Longa baseado em fatos reais utiliza gravações originais para retratar a morte da menina palestina durante uma operação militar em Gaza
A chegada do filme “A Voz de Hind Rajab” ao catálogo da Netflix colocou novamente em evidência um dos episódios mais marcantes da guerra em Gaza. Inspirado em acontecimentos reais, o longa tunisiano reconstrói os últimos momentos da menina palestina Hind Rajab, que morreu após ficar presa dentro de um carro atacado durante uma tentativa de fuga da região. A produção utiliza áudios autênticos das ligações feitas pela criança enquanto aguardava socorro, tornando a narrativa ainda mais impactante.
O filme acompanha a trajetória da família durante a tentativa de deixar a cidade após ordens de evacuação emitidas pelas forças israelenses. Hind viajava ao lado dos tios e de quatro primos quando o veículo foi atingido por disparos. A dramatização reúne documentos, registros telefônicos e imagens reais para apresentar um caso que ganhou repercussão internacional e segue sem responsabilização criminal pelos assassinatos.
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Segundo uma investigação da organização Forensic Architecture, um tanque israelense efetuou 335 disparos contra o Kia preto onde estavam os familiares. Os sete ocupantes acabaram mortos. A organização analisou imagens, áudios e outros elementos para reconstruir os acontecimentos. O episódio passou a simbolizar uma das histórias mais conhecidas envolvendo vítimas civis durante o conflito na região.
No filme “A Voz de Hind Rajab”, os registros das ligações telefônicas reproduzem exatamente os áudios gravados no dia do ataque. Após os primeiros disparos, os tios de Hind e três primos morreram. Apenas a menina e sua prima Layan Hamadeh, de 15 anos, permaneceram vivas por alguns instantes. As duas conseguiram telefonar para um tio que vive na Alemanha, responsável por acionar o Crescente Vermelho Palestino em busca de ajuda.
Os voluntários da organização humanitária iniciam uma corrida contra o tempo para localizar o automóvel. Enquanto aguardavam o resgate, novas rajadas de tiros atingiram o veículo. Layan também morreu durante o ataque. Hind permaneceu sozinha ao telefone por mais de três horas, pedindo que os socorristas chegassem até ela antes que fosse tarde.
A narrativa do filme “A Voz de Hind Rajab” também mostra as dificuldades enfrentadas pelas equipes médicas para acessar áreas sob controle militar em Gaza. O longa retrata barreiras impostas às operações de resgate e apresenta situações em que ambulâncias e profissionais humanitários passam a atuar sob risco constante. Esses obstáculos fazem parte da reconstrução dos acontecimentos registrada pela produção.
Além da dramatização, o longa intercala imagens reais do episódio com cenas encenadas. Especialistas independentes indicados pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em julho de 2024, afirmaram que a morte da criança pode ser enquadrada como crime de guerra.
Mesmo após a ampla repercussão internacional, nenhuma pessoa havia sido oficialmente responsabilizada criminalmente pelo caso até o momento retratado pelo filme. A produção recupera documentos, gravações e registros visuais para reconstruir cada etapa da tragédia, aproximando o público dos acontecimentos vividos pela família de Hind Rajab.
O filme “A Voz de Hind Rajab” (The Voice of Hind Rajab, 2025) tem direção e roteiro assinados pela cineasta tunisiana Kaouther Ben Hania. O elenco principal é formado por Saja Kilani, que interpreta Rana Hassan Faqih, Motaz Malhees, no papel de Omar A. Alqam, Amer Hlehel, como Mahdi M. Aljamal, Clara Khoury, que interpreta Nisreen Jeries Qawas, e Nesbat Serhan, no papel de Leila.
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Apreciador de boas histórias, filmes e games. Repórter no portal Gazeta Culturismo.
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