris, é o cenário de “O Fantasma da Ópera”, de Alexandre Castagnetti. Na trama, ambientada na Paris contemporânea, a bailarina Anastasia ingressa na companhia e se apaixona por um pianista misterioso. Durante os ensaios de uma ópera associada à lenda do Fantasma da Ópera, acidentes e acontecimentos inexplicáveis passam a ameaçar sua trajetória.

Sete artistas franceses participam de debates no Festival de Cinema Francês do Brasil

O Festival de Cinema Francês do Brasil 2026 receberá uma delegação de sete profissionais, que participarão de apresentações e conversas com espectadores em São Paulo e no Rio de Janeiro. Entre os convidados estão as atrizes Alexandra Lamy, Pauline Clément e Laure Calamy, o ator Benoît Magimel e os diretores Fabien Gorgeart, Marc Fitoussi e Pierre Salvadori.

Alexandra Lamy apresentará “Compostela, o Caminho da Terapia”. Conhecida pela série “Un gars, une fille”, a atriz já participou de edições anteriores do festival com “Ouro Verde” e “De Carona com o Amor”.

Pauline Clément estará presente com “Uma Menina de Ouro” e “Bem-vindos à La Comédie-Française”. Integrante da companhia teatral francesa desde 2015, a atriz também participou de “Mais que Especiais” e “Mega Cena”.

Laure Calamy representará “O Que é o Amor?”. A artista venceu o César de Melhor Atriz em 2021 por “Minhas Férias com Patrick” e recebeu reconhecimento no Festival de Veneza por “Contratempos”. Também é conhecida pela série “Dez por Cento”.

Benoît Magimel participará das atividades relacionadas a “De Gaulle: A França Livre”, no qual interpreta o general Pierre Kœnig. O ator acumula três prêmios César e recebeu o prêmio de Melhor Ator em Cannes por “A Professora de Piano”.

Entre os diretores convidados, Fabien Gorgeart retorna ao Brasil após ter apresentado “O Poder de Diane” em 2018. Marc Fitoussi, responsável por “A Ilustre Desconhecida”, tem no currículo produções como “Copacabana” e “A Ritornela”, além de episódios da série “Dez por Cento”.

Pierre Salvadori apresentará “O Beijo Elétrico”. O cineasta recebeu o Prêmio SACD na Quinzena dos Realizadores de Cannes, em 2018, por “Finalmente Livres”.

Os diretores Marc Fitoussi e Pierre Salvadori também participarão de uma masterclass gratuita em 26 de outubro, na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), em São Paulo.

Festival promove laboratório de roteiros e encontros profissionais

A programação paralela inclui a nona edição do LAB Franco-Brasileiro de Roteiros, iniciativa dedicada ao desenvolvimento de projetos audiovisuais e à aproximação entre profissionais dos dois países. Entre 26 e 30 de outubro, 15 participantes selecionados de diferentes estados brasileiros estarão reunidos no Rio de Janeiro para discutir projetos de séries e longas-metragens.

As atividades serão conduzidas por Arnaud Louvet, Corinne Klomp e Pascale Rey, sob coordenação de François Sauvagnargues. O laboratório é realizado em parceria com o Conservatório Europeu de Escrita Audiovisual (CEEA), instituição francesa dedicada à formação de roteiristas, e com o Projeto Paradiso.

Outra atividade será a visita de Olivier Père, diretor-geral da ARTE France Cinéma, para encontros com profissionais brasileiros em São Paulo e no Rio de Janeiro. As conversas abordarão o desenvolvimento de projetos e as possibilidades de coprodução audiovisual internacional.

Evento já recebeu cerca de 2,5 milhões de espectadores

Ao longo de suas 16 edições anteriores, o festival reuniu aproximadamente 2,5 milhões de espectadores e recebeu mais de 150 profissionais do cinema francês. Entre os artistas que já participaram estão Catherine Deneuve, Audrey Tautou, Isabelle Huppert, Sandrine Bonnaire, Virginie Efira, Camille Cottin, Gilles Lellouche, Pierre Richard e Jean-Pierre Jeunet.

Somente em 2025, o evento contabilizou mais de 57 mil espectadores e realizou cerca de 100 sessões voltadas à educação, à ampliação do acesso ao cinema e à acessibilidade.

A edição de 2026 tem a Varilux, marca do grupo EssilorLuxottica, como patrocinadora master. Também conta com patrocínios de BNP Paribas, Edenred, Air France, Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, e Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Municipal de Cultura.

A realização envolve ainda parcerias com as Alianças Francesas, a Embaixada da França no Brasil, distribuidoras cinematográficas, exibidores independentes e redes comerciais.

Festival de Cinema Francês do Brasil terá sessões em Goiânia

A 17ª edição do Festival de Cinema Francês do Brasil confirmou exibição em Goiânia. Apesar da boa notícia, a organização divulgará o cinema sede em breve.

A programação completa com local, horários e datas de exibição será incluída neste espaço, assim que for disponibilizada.


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Autor: Pollyana Cicatelli

Jornalista especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação. Editora e administradora do portal Gazeta Culturismo

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