Fungos se desenvolvem principalmente em ambientes úmidos e pouco ventilados e podem agravar alergias e problemas respiratórios
Mofo dentro de casa pode parecer apenas um problema estético, mas a presença de fungos em paredes, móveis, roupas e outros objetos também pode afetar a qualidade do ar e o bem-estar dos moradores. O problema costuma aparecer com mais frequência em períodos frios e chuvosos, quando a umidade aumenta e os ambientes permanecem fechados por mais tempo.
Além de comprometer a conservação do imóvel, o mofo dentro de casa pode liberar esporos no ambiente. Quando inaladas, essas partículas podem irritar as vias respiratórias e desencadear ou agravar reações alérgicas. Assim, identificar a origem da umidade e evitar que os fungos voltem a se proliferar são medidas importantes para preservar tanto o imóvel quanto a qualidade do ambiente.
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O mofo é formado por colônias de fungos microscópicos que encontram condições favoráveis principalmente em locais com umidade elevada. As colônias podem aparecer em paredes, tetos, tecidos, madeira, papéis e móveis, formando manchas de diferentes tonalidades e deixando um odor característico.
A química Paola Magnus, coordenadora de P&D da JIMO, explica que a umidade tem papel central nesse processo.
”O fungo encontra condições favoráveis para se desenvolver quando o ambiente permanece úmido, quente e sem circulação adequada de ar”, afirma.
A formação das colônias também pode estar relacionada a infiltrações, goteiras, vazamentos, condensação e problemas de impermeabilização. Por isso, retirar apenas a mancha visível nem sempre resolve a situação. Se a fonte da umidade continuar presente, o problema pode reaparecer depois da limpeza.
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As colônias de fungos liberam esporos microscópicos que podem permanecer suspensos no ambiente. Quando essas partículas são inaladas, podem irritar o nariz e as vias respiratórias e desencadear reações em pessoas sensíveis.
A pneumologista Karla Curado explica que a exposição pode provocar sintomas como espirros, tosse e obstrução nasal.
”Em situações de exposição mais intensa ou prolongada, a inalação de partículas presentes no mofo pode estar relacionada a quadros respiratórios mais graves, como a pneumonite de hipersensibilidade”, destaca.
Entre os problemas associados à exposição estão crises de rinite alérgica, asma, sinusite, bronquite, tosse persistente e irritação nos olhos e na garganta. Algumas pessoas também podem apresentar manifestações na pele, como irritações e dermatites.
Embora qualquer pessoa possa apresentar sintomas diante de um ambiente contaminado, alguns grupos precisam de atenção especial. Crianças, idosos, pessoas com asma ou rinite e indivíduos com imunidade baixa podem ser mais suscetíveis aos efeitos da exposição aos fungos.
Um sinal importante aparece quando os sintomas pioram em determinados cômodos. Quartos, banheiros e espaços fechados com infiltrações podem concentrar maior quantidade de umidade e favorecer a proliferação dos fungos.
Por isso, quando uma pessoa percebe que espirros, tosse, nariz entupido ou irritação nos olhos aumentam dentro de determinado ambiente, é importante observar também as condições do local. A avaliação médica continua necessária para identificar a causa dos sintomas, mas o ambiente pode ser um dos fatores envolvidos.
A exposição ao mofo dentro de casa pode provocar diferentes manifestações. Entre os sinais citados pela pneumologista Karla Curado estão:
A presença desses sintomas não significa, necessariamente, que o mofo seja a causa. No entanto, quando eles aparecem ou pioram em ambientes específicos, a condição do imóvel também merece ser investigada.

Em alguns casos, o fungo funciona como um sinal de que existe outro problema no imóvel. Infiltrações, falhas na impermeabilização, vazamentos ocultos, condensação e acúmulo de água podem manter as superfícies úmidas por longos períodos.
Glênio Forte, proprietário da Rede da Construção Fortecon, explica que a prevenção ainda durante a construção pode reduzir problemas posteriores. Segundo ele, áreas sujeitas à água, como banheiros, cozinhas, lavanderias e sacadas, precisam receber impermeabilização adequada.
O especialista também aponta a importância do planejamento do imóvel. ”Telhados e lajes devem permitir o escoamento correto da água da chuva, enquanto calhas e rufos precisam direcionar a água para longe das paredes”, explica.
A prevenção começa pelo controle da umidade. Manter portas e janelas abertas sempre que possível ajuda na circulação de ar, principalmente em cômodos que permanecem fechados durante grande parte do dia.
Também é importante evitar guardar roupas ainda úmidas, manter móveis excessivamente encostados em paredes frias e observar pontos onde aparecem manchas recorrentes. Armários, guarda-roupas, closets e espaços atrás de camas podem apresentar pouca circulação de ar e favorecer a formação de fungos.
Quando o mofo reaparece mesmo depois da limpeza, o ideal é procurar a origem da umidade. Apenas remover a superfície afetada pode não resolver o problema se houver infiltração ou vazamento por trás da parede.
A limpeza exige cuidado para evitar a dispersão dos esporos. A química Paola Magnus alerta que esfregar uma superfície seca ou utilizar vassoura pode espalhar partículas pelo ambiente.
”Durante a limpeza, é recomendável proteger as mãos e evitar a exposição direta ao material. Superfícies afetadas podem ser higienizadas com produtos apropriados, seguindo as instruções de uso e os cuidados indicados pelo fabricante”, afirma.
Depois da remoção, a área precisa ser completamente seca. Também é necessário manter a ventilação do cômodo para reduzir as condições que favorecem o retorno dos fungos.
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Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.
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