Tirzepatida do Paraguai custa a partir de R$ 415 mas são proibidas no Brasil; entenda o cerco da Anvisa

T36 é a mais recente versão barrada pela agência; Mounjaro é a única tirzepatida aprovada no Brasil e custa R$ 3.499 na apresentação de 15 mg dentro do programa da fabricante

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  • . atualizado às 18:10
Tirzepatida do Paraguai custa a partir de R$ 415 mas são proibidas no Brasil; entenda o cerco da Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliou o cerco à tirzepatida do Paraguai ao proibir, nesta quarta-feira (16), a T36, medicamento que contém o mesmo princípio ativo do Mounjaro. A decisão impede a comercialização e uso do produto em território brasileiro. A justificativa é a ausência de registro sanitário na Anvisa, o que significa que segurança e eficácia da T36 não foram avaliadas pela agência brasileira.

A diferença de preço ajuda a dimensionar o interesse pelas versões paraguaias. Produtos anunciados como tirzepatida no Paraguai aparecem a partir de R$ 415, incluindo apresentações de 15 mg. No Brasil, o Mounjaro é atualmente o único medicamento à base de tirzepatida aprovado pela Anvisa e a caixa de 15 mg com quatro canetas autoinjetoras custa R$ 3.499 no comércio eletrônico, diferença de R$ 3.084 em relação ao menor valor da tabela paraguaia.

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Proibição da tirzepatida do Paraguai alcança até compras feitas para uso próprio

A nova determinação está prevista na Resolução-RE nº 3.626, de 14 de setembro de 2026, publicada no Diário Oficial da União no dia 16. A norma atinge todos os lotes da T36 e determina expressamente a proibição de armazenamento, comercialização, distribuição, exportação, importação, propaganda, transporte e uso.

A medida é mais ampla do que impedir a venda em farmácias brasileiras. Como há uma proibição específica de importação, o consumidor não pode comprar a tirzepatida do Paraguai e levá-la para o Brasil alegando que será destinada ao próprio tratamento.

A Anvisa já havia esclarecido que medicamentos como a tirzepatida do Paraguai, sem registro brasileiro podem, em determinadas circunstâncias, ser importados excepcionalmente para uso pessoal, desde que acompanhados de prescrição e do cumprimento das exigências sanitárias. Essa possibilidade deixa de valer quando existe uma resolução específica proibindo determinado produto.

No caso da T36, a agência afirmou que o produto não possui registro sanitário no Brasil e, portanto, não passou pela análise exigida para que um medicamento possa circular regularmente no mercado nacional. A versão é produzida no Paraguai e chegou a obter autorização sanitária naquele país, mas o registro paraguaio não substitui a avaliação necessária para comercialização no Brasil.

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Outras marcas paraguaias já estavam na mira da Anvisa

tirzepatida do Paraguai

A T36 não é a primeira tirzepatida do Paraguai atingida por medidas da agência. Ao longo de 2026, diferentes resoluções alcançaram produtos que vinham sendo divulgados principalmente pela internet, redes sociais e canais voltados a consumidores brasileiros.

Em fevereiro, a Anvisa determinou a apreensão e proibiu comercialização, distribuição, fabricação, importação e uso de produtos como Lipoless MD 15 mg, Lipoless, Tirzec 15 mg, Tirzec Pen 15 mg, Lipoland 15 mg e T.G., entre outras apresentações. A justificativa também foi a inexistência de registro sanitário válido no país.

Em abril, o órgão determinou a apreensão do Tirzec e proibiu sua fabricação, importação, divulgação, venda e utilização. No mesmo mês, Gluconex e Tirzedral também tiveram comercialização, distribuição, importação e uso proibidos por não possuírem registro, notificação ou cadastro na agência.

Em maio, foi a vez das versões Slimex e Slimex MD. Segundo a Anvisa, ambas eram produzidas por fabricante de origem desconhecida e não tinham registro, notificação ou cadastro sanitário no Brasil.

Diferença de preço entre a tirzepatida do Paraguai e do Brasil chama atenção

O contraste financeiro é expressivo. Na tabela comercial, medicamentos apresentados como tirzepatida são oferecidos a partir de R$ 415. O menor valor aparece em opções de 15 mg, enquanto outras apresentações alcançam preços maiores conforme a marca e o formato.

A mesma diferença é encontrada em plataformas de comparação de preços paraguaias. Em setembro, anúncios de Tirzec, Lipoless, Slimex, Lipoland, Tirzedral e T36 podiam ser encontrados por valores na faixa de dezenas de dólares, dependendo da apresentação e do estabelecimento. A existência da oferta no Paraguai, contudo, não altera a situação sanitária desses produtos no Brasil.

Já o preço oficial do Mounjaro varia conforme a concentração. Os valores atuais começam em R$ 1.422,52 para a caixa de 2,5 mg, adquirida pelo comércio eletrônico. Na concentração de 15 mg, a caixa com quatro canetas custa R$ 3.499 pelo mesmo canal. Comparando apenas produtos anunciados na concentração de 15 mg, o valor brasileiro do Mounjaro dentro do programa da fabricante é cerca de 8,4 vezes o menor preço apresentado na tabela paraguaia.

Esse cálculo não significa, porém, que uma apresentação possa ser simplesmente substituída pela outra. Concentração declarada, quantidade total de medicamento, forma de apresentação, processo de fabricação, controle de qualidade e condições de armazenamento precisam ser considerados. No caso dos produtos sem registro, a Anvisa afirma não haver garantia brasileira de procedência, composição ou conservação.

Mounjaro continua sendo a tirzepatida autorizada no país

O Mounjaro, teve o registro da tirzepatida aprovado pela Anvisa inicialmente para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2. Em junho de 2025, a agência autorizou também sua indicação para controle crônico do peso, incluindo perda e manutenção de peso em adultos que atendam aos critérios previstos em bula.

Para obesidade, o medicamento é indicado em conjunto com dieta de baixa caloria e aumento da atividade física para adultos com índice de massa corporal igual ou superior a 30 kg/m², ou a partir de 27 kg/m² quando existe pelo menos uma condição relacionada ao excesso de peso, como hipertensão, dislipidemia, apneia obstrutiva do sono ou diabetes tipo 2.

A diferença regulatória é fundamental. A aprovação sanitária exige que a fabricante apresente documentação sobre produção, qualidade, eficácia e segurança, além de permitir rastreamento dos lotes e acompanhamento de eventuais problemas depois que o medicamento chega ao mercado.

Detectar tirzepatida em amostras de produtos importados do Paraguai não comprova que eles sejam seguros, eficazes ou equivalentes ao Mounjaro.

Preço menor não significa equivalência entre os medicamentos

A procura pela tirzepatida do Paraguai ganhou força justamente em um momento em que as chamadas canetas emagrecedoras se popularizaram e passaram a movimentar um mercado paralelo de importação e revenda. Para a Anvisa, o problema não está apenas na origem estrangeira do medicamento, mas na ausência de controle sanitário brasileiro sobre aquilo que chega ao consumidor.

Sem registro, a agência não pode assegurar que a substância tenha exatamente a concentração indicada no rótulo, que o processo produtivo siga os padrões exigidos no país ou que a cadeia de refrigeração tenha sido mantida durante armazenamento e transporte.

Preços de produtos à base de tirzepatida anunciados no Paraguai

Esse ponto é particularmente relevante para produtos injetáveis. A Anvisa afirma que medicamentos adquiridos fora dos estabelecimentos e canais oficiais podem não oferecer garantia de procedência, composição ou conservação, fatores que comprometem diretamente qualidade, segurança e eficácia.

Em 2026, a fiscalização sobre esse mercado foi intensificada. Entre janeiro e abril, ações da agência resultaram na apreensão de mais de 1,3 milhão de unidades de medicamentos injetáveis irregulares, incluindo tirzepatida, além de interdições e medidas contra importação, comércio e uso desses produtos.

Venda de canetas também exige receita retida no Brasil

tirzepatida do Paraguai

O controle brasileiro sobre as canetas não termina no registro sanitário. Desde junho de 2025, medicamentos agonistas de GLP-1, categoria que inclui a tirzepatida, somente podem ser vendidos mediante prescrição em duas vias e retenção da receita pela farmácia ou drogaria. A regra alcança medicamentos como Mounjaro, Ozempic e Wegovy. A receita pode ter validade de até 90 dias, e as movimentações precisam ser registradas pelos estabelecimentos.

A Anvisa adotou a exigência após identificar preocupação com o uso dessas substâncias sem acompanhamento profissional, incluindo riscos relacionados a superdosagem, erros de administração e utilização fora das condições previstas.



Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

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