Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 movimentará turismo com R$ 8,8 bi na economia brasileira

Estudo da FGV Projetos aponta geração de empregos, aumento do PIB e expansão do turismo durante a realização do torneio no Brasil

Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 pode movimentar R$ 8,8 bi no turismo e na economia brasileira

A Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 deverá gerar um impacto de R$ 8,8 bilhões na economia brasileira durante as fases de preparação e realização do torneio. A estimativa foi apresentada pela FGV Projetos, em estudo encomendado pela Embratur, e divulgada nesta quinta-feira (16), durante o Confut, evento internacional voltado aos negócios e à inovação no esporte, realizado em Nova York. O levantamento também projeta crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), criação de empregos e aumento da arrecadação tributária.

Segundo o estudo, o megaevento poderá acrescentar R$ 3,8 bilhões ao PIB brasileiro, o equivalente a 0,03% da economia nacional, considerando a base de 2025. A projeção inclui ainda a geração de 73,7 mil empregos diretos e indiretos, distribuição de R$ 4,5 bilhões em rendimentos, entre salários e lucros, além de uma arrecadação estimada em R$ 928 milhões em tributos federais, estaduais e municipais.

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Como a Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 deve impactar a economia?

A análise divide os efeitos econômicos em dois grandes eixos. O primeiro considera os gastos dos visitantes durante o período da competição. A estimativa é de que cerca de 2 milhões de pessoas, entre turistas e residentes, circulem pelas cidades-sede ao longo do torneio.

Esse fluxo deverá movimentar aproximadamente R$ 4,7 bilhões, sustentando 45,7 mil postos de trabalho, gerando R$ 2,4 bilhões em renda e recolhendo cerca de R$ 516 milhões em impostos.

O segundo eixo está relacionado aos investimentos necessários para organizar a competição. A projeção indica um impacto adicional de R$ 4,1 bilhões na economia brasileira.

De acordo com a pesquisa, o orçamento global previsto pela FIFA é de US$ 800 milhões. Desse total, 43%, o equivalente a US$ 344 milhões, será destinado ao pagamento de premiações internacionais e, por isso, não integra a movimentação econômica nacional. O restante corresponde a aproximadamente R$ 2,3 bilhões, direcionados para áreas como logística, transmissão, segurança, saúde e operação do evento, mantendo cerca de 28 mil empregos.

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O que explica a projeção de crescimento?

Os cálculos foram elaborados com base na metodologia da Matriz de Insumo-Produto (MIP), utilizada internacionalmente para medir impactos econômicos diretos, indiretos e induzidos provocados por grandes investimentos e eventos.

Esse modelo permite avaliar não apenas os recursos aplicados diretamente na competição, mas também os efeitos gerados em diferentes cadeias produtivas, incluindo comércio, hotelaria, alimentação, transporte, serviços e turismo.

O que dizem Embratur e FGV sobre o potencial da Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 ?

Durante a apresentação dos dados, o diretor de Gestão e Inovação da Embratur, Roberto Gevaerd, comparou o impacto previsto da competição com o calendário esportivo nacional.

“Em 2025, o conjunto dos dez maiores eventos esportivos recorrentes do país movimentou, somado, R$ 4,56 bilhões. Quando olhamos para a Copa do Mundo Feminina FIFA 2027, entendemos a verdadeira magnitude desse megaevento. Sozinhos, os impactos chegam a R$ 8,8 bilhões. Estamos falando de um único torneio que vai movimentar praticamente o dobro do valor gerado por todo o calendário de elite recorrente nacional.”

Já o professor da FGV e coordenador do estudo, Luiz Gustavo Barbosa, destacou os efeitos da competição para a imagem internacional do Brasil.

“Em menos de 15 anos, o Brasil se tornará um dos raríssimos países a ter sediado a tríade dos maiores eventos do planeta (Copa 2014, Olimpíadas 2016 e Copa Feminina 2027), carimbando um selo de excelência definitiva na captação de turismo internacional.”

Qual é o perfil dos turistas esperado para o evento?

Dados da pesquisa VISA-Embratur 2025, utilizados na projeção econômica, mostram que 48,61% dos turistas internacionais que visitam o Brasil são mulheres.

Segundo o levantamento, esse público permanece, em média, 11 dias no país e registra um gasto médio de US$ 1.317 por viagem.

As principais categorias de consumo incluem:

  • Sol e praia: 67,70%;
  • Compras pessoais: 52,10%;
  • Gastronomia: 35,60%;
  • Atividades culturais: 34,90%.

O estudo aponta que esse perfil tende a distribuir os gastos por diferentes segmentos da economia, beneficiando especialmente micro, pequenas e médias empresas ligadas ao turismo e aos serviços.

Como o futebol feminino pode ampliar o consumo esportivo?

Outro levantamento utilizado na pesquisa, realizado pela Nexus em parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em 2024, indica que 72% das pessoas que nunca frequentaram estádios de futebol no Brasil são mulheres.

Além disso, 73% da população avalia positivamente a Seleção Brasileira Feminina. Segundo a análise apresentada pela FGV Projetos, esses indicadores sugerem potencial para ampliar o público consumidor de eventos esportivos, favorecendo a circulação de torcedores em diferentes regiões do país e estimulando atividades ligadas ao turismo, hospedagem, alimentação e comércio.

A realização da Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 também amplia a agenda internacional de grandes competições sediadas pelo Brasil, que recebeu a Copa do Mundo FIFA 2014 e os Jogos Olímpicos Rio 2016. Além do impacto esportivo, eventos desse porte costumam mobilizar investimentos em infraestrutura, serviços, mobilidade urbana e promoção turística, aspectos frequentemente avaliados por organismos públicos e entidades do setor.


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Autor: João Pedro Oliveira

Apreciador de boas histórias, filmes e games. Repórter no portal Gazeta Culturismo.

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