Manoel Santos concilia há cerca de 20 anos o trabalho na Comurg com a pintura
Entre a rotina de limpeza das ruas de Goiânia e as horas dedicadas ao ateliê, Manoel Santos encontrou na natureza do Cerrado a principal inspiração para suas pinturas. Funcionário da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) há cerca de duas décadas, o gari também construiu uma trajetória nas artes plásticas, com participação na Bienal de São Paulo, reconhecimento em salões artísticos e obras expostas permanentemente no Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG).
O contato diário com a cidade faz parte de seu processo criativo. Durante os percursos de trabalho, Manoel observa o comportamento das pessoas, a vegetação e os animais que encontra pelo caminho. Entre as aves que despertam seu interesse estão as araras-canindé, cujas aparições podem servir de referência para futuras telas.
Para o artista, a atividade profissional e a pintura fazem parte de uma mesma rotina, sem que uma precise ocupar o lugar da outra.
“Enquanto varro, vejo gente, animais, matas ao redor, aves, principalmente araras-canindé. Então, tenho um serviço que me faz sentir livre. Trabalho como gari, procuro desempenhar bem a minha função, mesmo pensando nas próximas telas. Uma coisa não atrapalha a outra. Uma hora estou na rua varrendo, na outra estou no ateliê pintando. Não deixo a fama subir para a cabeça. Às pessoas que veem na arte uma oportunidade, não desistam e peçam ajuda a outras pessoas”, declara.
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Nas obras de Manoel Santos, o pontilhismo é utilizado para compor imagens da fauna e das paisagens naturais de Goiás. A técnica, construída a partir de pequenos pontos, também permite ao artista abordar questões relacionadas à preservação ambiental.
Os elementos visuais fazem referência às transformações enfrentadas pelo Cerrado ao longo das estações. Em algumas representações, os pontos evocam a poeira deixada sobre o solo depois das queimadas. Em outras, remetem ao surgimento da vegetação com o retorno das chuvas.
Dessa maneira, as pinturas apresentam diferentes momentos da natureza, explorando tanto os efeitos da destruição quanto a capacidade de renovação do bioma.
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A ligação de Manoel com a produção artística começou muito antes de seu trabalho na Comurg. Quando criança, já demonstrava interesse por atividades manuais, criando figuras de animais com argila e preenchendo cadernos com desenhos.
A pintura em tela passou a fazer parte de sua trajetória posteriormente. O desenvolvimento de seu estilo foi influenciado pela convivência com artistas da região e pelo hábito de observar o ambiente natural.
Manoel também manteve contato com o meio universitário ao frequentar espaços da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde trabalhou como modelo vivo em atividades acadêmicas.
Seu histórico de participação em salões de arte inclui premiações conquistadas desde a década de 1980. Entre os momentos de sua carreira está a presença na Bienal de São Paulo, além da exposição permanente de parte de sua produção no HGG.
No hospital, as telas podem ser apreciadas por pacientes, visitantes e trabalhadores da unidade, levando representações da biodiversidade goiana a um ambiente de atendimento à saúde.
A atuação de Manoel nas artes plásticas também é reconhecida pela direção da Comurg. Para o presidente da companhia, Cleber Aparecido Santos, a trajetória do funcionário demonstra como o compromisso com o trabalho e a dedicação artística podem coexistir.
O dirigente destaca que, enquanto participa diariamente dos serviços de limpeza urbana, Manoel também utiliza suas pinturas para chamar a atenção para o patrimônio natural de Goiás.
“Manoel Santos é motivo de orgulho para a Comurg. Sua trajetória mostra que o talento, a dedicação e a sensibilidade podem caminhar juntos em diferentes áreas da vida. Temos orgulho de contar com um profissional que contribui diariamente para a zeladoria de Goiânia e que, por meio da arte, também valoriza a riqueza do nosso Cerrado e a preservação ambiental”, destaca.
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Jornalista especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação. Editora e administradora do portal Gazeta Culturismo
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