Novos diálogos e mudanças narrativas abrem espaço para esclarecer a origem das três linhas temporais da franquia
O remake de Zelda: Ocarina of Time para Nintendo Switch 2 pode abrir espaço para esclarecer uma das questões mais antigas da cronologia de The Legend of Zelda. Previsto para 5 de novembro de 2026, o jogo terá diálogos ampliados e outras mudanças em relação ao clássico de Nintendo 64, recursos que podem ser usados para detalhar acontecimentos ligados à divisão da história da série em três linhas temporais.
Lançado originalmente como uma história situada antes de vários dos primeiros capítulos da franquia, Ocarina of Time acabou se tornando uma peça central da cronologia estabelecida posteriormente pela Nintendo. É a partir de seus acontecimentos que a história de Hyrule passa a seguir três caminhos diferentes, incluindo uma realidade baseada na derrota do Herói do Tempo que levanta dúvidas sobre como essa ramificação teria surgido.
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Antes de Ocarina of Time, os jogos lançados da série podiam ser organizados em uma sequência relativamente direta, ainda que não tivessem chegado ao mercado em ordem cronológica.
O primeiro The Legend of Zelda apresentava poucos detalhes sobre a história do universo. The Adventure of Link ampliou esse contexto, enquanto A Link to the Past levou a narrativa para acontecimentos anteriores. Depois, Link’s Awakening foi posicionado entre A Link to the Past e os dois primeiros títulos.
A situação ganhou uma nova dimensão com Ocarina of Time. O jogo de Nintendo 64 apresentou a origem de Ganondorf como grande antagonista e colocou Link no centro de uma história marcada por viagens no tempo.
No fim da aventura, a princesa Zelda envia o Herói do Tempo de volta à própria infância. Link criança pode então alertar a Zelda daquele período sobre os planos de Ganondorf, alterando o futuro que havia vivenciado.
Jogos posteriores, porém, apresentaram acontecimentos difíceis de acomodar em uma única sequência. Twilight Princess e The Wind Waker, por exemplo, mostram destinos bastante diferentes para Hyrule e Ganondorf.
A solução apresentada pela cronologia oficial foi transformar Ocarina of Time no ponto de origem de três ramificações.
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Duas das linhas temporais estão diretamente relacionadas ao desfecho apresentado no jogo. Uma delas acompanha o mundo deixado para trás pelo Link adulto depois que Zelda o envia ao passado. Outra segue a realidade da infância do herói, na qual ele retorna com conhecimento sobre os planos de Ganondorf e muda o curso dos acontecimentos.
A terceira segue um caminho diferente: nela, o Herói do Tempo é derrotado. É justamente essa ramificação que gera um dos principais questionamentos sobre a cronologia. A derrota de Link durante Ocarina of Time não é apresentada dentro da aventura como um desfecho alternativo da narrativa. Quando o personagem morre durante a partida, o resultado é simplesmente um game over.
Isso cria outra pergunta. Se a morte de Link fosse suficiente para produzir uma realidade alternativa, outros jogos da franquia também poderiam teoricamente originar novas linhas temporais sempre que seus respectivos heróis fossem derrotados.
A cronologia apresentada para The Legend of Zelda, porém, não funciona dessa maneira.
Uma possível interpretação muda o ponto de partida do problema: em vez de considerar que a derrota do Herói do Tempo criou uma terceira realidade, essa poderia ter sido a linha temporal original.
Nesse cenário, os primeiros acontecimentos de Ocarina of Time ocorreriam de maneira semelhante ao jogo conhecido. Link conseguiria as três pedras espirituais dos Kokiri, Goron e Zora, receberia a Ocarina do Tempo de Zelda e chegaria ao Templo do Tempo.
Ao retirar a Master Sword de seu pedestal, o jovem herói abriria involuntariamente o caminho necessário para Ganondorf alcançar a Triforce do Poder. A diferença estaria no que aconteceria em seguida.
Nessa versão dos acontecimentos, Link ainda seria uma criança quando precisasse enfrentar a ameaça. Mesmo com a ajuda do sábio Rauru, ele não teria condições de derrotar Ganondorf e acabaria morto. Sem o Herói do Tempo para detê-lo, o vilão poderia assumir o controle.
A história seguiria então pela chamada linha da derrota até chegar aos acontecimentos de A Link to the Past.
Em A Link to the Past, outro Link consegue derrotar Ganon e reunir a Triforce. Ao final da aventura, o herói utiliza seu poder para desfazer o mal provocado pelo vilão. As cenas finais dão peso especial a esse desejo. Personagens que haviam morrido aparecem novamente vivos, incluindo o rei de Hyrule e o tio de Link.
A teoria parte desse acontecimento para explicar o destino do Herói do Tempo. O desejo feito à Triforce poderia ter produzido efeitos que alcançariam o passado e modificariam acontecimentos anteriores.
Rauru passaria, dessa maneira, a ter conhecimento de que o Link criança não estaria preparado para derrotar Ganondorf.
A solução seria impedir que o herói enfrentasse imediatamente o vilão. Quando Link retirasse a Master Sword, ele permaneceria protegido durante o período necessário para amadurecer e adquirir condições de cumprir sua missão.
É justamente o que acontece na versão conhecida de Ocarina of Time: Link desperta sete anos depois, já adulto, antes de iniciar sua jornada para enfrentar Ganondorf.
Sob essa interpretação, a linha da derrota não seria criada pela morte de Link durante uma partida. Ela seria a primeira versão dos acontecimentos, posteriormente modificada pelo poder da Triforce.
A alteração produziria a história mostrada em Ocarina of Time, cujo final permitiria o surgimento das outras duas ramificações temporais.

O remake de Zelda: Ocarina of Time para Nintendo Switch 2 oferece novas possibilidades para abordar esse ponto da história porque mantém a estrutura do clássico enquanto amplia elementos da apresentação e da narrativa.
Entre as alterações exibidas estão diálogos expandidos para os personagens. As cinemáticas também contarão com atuação de voz completa, enquanto habitantes de Hyrule poderão apresentar pequenas conversas durante a exploração.
Esses recursos criam espaço para acrescentar contexto a personagens diretamente envolvidos nos acontecimentos de Ocarina of Time, incluindo Zelda, Ganondorf e Rauru, sem necessariamente modificar a estrutura central da aventura.
O remake de Zelda: Ocarina of Time também apresenta uma mecânica chamada Threads of Time, ou “Linhas do Tempo”. Apesar do nome, o recurso mostrado tem outra função: orientar jogadores que não sabem qual é o próximo passo da missão principal.
A nova versão de Zelda: Ocarina of Time também modifica diferentes aspectos da experiência original. Entre as alterações observadas estão câmera com movimentação livre, botão dedicado ao salto, atalhos para equipamentos e um inventário rápido semelhante aos sistemas usados em Breath of the Wild e Tears of the Kingdom.
O mundo também recebeu mudanças visuais e estruturais. A Floresta Kokiri apresenta cenários com novos detalhes, enquanto áreas como Castle Town foram reformuladas para funcionar com a câmera posicionada atrás de Link.
O tempo agora pode avançar dentro das cidades, permitindo acompanhar mudanças entre dia e noite. Algumas construções podem ser acessadas sem telas de carregamento.
As masmorras permanecem próximas dos layouts conhecidos, mas determinados elementos foram redesenhados. Na Grande Árvore Deku, por exemplo, uma antiga plataforma flutuante foi substituída por uma ponte de madeira, enquanto uma escada passou a utilizar um mecanismo de pedra.
O Templo da Água mantém melhorias introduzidas anteriormente na versão de Nintendo 3DS, incluindo elementos visuais que ajudam a localizar os pontos usados para modificar o nível da água. Link também poderá retirar as Botas de Ferro sem precisar interromper constantemente a partida para acessar o menu.
A trilha sonora de Zelda: Ocarina of Time foi reimaginada com instrumentação orquestral, e as músicas da ocarina utilizam os botões do Switch 2. O jogo também poderá reconhecer músicas cantaroladas ou executadas em um instrumento por meio do microfone do console.
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