Paraúna revela cachoeiras, serras e formações rochosas em Goiás; veja inventário turístico

Levantamento reúne atrativos naturais, hospedagem, gastronomia, eventos e serviços e identifica gargalos de infraestrutura no município goiano

Inventário turístico de Paraúna mapeia atrações e aponta desafios para ampliar visitação

O Inventário da Oferta Turística de Paraúna, elaborado em 2025 com participação do Observatório do Turismo do Estado de Goiás, Goiás Turismo e Prefeitura de Paraúna, traçou um panorama dos atrativos, serviços, infraestrutura e manifestações culturais disponíveis no município goiano. O levantamento busca subsidiar o planejamento turístico local e mostra que a cidade reúne formações geológicas, cachoeiras, festas tradicionais, gastronomia e empreendimentos ligados ao setor, mas ainda enfrenta limitações de acesso e sinalização em áreas visitadas.

Com 10.749 habitantes na estimativa de 2024, segundo os dados do IBGE, Paraúna tem território de aproximadamente 3,8 mil km² e baixa densidade populacional. O município integra a Região Turística Agroecológica e aparece no inventário como município com oferta turística complementar, classificação utilizada na política federal de regionalização do turismo.

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Parque Estadual de Paraúna protege área estratégica do Cerrado

Parque Estadual de Paraúna
Parque Estadual de Paraúna (Foto: divulgação)

A dimensão ambiental ocupa parte relevante do levantamento. Paraúna está inserida no Cerrado e apresenta paisagens formadas por campos, cerrado, matas e matas de galeria. O Inventário da Oferta Turística também relaciona a geodiversidade à formação de cachoeiras, serras, cavernas e paredões que sustentam parte da atividade turística.

Dados oficiais do Governo de Goiás mostram que o Parque Estadual de Paraúna foi instituído pelo Decreto Estadual nº 5.568, de 18 de março de 2002. A unidade de conservação foi criada para proteger as serras das Galés e da Portaria e seu conjunto geológico.

A área protegida exige que a exploração turística seja conciliada com conservação ambiental, especialmente diante da presença de trilhas, cachoeiras, formações geológicas e ambientes sensíveis do Cerrado.

Turismo em Paraúna tem geologia como um dos principais atrativos

Turismo em Paraúna - Serra das Galés
Turismo em Paraúna – Serra das Galés (Foto: Prefeitura de Paraúna)

Boa parte da identidade turística de Paraúna está associada às formações rochosas que cercam o município. Entre os pontos destacados pelo inventário estão a Serra das Galés, a Serra da Portaria, a Pedra do Cálice, a Ponte de Pedra e a chamada Muralha de Pedra ou Muralha de Ferro.

O Parque Estadual de Paraúna foi criado em 2002 e protege as serras das Galés e da Portaria. De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás, a unidade possui 4.208 hectares. Segundo o governo estadual, as formações geológicas da área remontam a cerca de 290 milhões de anos.

A proteção ambiental vai além dos limites do parque. A Área de Proteção Ambiental da Serra das Galés e da Portaria possui aproximadamente 30 mil hectares e tem entre seus objetivos proteger remanescentes do Cerrado, o conjunto paisagístico e nascentes e corpos d’água da região.

Na Serra das Galés, a visita às formações rochosas envolve uma trilha de aproximadamente 1,5 quilômetro, classificada pelo inventário como de dificuldade leve. É nessa paisagem que aparecem formações conhecidas como Pedra da Tartaruga, Lorde Francês, Três Magos, Pedra da Índia e Pedra do Cálice, um dos símbolos visuais mais conhecidos de Paraúna.

A Pedra do Cálice fica a cerca de 27 quilômetros do centro da cidade. Parte do percurso é feita por estrada de terra e o trecho final exige caminhada de aproximadamente um quilômetro em meio à vegetação nativa.

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Serra da Portaria exige caminhada e amplia perfil de turismo de aventura

Serra da Portaria - Paraúna
Serra da Portaria, em Paraúna (Foto: Goiás Turismo)

A Serra da Portaria aparece no inventário como outro ponto de interesse para contemplação e atividades de aventura. Situada a aproximadamente 38 quilômetros da área urbana, a formação possui paredões que chegam a cerca de 120 metros de altura em determinados trechos.

O acesso ao alto da serra exige preparo. O documento estima aproximadamente quatro horas de caminhada, em trilha considerada de dificuldade média.

As formações naturais também estão ligadas a histórias transmitidas entre moradores e pesquisadores locais. O Inventário da Oferta Turística de Paraúna registra narrativas sobre supostos portais, inscrições nas pedras e fenômenos associados às serras. Essas histórias são apresentadas como parte do imaginário e do patrimônio cultural local, e não como ocorrências comprovadas cientificamente.

Ponte de Pedra reúne caverna, mirante e atividades de aventura

Ponte de Pedra (Foto: Prefeitura e Paraúna)
Ponte de Pedra (Foto: Prefeitura e Paraúna)

Outro conjunto natural catalogado é o da Ponte de Pedra. Na Ponte de Pedra I, o inventário registra águas calmas, uma pequena trilha de acesso e um mirante nas proximidades. O local também é procurado para práticas como rapel e canoagem.

Já a Ponte de Pedra II, localizada na divisa de Paraúna com Rio Verde, apresenta uma formação natural esculpida pela ação da água. Sob a ponte existe uma gruta com estalactites e estalagmites e aproximadamente 20 metros de altura, segundo o levantamento. Nesse ponto, a correnteza e a turbidez tornam a água inadequada para banho. A área possui espaços para camping e prática de rapel, além de escada e corrimão para acesso à parte interna da formação.

Cachoeiras ampliam opções de ecoturismo em Paraúna

Cachoeira do Cervo
Cachoeira do Cervo (Foto: divulgação)

O Inventário da Oferta Turística de Paraúna também detalha cachoeiras localizadas a dezenas de quilômetros da área urbana, o que evidencia tanto a diversidade natural quanto os desafios logísticos para a atividade turística.

A Cachoeira do Cervo fica a aproximadamente 60 quilômetros da cidade, em uma região acessada majoritariamente por estradas de terra e com trechos arenosos. O levantamento recomenda veículos mais altos para o percurso. A entrada é controlada e paga, e o local possui estruturas de apoio instaladas pelo responsável pela propriedade.

A Cachoeira do Desengano, a cerca de 44 quilômetros de Paraúna, possui queda de aproximadamente 12 metros, poços para banho e área utilizada para camping. O inventário registra a existência de escada e corrimão em pontos de acesso.

Já a Cachoeira do Sonho está aproximadamente 52 quilômetros distante da cidade. É recomendado o uso de veículo com tração 4×4 em razão dos trechos arenosos do caminho e registra a presença de sinalização, ponte, corrimão e lixeiras no local.

Cadastur registra 14 prestadores ligados ao turismo no município

Hotel em Paraúna, Goiás

A estrutura formal disponível para receber visitantes identifica 14 registros no Cadastur vinculados ao município. Desse total, quatro meios de hospedagem, quatro restaurantes, cafeterias, bares e similares, dois guias de turismo, três prestadores especializados em segmentos turísticos e uma agência de turismo.

O Cadastur é o sistema federal de cadastro de pessoas físicas e jurídicas que atuam no setor. Dependendo da atividade, o registro é obrigatório conforme a legislação turística brasileira e funciona como instrumento de formalização e acompanhamento dos prestadores.

Entre os meios de hospedagem catalogados pelo inventário está o Bruno’s Hotel, com 48 unidades habitacionais e 67 leitos, incluindo uma unidade adaptada para pessoa com deficiência.

Calendário turístico reúne festas religiosas, agropecuária e eventos populares

A oferta turística de Paraúna não se limita aos recursos naturais. O levantamento do Observatório do Turismo do Estado de Goiás reúne um calendário de eventos distribuído ao longo do ano, com manifestações religiosas, culturais, rurais e de entretenimento.

O calendário apresentado no documento inclui a Festa em Louvor a São Sebastião, em janeiro; o Arraiá Bota-Fumaça, em maio; a Expo Paraúna, em junho; a Festa em Louvor a Nossa Senhora da Guia, em agosto; a Festa da Uva, em setembro; e a Festa Motocross, em novembro.

A programação evidencia a relação do turismo local com a religiosidade e as tradições rurais. A culinária também integra esse patrimônio. O inventário menciona preparações associadas à cozinha goiana, como arroz com pequi, frango com guariroba, empadão goiano e feijão tropeiro.

Turismo em Paraúna ainda enfrenta desafios de acesso e sinalização

Apesar da variedade de atrativos catalogados, o próprio inventário do Observatório do Turismo de Goiás identifica obstáculos para o crescimento da visitação. Entre os principais estão a infraestrutura turística insuficiente, a necessidade de melhoria da sinalização e as condições de acesso a determinados pontos naturais.

O documento observa que alguns percursos exigem veículos específicos e que essas dificuldades podem limitar a chegada de visitantes. A avaliação aponta a necessidade de investimentos capazes de melhorar o acesso sem comprometer a conservação dos recursos naturais e culturais.

O diagnóstico ganha relevância porque a categorização adotada pelo Ministério do Turismo divide os integrantes do Mapa do Turismo Brasileiro em três grupos: município turístico, município com oferta turística complementar e município de apoio ao turismo. A classificação serve de instrumento para orientar políticas públicas e analisar o papel de cada município no desenvolvimento turístico regional.

No caso de Paraúna, o inventário de 2025 cria uma base organizada sobre atrativos naturais, patrimônio cultural, hospedagem, alimentação, eventos e serviços turísticos, permitindo identificar não apenas o que pode atrair visitantes, mas também os pontos de infraestrutura que ainda condicionam a expansão da atividade.


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Autor: João Pedro Oliveira

Apreciador de boas histórias, filmes e games. Repórter no portal Gazeta Culturismo.

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