Evento acontece no sábado (7), na Praça Estado da Palestina, com dança, henna e oficinas; organizadora explica como a iniciativa nasceu para acolher migrantes e refugiados
O Festival Intercultural em Goiânia acontece neste sábado, 7 de novembro, a partir das 16h, na Praça Estado da Palestina, abaixo da Praça Tamandaré, no Setor Oeste. A programação reúne culinária, dança, música, henna e oficinas, com referências culturais de países como Palestina, Líbano, Afeganistão, Argentina, Iraque, Grécia e Itália. Assim, o público poderá conhecer diferentes tradições em um espaço de convivência na capital goiana.
Organizado pelo Coletivo Intercultural, o encontro busca ampliar a participação de comunidades migrantes, refugiadas e apátridas na vida cultural da cidade. Ao mesmo tempo, a proposta contempla manifestações afro-brasileiras e de povos originários. Em entrevista à Gazeta Culturismo, a organizadora-geral Keliana Neves explicou como surgiu o projeto e destacou a importância do trabalho voluntário para a realização das atividades.
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A programação do Festival Intercultural reúne atividades gastronômicas e artísticas que apresentam referências de diferentes regiões do mundo. Entre as atrações anunciadas estão apresentações de dança, música, oficinas e aplicação de henna. Além disso, a culinária oferece ao público uma oportunidade de conhecer sabores associados a outras tradições culturais.
A criação do Festival Intercultural em Goiânia está relacionada às dificuldades enfrentadas por pessoas que deixam seus países e precisam reconstruir suas vidas em outro lugar. Entre os obstáculos estão diferenças de idioma, costumes e acesso a oportunidades de trabalho. Nesse cenário, a economia criativa surgiu como uma alternativa para estimular a participação dessas comunidades.
“O Festival Intercultural nasceu de uma necessidade de amparar uma parcela da comunidade de refugiados, migrantes, como existe muitas barreiras sociais de integração, surgiu a ideia de incluí-los através da cultura e da economia criativa”, explicou Keliana Neves.
A partir dessa proposta, o coletivo passou a reunir pessoas que desenvolvem atividades ligadas à gastronomia, ao artesanato e às manifestações artísticas. Assim, os participantes encontram oportunidades para apresentar seus conhecimentos e estabelecer contato com novos públicos.
Ao mesmo tempo, o festival permite que tradições familiares e experiências pessoais sejam compartilhadas com moradores de Goiânia. Dessa maneira, o encontro cria possibilidades de convivência entre pessoas com diferentes trajetórias.
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Com o desenvolvimento do projeto, o Festival Intercultural ampliou sua proposta para incluir outras expressões culturais presentes no Brasil. A mudança permitiu incorporar tradições que fazem parte da formação histórica e social do país.
“A proposta é promover o encontro entre diferentes culturas, valorizando a diversidade cultural, os saberes, a gastronomia, a arte e as histórias dos povos que vivem em Goiânia, incluindo comunidades migrantes, refugiadas, apátridas, e com os dias entendemos que podemos incluir a cultura afro-brasileira e a cultura dos povos originários”, destacou Keliana.
Nesse contexto, a presença de diferentes manifestações artísticas permite ampliar o contato do público com conhecimentos transmitidos entre gerações. A culinária, por exemplo, apresenta receitas e técnicas que carregam referências culturais de diferentes comunidades.
“Um dos nossos maiores orgulhos é construir um espaço em que essas pessoas possam apresentar suas culturas, compartilhar suas histórias e se reconhecer como parte da cidade, fortalecendo o respeito à diversidade e o diálogo entre os povos.”

A realização do Festival Intercultural de Goiânia envolve pessoas que atuam em diferentes etapas da produção. A organização-geral conta com Keliana Neves, Ranulfo Ferreira e Badia Elkad. Já as atividades culturais, artísticas e logísticas ficam sob responsabilidade de outros integrantes do coletivo.
Ao explicar o funcionamento da equipe, Keliana destacou o caráter social do trabalho desenvolvido.
“Eu sou uma das organizadoras gerais do evento, e temos mais 2 pessoas que fazem parte da organização geral, Ranulfo Ferreira e Badia Elkad — porém somos um coletivo — Coletivo Intercultural somos internacionalistas ativistas dos direitos humanos, aí temos os coordenadores de cultura do evento, os responsáveis pela parte artística, de logística e por aí vai, e todos são pessoas voluntárias, nosso trabalho é um trabalho social feito por muitas mãos.”
A divisão das responsabilidades permite que os colaboradores participem de diferentes atividades, desde o contato com as comunidades até a preparação dos espaços. Além disso, o formato coletivo reúne pessoas com experiências profissionais e culturais distintas.
Por isso, a realização do evento depende da colaboração entre integrantes que compartilham tarefas e conhecimentos. Esse modelo também permite organizar atividades relacionadas às necessidades de cada edição.
Antes do encontro de novembro, o Coletivo Intercultural em Goiânia participou de uma programação na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), nos dias 1º e 2 de setembro de 2026. Na ocasião, o evento reuniu exposições de artesanato, roupas, acessórios, gastronomia e outras produções culturais no Palácio Maguito Vilela.
A edição teve como tema “Culturas que atravessam fronteiras, histórias que constroem Goiás”. Além das exposições, mulheres imigrantes compartilharam relatos sobre suas experiências de chegada e adaptação ao Brasil.
Entre os participantes divulgados pela Assembleia estavam Farkhunda Rafay, Marie Lovely, Hadeel Zuhair e Rita Rossana. Dessa forma, o encontro abriu espaço para a apresentação de produtos e experiências de pessoas com diferentes trajetórias.
>> SE LIGA
Festival Intercultural em Goiânia
Data: sábado, 7 de novembro de 2026
Horário: a partir das 16h
Local: Praça Estado da Palestina, abaixo da Praça Tamandaré, região da Avenida República do Líbano, Setor Oeste, Goiânia (GO)
Entrada: gratuita
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Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.
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