Nova versão mantém dungeons, viagens no tempo e elementos centrais da aventura, mas acrescenta câmera livre, pulo manual e novas formas de tocar a ocarina
Quase três décadas depois de transformar a maneira como aventuras em 3D eram jogadas, Link está prestes a atravessar Hyrule novamente. O remake de Zelda Ocarina of Time ganhou sua primeira demonstração extensa de gameplay nesta terça-feira (8) e confirmou que a Nintendo não pretende apenas colocar gráficos novos sobre a estrutura criada para o Nintendo 64.
A apresentação ocorreu durante o Nintendo Direct dedicado aos 40 anos de The Legend of Zelda e mostrou Eiji Aonuma, produtor histórico da franquia, percorrendo locais conhecidos como Kokiri Forest, Great Deku Tree, Hyrule Field e a região do Castelo de Hyrule. O resultado é reconhecível para quem conhece a aventura de 1998, mas os primeiros minutos deixam claro que o Zelda Ocarina of Time no Switch 2 foi reconstruído para funcionar como um jogo contemporâneo, e não como uma simples remasterização.
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Até agora, uma das maiores dúvidas sobre o remake de Zelda Ocarina of Time era o tamanho das alterações feitas pela Nintendo. O teaser de junho mostrava pouco mais do que Link acordando em Kokiri Forest e sugeria uma reconstrução visual completa, mas não revelava se a jogabilidade continuaria praticamente idêntica à versão original.
A demonstração desta terça eliminou parte dessa dúvida. Link agora pode pular por comando do jogador em determinadas situações. No original, os saltos eram normalmente automáticos, bastava correr em direção à borda de uma plataforma para que o personagem pulasse.
O remake adiciona controle direto sobre essa ação, aproximando a movimentação de padrões utilizados por aventuras modernas. Também foram mostrados mergulhos e outras possibilidades de movimentação durante a exploração. A mudança não transforma Ocarina of Time em Breath of the Wild ou Tears of the Kingdom, mas reduz algumas limitações herdadas do controle do Nintendo 64.

Outra modernização importante do remake de Zelda Ocarina of Time está atrás do próprio Link. O jogo original não possuía câmera livre controlada pelo segundo analógico, até porque o controle do Nintendo 64 tinha apenas um analógico principal.
Para reposicionar a visão, o jogador utilizava principalmente o botão Z, que centralizava a câmera atrás de Link ou travava a mira em inimigos e personagens. A nova versão adota câmera livre, permitindo observar os ambientes com o segundo analógico do Nintendo Switch 2.
Isso parece uma mudança pequena para quem cresceu com jogos modernos, mas altera profundamente a forma como Hyrule pode ser observada. Áreas construídas originalmente para ângulos fixos ou movimentos limitados agora precisam funcionar quando vistas de praticamente qualquer direção.
A modernização da câmera chama atenção justamente porque Ocarina of Time teve participação fundamental na solução de outro problema enfrentado pelos primeiros jogos tridimensionais. Durante o desenvolvimento original, a Nintendo criou o Z-targeting, sistema que permitia travar a mira em um inimigo e manter Link orientado em relação ao alvo.
Em uma entrevista histórica da série Iwata Asks, integrantes da equipe explicaram que a mecânica surgiu durante os esforços para encontrar uma forma eficiente de controlar batalhas tridimensionais. Ao pressionar o botão Z, o jogador mantinha o inimigo selecionado enquanto podia movimentar Link ao redor dele.
Até Navi nasceu parcialmente dessa necessidade. O marcador utilizado para indicar quem estava selecionado acabou evoluindo para a pequena fada que acompanha Link durante a aventura. O remake de Zelda Ocarina of Time mantém essa base histórica, mas agora ela convive com uma câmera que não depende do sistema de alvo para ser reposicionada.

A interface também foi redesenhada. A demonstração mostrou menus simplificados e visualmente mais próximos da organização utilizada nos jogos recentes da franquia, especialmente “The Legend of Zelda: Breath of the Wild”. Isso afeta principalmente o acesso a equipamentos e informações.
O Ocarina of Time original foi construído ao redor do controle do Nintendo 64 e de seus botões C, utilizados para associar itens como arco, bombas e a própria ocarina. A versão de Nintendo 3DS já havia reorganizado essa interface para aproveitar a tela sensível ao toque.
Agora, o Zelda Ocarina of Time no Switch 2 precisa novamente adaptar esse sistema a um controle moderno, mas sem perder a rapidez necessária para trocar equipamentos durante dungeons e combates. Essa relação entre Zelda e interface não é nova. Shigeru Miyamoto chegou a afirmar durante o desenvolvimento do remake de 3DS que a história da série também poderia ser vista como uma história de interfaces, justamente pela quantidade de itens e ações que precisam ser acessados sem interromper a aventura.
Uma das novidades mais inesperadas está justamente no instrumento que dá nome ao jogo. No original, as músicas eram executadas através de combinações dos botões do controle. Aprender sequências como Zelda’s Lullaby, Saria’s Song e Song of Time fazia parte do avanço pela aventura.
No remake de Zelda Ocarina of Time, a Nintendo acrescentou uma opção que permite reproduzir melodias utilizando sons feitos pelo próprio jogador. A apresentação mostrou a possibilidade de cantarolar as notas, oferecendo uma alternativa aos comandos tradicionais.
O recurso conversa diretamente com o microfone integrado do Nintendo Switch 2 e transforma uma mecânica que antes dependia exclusivamente dos botões em uma experiência potencialmente mais física. A utilização tradicional da ocarina continua fazendo parte da aventura. A novidade funciona como outra possibilidade de interação, não como substituição obrigatória do controle convencional.

Visualmente, o remake de Zelda Ocarina of Time procura encontrar um equilíbrio delicado. A Nintendo reconstruiu Hyrule com modelos, iluminação, vegetação e cenários muito mais detalhados, mas evitou transformar completamente a identidade da aventura.
Na demonstração, Kokiri Forest ainda possui a organização que permite reconhecer imediatamente a vila onde Link cresceu. A Great Deku Tree ganhou proporções e detalhes mais expressivos, enquanto Hyrule Field apresenta vegetação, relevo e iluminação muito mais densos do que a planície aberta limitada pelo hardware do Nintendo 64.
Link também foi completamente redesenhado. As roupas, o gorro e os equipamentos apresentam materiais e detalhes que não existiam nem no jogo original nem em Ocarina of Time 3D. O estilo está mais próximo de uma fantasia realista do que da estética estilizada adotada em Breath of the Wild e Tears of the Kingdom.
Uma característica importante do original também está de volta. O ciclo entre dia e noite continua modificando Hyrule enquanto Link explora o mundo. A demonstração mostrou o sistema funcionando inclusive na região de Castle Town.
Em Ocarina of Time, a passagem do tempo interfere na exploração. Algumas áreas mudam de comportamento, personagens aparecem em horários específicos e o portão da cidade pode impedir a entrada de Link durante a noite.
A mecânica era particularmente marcante em 1998 porque criava uma sensação de mundo em funcionamento muito antes de ciclos dinâmicos se tornarem comuns em jogos de mundo aberto. No Zelda Ocarina of Time no Switch 2, essa estrutura retorna com iluminação dinâmica e ambientes muito mais detalhados.

Apesar das modernizações, o novo gameplay confirmou que o remake de Zelda Ocarina of Time não abandonará o formato clássico de Zelda. Uma dungeon apareceu durante a demonstração, com exploração de salas, combate e quebra-cabeças ambientais.
Isso é especialmente importante porque Ocarina of Time foi construído ao redor de uma sequência de templos e masmorras que exigem itens específicos para avançar. Great Deku Tree funciona como a primeira grande introdução a esse formato. Depois, a aventura leva Link a locais como Dodongo’s Cavern, Jabu-Jabu’s Belly e, na fase adulta, aos templos Forest, Fire, Water, Shadow e Spirit.
Até agora, a Nintendo não informou se o desenho interno de todas essas dungeons será reproduzido exatamente ou se determinados quebra-cabeças e caminhos serão modificados. O gameplay, porém, mostra que a lógica tradicional de explorar, encontrar equipamentos e utilizar novas habilidades para solucionar obstáculos permanece.
A Nintendo também criou uma ferramenta para um problema bastante comum entre novos jogadores. não saber para onde ir. O remake contará com um recurso chamado Threads of Time, que oferece orientações sobre o próximo objetivo da aventura.
A ideia é modernizar a experiência sem transformar a exploração em uma sequência completamente guiada. O jogo original foi lançado em uma época em que era comum conversar várias vezes com NPCs, consultar Navi ou simplesmente percorrer Hyrule tentando descobrir a próxima etapa. Para jogadores acostumados a mapas com marcadores constantes, algumas dessas progressões podem parecer pouco claras.

A essência narrativa do remake de Zelda Ocarina of Time permanece ligada à viagem no tempo. Link começa a aventura como uma criança que vive entre os Kokiri, embora não possua uma fada como os demais habitantes da floresta. Depois de receber Navi e encontrar a Great Deku Tree, ele deixa a região em uma jornada que acaba envolvendo Princesa Zelda, Ganondorf e a Triforce.
Ao retirar a Master Sword do Pedestal of Time, Link fica selado durante sete anos. Quando desperta, encontra Hyrule transformada pelo domínio de Ganondorf. A aventura passa então a alternar períodos temporais enquanto o herói procura os sábios necessários para enfrentar o vilão.
Essa estrutura permitiu que o jogo original mostrasse duas versões do mesmo mundo e utilizasse o tempo como parte dos quebra-cabeças, da narrativa e da exploração. Até agora, não há indicação oficial de que a Nintendo tenha reescrito os principais acontecimentos dessa história.
O trailer apresentado nesta terça também mostrou personagens centrais da aventura, incluindo Ganondorf. O rei dos Gerudo retorna com visual reconstruído, mantendo elementos que permitem relacioná-lo imediatamente à versão de 1998.
A participação do personagem é fundamental porque Ocarina of Time foi o primeiro Zelda tridimensional a apresentar Ganondorf dessa forma. Ele manipula os acontecimentos iniciais para alcançar o Sacred Realm e obter a Triforce, levando à transformação de Hyrule durante os sete anos em que Link permanece adormecido.
A versão adulta de Link também aparece no material divulgado, confirmando que o remake percorre as duas fases temporais que estruturam a aventura.
Esta não é a primeira vez que a Nintendo reconstrói o clássico. Em 2011, o Nintendo 3DS recebeu “The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D”, produzido com participação da Grezzo.
Aquela versão refez modelos e texturas, adaptou os menus para a tela sensível ao toque, acrescentou recursos giroscópicos e melhorou determinados aspectos de interface, mas manteve a estrutura e a jogabilidade muito próximas do Nintendo 64.
Shigeru Miyamoto explicou na época que uma das motivações era permitir que uma nova geração conhecesse Ocarina of Time e, ao mesmo tempo, mostrar Hyrule com uma sensação de profundidade que o 3D estereoscópico do portátil permitia.

Quem preferir conhecer Ocarina of Time próximo da forma original ainda tem outra opção. A edição de Nintendo 64 faz parte do catálogo de clássicos disponibilizado pelo Nintendo Switch Online + Pacote adicional.
Isso cria uma situação incomum no Switch 2, o jogador poderá acessar tanto uma versão preservada do clássico quanto a nova reconstrução. A diferença é especialmente interessante para comparar elementos como câmera, interface, modelos de personagens e desenho dos cenários.
O remake de Zelda Ocarina of Time foi desenvolvido como um título exclusivo do Nintendo Switch 2. A Nintendo confirma que não haverá versão para o primeiro Nintendo Switch na página oficial do produto. O jogo é listado como uma produção dedicada ao novo hardware.
A exclusividade explica parte do salto visual e permite que a equipe trabalhe sem a necessidade de manter compatibilidade com as limitações técnicas do console anterior. A página brasileira também lista português brasileiro entre os idiomas compatíveis, ao lado de inglês, espanhol latino-americano e francês canadense. A Nintendo, porém, não especifica nessa página se a localização em português incluirá dublagem integral.

A Nintendo Store brasileira divulgou o valor de Zelda Ocarina of Time no Switch 2: R$ 329,90.
Também deverá existir uma edição física. A divulgação internacional da Nintendo informa que uma versão em mídia física com embalagem especial de acabamento texturizado estará disponível no lançamento enquanto durarem os estoques.
Depois de revelar o projeto em junho e esconder boa parte do gameplay durante três meses, a Nintendo finalmente marcou a volta de Link a Hyrule. The Legend of Zelda: Ocarina of Time será lançado em 5 de novembro de 2026, exclusivamente para Nintendo Switch 2. A data foi anunciada durante o Direct de 40 anos da franquia.
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Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.
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