Pesquisa aponta que 71,4% das brasileiras já viajaram sozinhas algumas vezes ou fazem isso com frequência, enquanto segurança segue decisiva na escolha do destino
A viagem solo feminina faz parte da rotina de uma parcela expressiva das brasileiras e tem provocado mudanças na forma como mulheres escolhem destinos, hospedagens, transportes e experiências pelo país. Dados da pesquisa “Mulheres que Viajam Sozinhas”, realizada em 2025 pelo Ministério do Turismo em parceria com a UNESCO, indicam que 40% das participantes já viajaram desacompanhadas algumas vezes e 31,4% fazem isso com frequência, principalmente por lazer, independência e autoconhecimento.
O levantamento também evidencia um ponto central para esse público: a segurança durante a viagem. Seis em cada dez entrevistadas afirmaram já ter desistido de uma viagem por medo da violência, enquanto 60,6% disseram ter passado por alguma situação que gerou sensação de insegurança ao viajar sem companhia.
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O lazer aparece como principal motivo para viajar sozinha, citado por 72,6% das entrevistadas. Independência e liberdade vêm na sequência, com 65,1%, enquanto 41,4% apontam o autoconhecimento como uma das razões para pegar a estrada sem companhia.
As viagens profissionais representam 37,6% das respostas. Outros 34,7% disseram viajar sozinhas para visitar familiares e amigos.
As escolhas durante os passeios também ajudam a traçar o perfil desse público. Atividades culturais são preferência de 68,3% das participantes, seguidas pelo ecoturismo, com 64,2%, e pelas experiências gastronômicas, mencionadas por 30,1%.
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As mulheres que viajam sozinhas circulam por todas as regiões brasileiras, embora os percentuais variem de forma significativa. O Sudeste aparece com 72,9%, seguido pelo Nordeste, com 66,3%.
O Sul registra 50,3%, enquanto Centro-Oeste e Norte aparecem com 37,3% e 29,5%, respectivamente.
Entre as participantes, a maior parcela está na faixa dos 35 aos 44 anos, que representa 34,6% do total. A maioria, 67,7%, não tem filhos.
A maternidade, porém, também faz parte da realidade das viajantes solo. Entre as participantes com filhos, 17,7% têm um filho, 13,1% têm dois, 3,9% têm três e 1% são mães de mais de três filhos.
O crescimento das viagens individuais convive com preocupações relacionadas à violência, aos furtos e às fraudes contra turistas. Além das situações de risco físico, problemas envolvendo documentos, celulares e cartões podem comprometer o deslocamento e a permanência no destino.
Para Vittória Gabriela, fundadora da Dona Meu Destino, plataforma que reúne quase um milhão de seguidores nas redes sociais e compartilha informações e experiências voltadas a mulheres que dirigem e viajam, a preparação é parte importante desse processo.
“Existe uma ideia de que viajar sozinha exige coragem, quando, na prática, exige preparação”, diz Vittória Gabriela, fundadora da Dona Meu Destino.
Segundo ela, as dúvidas recebidas na comunidade frequentemente estão relacionadas à capacidade das mulheres de administrar situações inesperadas durante o percurso, e não apenas à definição do roteiro.
“Percebemos que a mulher não procura apenas um roteiro de viagem, mas a confiança necessária para viajar sozinha. Por isso, investimos fortemente em orientação e planejamento. Informação qualificada sobre o destino, organização da viagem e preparação reduzem incertezas, minimizam a exposição a imprevistos e dão à viajante mais autonomia e segurança.”, afirma Vittória Gabriela, fundadora da Dona Meu Destino.
Entre as mulheres que decidem viajar de carro, ela relata dúvidas de motoristas que nunca trocaram um pneu, não percorreram distâncias superiores a 100 quilômetros dirigindo ou estavam acostumadas a depender de outra pessoa para pegar a estrada.
“Nosso trabalho é mostrar que a autonomia se constrói aos poucos e que nenhuma mulher precisa enfrentar esse processo sozinha.”, afirma Vittória.
O avanço da viagem solo feminina também apresenta novas demandas para empresas e destinos turísticos. Na avaliação de Vittória, soluções padronizadas nem sempre atendem às necessidades de quem viaja desacompanhada.
“Quando uma mulher decide viajar sozinha, ela muda a própria história. Quando milhões fazem o mesmo, elas transformam o turismo e influenciam a economia. Por isso, cada vez mais, o setor também precisa responder a esse comportamento, já que elas procuram destinos onde se sintam acolhidas e seguras, hospedagens preparadas e serviços que compreendam esse perfil de viajante. É um movimento que acaba influenciando todo o mercado”, afirma Vittória Gabriela, fundadora da Dona Meu Destino.
Entre as demandas identificadas pela pesquisa estão hospedagens com protocolos claros de segurança, transporte considerado confiável, presença de mulheres em funções de atendimento, como recepcionistas, guias e motoristas, além de informações acessíveis sobre trajetos seguros e redes de apoio.
Entre as orientações apresentadas para quem pretende fazer uma viagem sozinha estão a pesquisa prévia de hospedagens, restaurantes e outros estabelecimentos e a contratação de empresas cadastradas no Cadastur.
Também são indicados cuidados com a exposição nas redes sociais. Evitar publicar a localização em tempo real, compartilhar o roteiro com pessoas de confiança e ficar atenta a golpes e furtos, especialmente em áreas turísticas, estão entre as medidas recomendadas.
A orientação inclui dar preferência a lugares bem iluminados, observar o ambiente antes de entrar em bares e restaurantes, não aceitar bebidas oferecidas por desconhecidos e manter documentos e objetos pessoais por perto.
Vittória relata que mulheres que inicialmente procuram informações para realizar a primeira viagem sem companhia acabam, posteriormente, compartilhando as próprias experiências com outras viajantes.
“O mais interessante é que muitas mulheres chegam à comunidade dizendo que sonham em fazer uma viagem solo e, alguns meses depois, voltam compartilhando fotos da estrada, indicando destinos e incentivando outras mulheres a viver essa experiência. Esse efeito de rede é um dos resultados mais bonitos que acompanhamos. Quando uma mulher percebe que outra conseguiu, ela entende que também é capaz”, conclui Vittória Gabriela, fundadora da Dona Meu Destino.
Para quem pretende viajar sozinha de carro, Vittória recomenda uma checagem básica do veículo antes da partida. A lista inclui calibragem e condições dos pneus e do estepe, além dos níveis de óleo do motor, líquido de arrefecimento, fluido de freio e água do limpador de para-brisa.
Faróis, lanternas e setas também devem ser testados. Documentação do veículo, CNH e seguro precisam estar em dia e acessíveis durante o percurso.
O planejamento deve considerar postos de combustível, pontos seguros para paradas e locais de apoio. A motorista também deve manter o celular carregado, ter um carregador veicular e levar itens básicos de emergência, como lanterna, triângulo, macaco e chave de roda em condições de uso.
A recomendação é não iniciar a viagem ao perceber ruídos, vibrações ou alterações no comportamento do veículo. Em caso de dúvida, a orientação é realizar uma revisão antes de sair. Em percursos longos ou com poucos postos disponíveis, o abastecimento deve ocorrer antes de o tanque chegar à reserva.
O roteiro e os principais horários previstos para paradas e chegada também devem ser compartilhados com uma pessoa de confiança.
“Conhecer o básico sobre o próprio carro não significa ser mecânica. Significa saber identificar quando algo está fora do normal e evitar que um pequeno problema se transforme em um grande contratempo na estrada. Quanto mais preparada a motorista estiver, mais tranquila será a viagem”, orienta Vittória Gabriela, fundadora da Dona Meu Destino.
Antes de pegar a estrada, a orientação é salvar números que podem ser necessários em situações de emergência. A Polícia Militar atende pelo 190, o SAMU pelo 192 e o Corpo de Bombeiros pelo 193.
A Central de Atendimento à Mulher pode ser acionada pelo 180, enquanto o Disque Direitos Humanos atende pelo número 100.
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