Produção acompanha escritor que perde documentos, patrimônio e até a própria identidade para um impostor capaz de reproduzir sua aparência
A Netflix lançou na última sexta-feira (28) “O Rato”, dorama sul-coreano protagonizado por Ryu Jun-yeol, de “Responde 1988”, que acompanha um escritor recluso diante do desaparecimento gradual de tudo o que comprova sua identidade. Ao descobrir que outra pessoa está usando seus dados e reproduzindo sua aparência, Moon-jae inicia uma investigação para entender como o impostor conseguiu tomar seu lugar.
Com 10 episódios, o thriller combina investigação, tecnologia e paranoia para desenvolver uma história sobre perda de identidade. A produção adapta o webtoon “Field Mouse”, de Ludvico, e também incorpora elementos de uma antiga lenda do folclore coreano sobre um rato capaz de assumir a forma de uma pessoa.
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Moon-jae construiu uma rotina marcada pelo isolamento. Autor de romances de mistério publicados sob pseudônimo, ele evita o convívio social e preserva ao máximo sua privacidade. A situação começa a mudar quando pequenas inconsistências aparecem em seu cotidiano. Documentos deixam de ser reconhecidos e informações bancárias já não correspondem aos registros que ele conhecia.
As falhas levam Moon-jae a perceber que alguém pode estar se passando por ele. O problema ganha outra dimensão quando descobre que o impostor não está apenas utilizando seus dados pessoais para movimentar seu patrimônio, mas também consegue reproduzir sua aparência.
Ao tentar recuperar a própria vida, o escritor enfrenta uma dificuldade central: provar que ele é realmente Moon-jae.
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As escolhas feitas pelo escritor antes do roubo de identidade aumentam sua vulnerabilidade. Preocupado com a própria privacidade, Moon-jae colocou imóveis, contas e outros bens no nome de um amigo de infância, um contador em quem depositava total confiança.
A estratégia funcionou durante anos, enquanto ele mantinha uma vida distante da exposição pública. Depois que sua identidade é tomada, porém, a falta de registros diretamente associados ao escritor dificulta sua tentativa de demonstrar quem realmente é.
Moon-jae passa, então, a ser tratado como desconhecido em ambientes nos quais deveria ser reconhecido. A investigação sobre a fraude também coloca em evidência a dependência de sistemas tecnológicos usados para validar a identidade de uma pessoa.
A investigação coloca Moon-jae no caminho de No-ja, um agiota que também procura o responsável pelo golpe. O falso Moon-jae deixou uma dívida milionária com ele, fazendo com que os dois personagens tenham interesse em localizar o impostor.
Enquanto o escritor tenta recuperar sua identidade, seus bens e sua vida, No-ja procura o homem que lhe deve dinheiro. Os dois passam a seguir as pistas deixadas pelo criminoso. Paralelamente, um detetive tenta reconstruir os acontecimentos e determinar quem está falando a verdade.
A busca pelo impostor passa, dessa forma, por diferentes perspectivas e interesses, enquanto os personagens enfrentam dúvidas sobre em quem podem confiar.
Além do webtoon “Field Mouse”, de Ludvico, “O Rato” utiliza como referência uma antiga lenda coreana sobre transformação. Na narrativa popular, um rato consegue assumir a aparência de uma pessoa depois de comer aparas de suas unhas. O dorama transporta a ideia para um ambiente contemporâneo, relacionando a troca de identidade ao uso de tecnologia.
Dados pessoais, informações biométricas e recursos digitais ocupam na trama uma função semelhante à exercida pelas aparas de unha na lenda tradicional. O motivo das aparas também aparece visualmente na produção, inclusive na sequência de abertura, que aborda acontecimentos ligados aos pais de Moon-jae.
Recursos utilizados diariamente para autenticação assumem um papel central no suspense. Reconhecimento facial, impressão digital, contas digitais e dados pessoais deixam de funcionar apenas como formas de confirmar a identidade e passam a fazer parte do conflito vivido pelo protagonista.
A trama não se limita à descoberta de quem roubou as informações de Moon-jae. O escritor também precisa compreender como o impostor conseguiu criar uma identidade convincente a ponto de levar pessoas e sistemas a reconhecê-lo como o verdadeiro Moon-jae.
Até ações rotineiras, como desbloquear um celular por biometria ou acessar uma conta bancária, passam a representar obstáculos quando os sistemas deixam de reconhecer o protagonista. O conflito coloca no centro da narrativa a perda do controle sobre informações digitais utilizadas justamente para comprovar quem uma pessoa é.
Com seus 10 episódios, “O Rato” desenvolve paralelamente a busca de Moon-jae por respostas e a investigação sobre os acontecimentos relacionados ao roubo de sua identidade.
A produção se aproxima de thrillers sul-coreanos que trabalham percepção, memória e identidade, elementos também presentes em “Forgotten” e “Oldboy”, além de produções recentes de suspense e ação como “Bloodhounds” e “Sweet Home”.
Em “O Rato”, porém, a ameaça enfrentada pelo protagonista está diretamente ligada aos mecanismos usados no cotidiano para comprovar uma identidade. O conflito surge quando documentos, dados e sistemas passam a reconhecer outra pessoa como Moon-jae, deixando o verdadeiro escritor sem meios claros para demonstrar quem é.
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Jornalista especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação. Editora e administradora do portal Gazeta Culturismo
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