Destino no Cerrado oferece ecoturismo, piscinas naturais, camping e um patrimônio arqueológico que atrai visitantes e pesquisadores
Quem procura um destino para se conectar com natureza e história encontra no Bisnau Ecoturismo Rural, em Formosa (GO), uma das experiências mais completas do Centro-Oeste. Criado em 2015, o atrativo combina cachoeiras, cavernas, grutas, trilhas, mirantes e um sítio arqueológico com inscrições rupestres de milhares de anos. Além das paisagens preservadas do Cerrado, o espaço incentiva o turismo sustentável e a valorização do patrimônio histórico e ambiental da região.
Localizado na zona rural de Formosa, o complexo fica a aproximadamente 45 quilômetros do centro da cidade, 125 quilômetros de Brasília e 325 quilômetros de Goiânia. O acesso principal ocorre pela BR-020 e, nos quilômetros finais, o visitante percorre um pequeno trecho de estrada de terra até chegar à propriedade.
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O principal cartão-postal do complexo é a Cachoeira do Bisnau, cercada por mata preservada e piscinas naturais de águas transparentes. O local atrai visitantes durante todo o ano, principalmente aqueles que buscam tranquilidade em meio ao Cerrado.
Além da cachoeira, o roteiro inclui atrações como os Poços Verdes, a Caverna do Bisnau, a Gruta Formosa, o Mirante da Muralha, o Mirante da Rampa de Voo, a Trilha da Onça e o Sítio Arqueológico do Bisnau. O percurso pode ser adaptado conforme o tempo disponível e o preparo físico do visitante.
As trilhas apresentam diferentes níveis de dificuldade. Algumas são curtas e acessíveis para famílias, enquanto outras exigem mais preparo, com travessias de rios, trechos de pedras e subidas. Em compensação, o caminho revela paisagens preservadas, formações rochosas e pontos de observação do Vale do Paranã.

Um dos maiores diferenciais do Bisnau Ecoturismo Rural é o conjunto arqueológico localizado na propriedade. O sítio reúne inscrições rupestres gravadas em rochas sedimentares e desperta o interesse de pesquisadores e visitantes há décadas.
Os petróglifos possuem idade estimada entre 4,5 mil e 11 mil anos, conforme diferentes estudos. Algumas teorias sugerem que os desenhos possam representar mapas astronômicos, enquanto outras defendem que as inscrições faziam parte da comunicação dos antigos povos que viveram na região. O local é reconhecido como um dos principais sítios arqueológicos de Goiás e já recebeu destaque em produções internacionais, como National Geographic e History Channel
Além do patrimônio arqueológico, a fazenda preserva antigas estruturas históricas, como um extenso muro de pedras construído durante o período colonial e vestígios da antiga rota conhecida como Picada do Sal, utilizada por viajantes e tropeiros.

Quem pretende aproveitar as trilhas e os banhos de cachoeira encontra as melhores condições entre maio e setembro, período de estiagem no Cerrado. Nessa época, o solo fica menos escorregadio e as caminhadas se tornam mais seguras.
Já durante a estação chuvosa, entre outubro e março, a vegetação ganha ainda mais vida e o volume das cachoeiras aumenta. Por outro lado, algumas trilhas podem apresentar maior dificuldade por causa da lama e do risco de trombas d’água. Por isso, é importante acompanhar a previsão do tempo antes da viagem.
Independentemente da época, vale usar calçados apropriados para trilha, levar água, protetor solar, repelente e roupas leves. Quem pretende explorar cavernas também deve utilizar lanterna e, em alguns roteiros, contratar um guia credenciado.
O Bisnau Ecoturismo Rural também oferece opções para quem deseja prolongar a experiência. Os visitantes podem se hospedar em uma casa rural ou utilizar a área de camping, que conta com banheiros, cozinha de apoio e uma vista privilegiada para a paisagem da região.
A fazenda não possui restaurante próprio. No entanto, há opções de alimentação nas proximidades, incluindo a tradicional Pamonharia Bisnau, localizada a cerca de 1,7 quilômetro da entrada da propriedade.
O atrativo funciona diariamente, geralmente entre 8h e 17h30, mas a administração recomenda realizar agendamento antecipado para garantir a visita e confirmar informações sobre ingressos, hospedagem e atividades disponíveis.

Ao portal Gazeta Culturismo, Roberto Pires Tomé, proprietário do Bisnau Ecoturismo Rural, afirmou que a preservação ambiental sempre foi uma das principais prioridades da família.
Segundo ele, a propriedade está sob os cuidados da família desde 1942 e mantém cerca de 60% de sua área com vegetação nativa, o que favorece a conservação da fauna e da flora do Cerrado.
“Nasci em Formosa, em 1955, e meu pai teve uma participação muito importante no município, inclusive na realização da primeira exposição de gado Nelore. Acredito que não exista uma propriedade rural mais conservada do que o Bisnau”, lembra o empresário.
Tomé acredita no alto potencial e na riqueza histórica do local: “Temos um patrimônio histórico da humanidade e a expectativa é que isso atraia cada vez mais visitantes, porque este lugar é muito bonito.”
A origem de Formosa remonta ao século XVIII, quando a Coroa Portuguesa buscava reforçar o controle sobre as rotas que ligavam a Bahia ao interior de Goiás durante o ciclo do ouro. Em 1736, por determinação do rei de Portugal, foi instalada a Estação Fiscal de Registro da Lagoa Feia, no ponto conhecido como Couros, onde se encontravam as picadas da Bahia e de São Francisco.
O local servia para fiscalizar a circulação de pessoas, mercadorias e a cobrança de tributos. Em 1744, o padre Antônio Mendes Santiago chegou à região e, cinco anos depois, obteve autorização para oficializar o Arraial de Couros. Nas proximidades, também surgiu, em 1753, o Arraial Santo Antônio do Itiquira, fundado por negros que haviam fugido das fazendas da região. Após uma epidemia de febre amarela e malária, o povoado foi abandonado, e parte de seus moradores se estabeleceu na então Rua dos Crioulos, atual Rua Alves de Castro, área que integra o núcleo histórico da cidade.
O crescimento do povoado levou à reorganização administrativa da região ao longo do século XIX. Em 1º de agosto de 1843, Couros recebeu o nome de Vila Formosa da Imperatriz, em homenagem à imperatriz Teresa Cristina de Bourbon, esposa de Dom Pedro II. A vila foi oficialmente instalada em fevereiro de 1844, desmembrada do município de Santa Luzia, atual Luziânia.
Décadas depois, em 1877, foi elevada à categoria de cidade com o nome de Formosa da Imperatriz. Com o passar dos anos, a denominação foi simplificada para Formosa pelo uso cotidiano da população. Desde então, o município passou por sucessivas mudanças territoriais, com a criação e emancipação de distritos como Cabeceiras, São João d’Aliança e Vila Boa, consolidando-se como um dos municípios históricos mais antigos do Leste Goiano e uma referência regional antes mesmo da construção de Brasília.
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Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.
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