Neve em setembro surpreende o Sul; veja onde ainda pode acontecer em 2026

São José dos Ausentes, Cambará do Sul e Bom Jardim da Serra tiveram registros do fenômeno após a chegada de uma forte massa polar

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  • . atualizado às 10:22
Neve no Brasil em 2026

Quem imaginava que a temporada de frio já havia acabado foi surpreendido no último fim de semana. A neve no Brasil em 2026 voltou a aparecer em pleno mês de setembro, com registros entre a tarde e a noite de domingo (6) em pontos elevados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. São José dos Ausentes e Cambará do Sul, na serra gaúcha, tiveram neve confirmada, enquanto Urubici e Bom Jardim da Serra, na Serra Catarinense, também registraram o fenômeno.

O sábado (5) marcou principalmente a chegada da intensa massa de ar polar, com temperaturas negativas já sendo observadas no Sul. A combinação necessária para a neve, porém, ganhou força no domingo, além do ar muito frio, havia umidade suficiente nas camadas da atmosfera sobre as áreas de maior altitude.

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Neve no Brasil em 2026: Rio Grande do Sul e Santa Catarina

Os registros mais claros do domingo ocorreram nos Campos de Cima da Serra, no extremo nordeste do Rio Grande do Sul. Em São José dos Ausentes, a neve apareceu na região do Pico do Monte Negro, ponto mais alto do estado, com cerca de 1.403 metros de altitude. Na área urbana do município, a temperatura era de 3,8°C às 15h, segundo dados citados pela Climatempo.

Também nevou em Cambará do Sul, principalmente na região do Cânion Fortaleza. Mais tarde, a combinação de frio e umidade alcançou as áreas altas catarinenses. Registros de neve foram observados na região de Urubici e Bom Jardim da Serra, onde as temperaturas ficaram próximas ou abaixo de zero nos pontos de maior altitude.

Foi, portanto, um episódio bastante localizado. A neve no Brasil em 2026 não cobriu cidades inteiras nem produziu grandes acumulações, mas voltou a transformar pontos das serras do Sul mesmo quando setembro já marcava a transição para a primavera meteorológica.

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Gramado teve gelo, mas não exatamente neve

Nem tudo o que caiu do céu durante o frio de domingo pode ser chamado de neve. Em Gramado e São Francisco de Paula, no Rio Grande do Sul, foram observados episódios de chuva congelada e graupel, segundo a Climatempo.

O graupel é formado quando gotículas de água super-resfriadas congelam ao entrar em contato com cristais de gelo dentro das nuvens. O resultado são pequenos grãos brancos e opacos, parecidos visualmente com bolinhas de isopor.

Já a neve é formada por cristais de gelo que se organizam dentro das nuvens e conseguem chegar ao solo sem derreter. Essa diferença é importante porque imagens de precipitação branca em cidades turísticas rapidamente circulam nas redes sociais como “neve”, mesmo quando meteorologicamente o fenômeno é outro.

São Joaquim chegou a -1,8°C antes da neve

Neve no Brasil em 2026

O frio extremo não significa necessariamente que vai nevar. Na manhã de domingo, São Joaquim, em Santa Catarina, registrou -1,8°C na região conhecida como Caminhos da Neve. Em Urupema, os termômetros chegaram a -1,7°C, enquanto Painel marcou -0,8°C.

Mesmo assim, os primeiros registros mais bem documentados de neve naquele dia ocorreram horas depois no Rio Grande do Sul. Na madrugada seguinte, o frio ficou ainda mais intenso. Bom Jardim da Serra chegou a -6,1°C, São Joaquim marcou -5,9°C e Urupema registrou -5,4°C. Ao todo, 11 municípios catarinenses ficaram abaixo de zero.

No Rio Grande do Sul, Bom Jesus registrou -3,8°C, e outras dez cidades também tiveram temperatura negativa. No Paraná, Palmas e General Carneiro chegaram a -0,1°C. Porém, quando essas temperaturas mínimas foram registradas, a atmosfera já estava ficando mais seca. O resultado foi muita geada, mas menos condição para neve.

Chance de nova neve no Brasil em 2026

Para quem pensa em correr agora para a serra, há uma informação importante, não existe neste momento uma nova previsão confirmada de neve para os próximos dias. A massa polar que provocou o episódio do fim de semana começou a se afastar pelo Oceano Atlântico nesta terça-feira (8).

A Epagri/Ciram prevê elevação das temperaturas em Santa Catarina e retorno da chuva com a aproximação de novos sistemas meteorológicos. A previsão atual para São Joaquim também não indica um novo episódio de neve na janela imediata. Isso não significa que a temporada esteja definitivamente encerrada.

Outra massa polar chega ainda em setembro

As projeções meteorológicas mostram que o frio deste início de mês não deve ser o último de setembro. Haverá uma frequência maior de incursões de ar polar no Centro-Sul do Brasil durante o mês. Uma nova massa de ar frio deve ingressar no fim desta semana e provocar outra queda de temperatura no próximo fim de semana e no início da semana seguinte. Ela, porém, não deve ser tão intensa quanto a massa que provocou a neve do dia 6.

A chegada de outra massa de ar frio a Santa Catarina durante a segunda metade do mês. A tendência divulgada para o período entre 11 e 20 de setembro aponta chuva inicialmente e posterior entrada de ar mais frio e seco. Até esta terça-feira, entretanto, isso não representa uma previsão de nova neve. Para que ela aconteça novamente, o próximo pulso de frio precisará coincidir com umidade suficiente sobre as serras.

Onde ir para tentar ver neve no Brasil em 2026

Não existe uma cidade brasileira onde seja possível comprar passagem e ter garantia de encontrar neve natural. Mesmo nas regiões mais frias, o fenômeno pode durar poucos minutos e ocorrer apenas em uma estrada rural, montanha ou ponto elevado enquanto o centro da cidade permanece sem qualquer precipitação.

Mas alguns destinos oferecem probabilidades muito maiores. São Joaquim concentra histórico de neve e estrutura turística São Joaquim, na Serra Catarinense, é provavelmente o destino mais conhecido de quem procura cidades com neve no Brasil.

O município está em uma região elevada e registra frequentemente temperaturas negativas, geadas intensas e episódios de precipitação invernal. Somente na manhã do último domingo, por exemplo, a estação de Caminhos da Neve marcou -1,8°C.

O diferencial para o turista é a combinação entre frio e estrutura. A cidade possui hotéis, pousadas, restaurantes, vinícolas e acesso relativamente simples a outros municípios gelados da região. Quem pretende tentar encontrar neve no Brasil em 2026 pode utilizar São Joaquim como base e acompanhar as previsões para pontos mais elevados nos arredores.

Urupema está entre os pontos mais frios do país

Neve no Brasil em 2026

Para maximizar a chance, Urupema merece atenção especial. A própria Secretaria Municipal de Turismo informa que o município possui altitude média de aproximadamente 1.425 metros, registra mais de 50 geadas por ano, em média, e possui histórico recorrente de neve durante o inverno.

Urupema também funciona bem para quem consegue viajar de última hora. Quando os meteorologistas começam a indicar a combinação correta entre frio e umidade, a cidade costuma aparecer entre as primeiras candidatas a registrar precipitação invernal.

Urubici reúne altitude, turismo e pontos elevados

Urubici é uma das escolhas mais completas para quem quer unir a tentativa de encontrar neve a outros passeios. A cidade possui cânions, cachoeiras, formações rochosas e acesso a áreas elevadas do Parque Nacional de São Joaquim. O Morro da Igreja e a Pedra Furada estão entre os principais cartões-postais da região.

Para uma viagem voltada ao frio, é possível combinar Bom Jardim da Serra, São Joaquim, Urubici e Urupema em um roteiro pela Serra Catarinense, acompanhando em tempo real qual município apresenta as condições mais favoráveis.

Como aumentar a chance de realmente ver neve

Neve no Brasil em 2026

Para quem ainda pretende tentar encontrar neve no Brasil em 2026, o planejamento funciona de maneira diferente de uma viagem convencional. O ideal é escolher previamente dois ou três destinos, pesquisar hospedagens com cancelamento flexível e acompanhar as previsões meteorológicas. A decisão final deve ocorrer perto da possível onda de frio.

Previsões de neve feitas com uma ou duas semanas de antecedência podem desaparecer completamente conforme os modelos são atualizados. A combinação entre frio e umidade precisa ser acompanhada muito mais perto do evento.

Também vale observar onde a previsão aponta o fenômeno. Muitas vezes o aviso não vale para a área urbana, mas apenas para locais acima de 1.200 ou 1.300 metros.


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Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

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