Produção da Legendary Pictures e da Capcom leva Ryu, Ken, Chun-Li, Blanka, M. Bison e outros personagens dos games para uma história ambientada em 1993
O novo filme de “Street Fighter” já está nos cinemas brasileiros. A produção da Legendary Pictures em parceria com a Capcom estreou no país em 15 de outubro e chega ao mercado internacional nesta sexta-feira, 16 de outubro. Desta vez, Andrew Koji interpreta Ryu, Noah Centineo assume Ken Masters e Callina Liang vive Chun-Li, enquanto Jason Momoa aparece como Blanka e Curtis “50 Cent” Jackson interpreta Balrog.
A adaptação se passa em 1993 e usa o World Warrior Tournament como ponto de partida para reunir os lutadores. Enquanto Ryu e Ken seguem caminhos separados, Chun-Li os procura para participar da competição. Porém, uma conspiração escondida por trás do torneio obriga os antigos companheiros a enfrentar adversários conhecidos dos jogos e conflitos ligados ao próprio passado.

A trama acompanha dois personagens que ajudaram a definir a identidade da franquia. Ryu vive dedicado ao aperfeiçoamento como lutador, enquanto Ken Masters aparece em uma fase diferente da vida. Depois, a chegada de Chun-Li coloca os dois novamente no mesmo caminho e os leva ao World Warrior Tournament.
Por trás das lutas, M. Bison participa de uma conspiração que amplia o conflito para além da competição. Assim, o torneio funciona tanto como oportunidade para apresentar vários personagens quanto como caminho para aproximar os protagonistas do principal antagonista da história. David Dastmalchian interpreta Bison nesta nova versão.
Ao mesmo tempo, a produção não tenta atualizar a história para os dias atuais. A escolha de 1993 permite recuperar elementos visuais, culturais e tecnológicos do período em que “Street Fighter II” dominava fliperamas e consoles domésticos. Por isso, figurinos, cenários e referências dos anos 1990 aparecem como parte da identidade do longa.

Entre as escolhas mais comentadas do elenco está Jason Momoa como Blanka. O ator não participa apenas diante das câmeras, já que também integra o grupo de produtores do filme. A escalação coloca um dos nomes mais conhecidos do projeto na pele do lutador brasileiro de aparência selvagem e ataques elétricos.
Já Blanka acompanha a franquia desde “Street Fighter II”, de 1991. Nos jogos, o personagem nasceu como Jimmy e sobreviveu durante anos na selva brasileira após um acidente aéreo. Com o tempo, desenvolveu um estilo de luta baseado em movimentos acrobáticos, ataques giratórios e descargas elétricas.
Momoa também divide o elenco com nomes vindos de áreas diferentes do entretenimento. Enquanto atores tradicionais ocupam parte dos papéis, a Legendary reuniu lutadores profissionais, músicos, comediantes e atletas de esportes de combate para representar personagens conhecidos da série.

Duas das principais estrelas da WWE aparecem no novo filme de “Street Fighter”. Joe Anoa’i, conhecido como Roman Reigns, interpreta Akuma, enquanto Cody Rhodes assume o papel de Guile. Dessa maneira, a produção utiliza a experiência física dos dois no wrestling profissional em personagens associados a estilos de combate bastante específicos.
Akuma representa uma das presenças mais poderosas da franquia e mantém uma ligação direta com a tradição marcial de Ryu. Já Guile é um militar norte-americano reconhecido pelos golpes Sonic Boom e Flash Kick. Nos games, sua história também se conecta à organização criminosa Shadaloo e ao antagonista M. Bison.
Por outro lado, o elenco também inclui lutadores que vêm de outras modalidades. O ex-campeão do UFC Alexander Volkanovski interpreta Joe, enquanto o lutador profissional japonês Hirooki Goto vive E. Honda. A combinação aproxima o filme do universo esportivo real ao mesmo tempo em que preserva a variedade de personagens da franquia.

A escalação também levou a música para dentro do elenco. O rapper Curtis “50 Cent” Jackson interpreta Balrog, boxeador conhecido pela força dos socos e pela ligação com M. Bison nos jogos. Já o cantor Orville Peck aparece como Vega, personagem espanhol que utiliza máscara e uma garra metálica durante os combates
Enquanto isso, Andrew Schulz assume Dan Hibiki, personagem que tradicionalmente mistura humor e artes marciais. Eric André interpreta Don Sauvage, responsável por conduzir o torneio, e o astro indiano de ação Vidyut Jammwal vive Dhalsim.
O gigante holandês Olivier Richters completa parte desse grupo como Zangief. Com isso, o filme reúne personagens que representam diferentes estilos de luta e nacionalidades, reproduzindo uma característica que ajudou “Street Fighter II” a ganhar popularidade mundial nos anos 1990.

Callina Liang assume uma das personagens mais reconhecidas dos games. Chun-Li entrou em “Street Fighter II” e se tornou uma das primeiras grandes lutadoras femininas dos jogos de luta. No novo filme, ela também desempenha papel decisivo ao reunir Ryu e Ken para o torneio.
Para interpretar a personagem, Liang passou por preparação diária envolvendo taekwondo, muay thai e wushu. O treinamento também priorizou força nas pernas, já que os chutes rápidos fazem parte do estilo de combate de Chun-Li desde suas primeiras aparições nos videogames.
Ao mesmo tempo, a produção procurou aproximar fisicamente vários atores de seus equivalentes digitais. Essa estratégia aparece nos figurinos, penteados, movimentos e golpes especiais mostrados nos materiais de divulgação.

Kitao Sakurai dirige a adaptação e também participa do roteiro ao lado de T.J. Fixman, a partir de uma história desenvolvida por Dalan Musson e Gary Dauberman. A própria divulgação oficial destaca que o longa leva Hadoukens, chutes giratórios e outros movimentos conhecidos dos games para as batalhas.
Por isso, o filme não esconde os elementos fantásticos da série. Ryu e Ken utilizam técnicas que envolvem energia, enquanto outros combatentes mantêm poderes e características que dificilmente caberiam em uma abordagem realista das artes marciais.
Essa escolha diferencia a produção de adaptações que tentam transformar personagens de videogame em figuras mais próximas do mundo real. Já “Street Fighter” abraça cores fortes, golpes especiais e exageros visuais associados diretamente aos jogos.

A Legendary iniciou a nova fase cinematográfica da franquia em 2023, quando anunciou uma parceria com a Capcom para desenvolver produções live-action baseadas em “Street Fighter”. As duas empresas também financiam conjuntamente o longa, enquanto a Paramount Pictures assumiu a distribuição.
Inicialmente, os irmãos Danny e Michael Philippou entraram no projeto como possíveis diretores. Porém, a produção mudou de comando durante o desenvolvimento e colocou Kitao Sakurai na direção. Depois, as filmagens começaram em 2025.
Já em setembro daquele ano, Paramount e Legendary fecharam um acordo de distribuição global por três anos. “Street Fighter” se tornou justamente o primeiro lançamento previsto dentro dessa nova parceria, com exceção da distribuição na China, que permanece sob responsabilidade da Legendary East.

A participação da Capcom não ocorre apenas como licenciadora dos personagens. A empresa divide o financiamento com a Legendary e trata o longa como parte de uma estratégia para levar suas franquias a públicos que não necessariamente acompanham os videogames.
Nesse período, a série também atravessa uma fase de expansão nos jogos. Até março de 2026, “Street Fighter” havia ultrapassado 59 milhões de unidades vendidas ao longo de toda a franquia. Já “Street Fighter 6”, lançado em 2023, superou 7 milhões de cópias em junho deste ano.
Ao mesmo tempo, a marca mantém presença forte nos esportes eletrônicos. O torneio de “Street Fighter 6” realizado durante a EVO Japan 2026 reuniu 7.168 competidores e recebeu reconhecimento do Guinness como o maior torneio de um único jogo de luta.
O novo longa também chega carregando o histórico de adaptações anteriores. Em 1994, Jean-Claude Van Damme interpretou Guile em “Street Fighter – A Última Batalha”, enquanto Raul Julia viveu M. Bison e Kylie Minogue apareceu como Cammy.
Embora a crítica tenha recebido o filme de forma negativa na época, a produção ganhou status cult entre parte dos fãs ao longo das décadas. No Rotten Tomatoes, o longa de 1994 mantém 20% de aprovação entre os críticos.
Depois, em 2009, “Street Fighter: A Lenda de Chun-Li” colocou Kristin Kreuk como protagonista. A adaptação tentou construir uma história separada em torno da lutadora, mas recebeu apenas 3% de aprovação crítica no mesmo agregador.
A nova produção também estreou dividindo a crítica especializada. Entre os pontos positivos citados nas primeiras avaliações aparecem o respeito ao visual dos personagens, as referências aos videogames, determinadas sequências de luta e a disposição do filme para assumir um tom exagerado.
No entanto, parte das análises critica o número elevado de personagens, o desenvolvimento da história e mudanças constantes de tom entre ação e comédia. Na véspera da estreia internacional, o Rotten Tomatoes registrava 46% de aprovação entre as críticas contabilizadas naquele momento, índice que pode mudar conforme novas avaliações entram no sistema.
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Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.
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