Parceria entre Prefeitura e Equatorial Goiás já reorganizou mais de 5 mil postes e retirou 205 toneladas de cabos sem uso; população pode denunciar fios soltos
As ações de fiscalização de fios irregulares em Goiânia identificaram mais de 125 mil irregularidades em cabos de telecomunicações instalados nos postes da capital. O levantamento da Equatorial Goiás integra uma atuação conjunta com a Prefeitura, que também realiza a retirada de materiais abandonados por meio da Operação Cidade Segura. Desde outubro de 2025, os mutirões municipais reorganizaram 5.016 postes, percorreram 134 quilômetros de vias urbanas e recolheram 205 toneladas de cabos e estruturas sem utilização, conforme o balanço divulgado pelos responsáveis.
A iniciativa reúne órgãos municipais, a distribuidora de energia, empresas de telecomunicações e o Ministério Público de Goiás (MPGO). Enquanto a Prefeitura coordena frentes de retirada de fios, a Equatorial fiscaliza a ocupação dos postes e notifica as prestadoras responsáveis pelas instalações inadequadas. O trabalho busca reduzir riscos para pedestres, motociclistas e motoristas, além de organizar a infraestrutura compartilhada por serviços de internet, telefonia e televisão.

A Operação Cidade Segura mobilizou 38 empresas de telecomunicações desde outubro de 2025, segundo os dados divulgados pela Prefeitura. As equipes atuaram em diferentes regiões da capital e encaminharam os materiais retirados à Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra), responsável pela destinação ambientalmente adequada dos resíduos.
O presidente da Agência de Regulação de Goiânia, Hudson Novais, destacou a presença das equipes em avenidas com grande circulação de pessoas e veículos.
“A iniciativa já percorreu diferentes regiões da capital, com atuação em corredores importantes, como as avenidas T-63, Mangalô, 24 de Outubro e 85, além das avenidas Bernardo Sayão, Marechal Rondon e Senador Jaime, dentre outros locais da capital”, afirmou.
A ação envolve a identificação de fios sem utilização, a reorganização de instalações e a participação das prestadoras que utilizam os postes. Assim, o trabalho depende da atuação conjunta das empresas responsáveis pelos cabos e dos órgãos encarregados da fiscalização.
“A operação foi estruturada para reunir os responsáveis pela ocupação da rede aérea em uma mesma frente de trabalho, permitindo ampliar o alcance das ações e avançar nessa organização”, destacou Novais.
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Paralelamente à retirada dos fios irregulares em Goiânia, a Equatorial Goiás realiza fiscalizações na infraestrutura compartilhada. Segundo a distribuidora, a companhia contabilizou aproximadamente 39 mil inspeções em postes, identificou 125 mil irregularidades e notificou 529 empresas de telecomunicações ao longo de mais de três anos de concessão na capital.
O superintendente da Equatorial Goiás em Goiânia, Fellipe Thalhofer, explicou como a atuação entre as instituições busca ampliar o alcance das medidas de regularização.
“A parceria com a Prefeitura de Goiânia fortalece um trabalho que tem impacto direto na segurança e na organização da cidade. A Equatorial fiscaliza os postes, identifica irregularidades e notifica as empresas responsáveis para que façam as adequações necessárias. A integração entre as instituições contribui para que essas ações avancem em benefício da população”, destacou.
As irregularidades podem envolver o posicionamento inadequado de cabos, o descumprimento das distâncias mínimas de segurança e problemas relacionados à identificação ou à ocupação dos pontos de fixação.

A instalação de cabos de internet, telefonia e outros serviços nos postes de energia segue regras de compartilhamento estabelecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A Resolução Conjunta nº 4/2014 determina condições técnicas para a ocupação desses espaços, incluindo distâncias mínimas de segurança e identificação dos pontos de fixação.
Pela norma, a distribuidora de energia deve fiscalizar a ocupação e notificar as prestadoras quando encontrar problemas. Já as empresas de telecomunicações precisam executar as adequações necessárias e assumir os custos correspondentes. Além disso, situações emergenciais ou que envolvam risco de acidente devem receber prioridade na regularização.
A responsabilidade pela fiação também foi objeto de investigação na Câmara Municipal de Goiânia. Em 30 de setembro de 2026, a Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Fios Soltos aprovou seu relatório final, após dez meses de trabalho. O documento apontou falhas na fiscalização e recomendou medidas para ampliar o acompanhamento da infraestrutura aérea.
Entre as recomendações está a criação de uma força-tarefa permanente para identificar instalações inadequadas e cobrar providências das empresas. A investigação também levantou questionamentos sobre a comprovação das correções após as notificações. Segundo dados analisados pela comissão, a Equatorial informou ter emitido 43.789 notificações desde 2024, mas não demonstrou quantas situações haviam sido efetivamente regularizadas.

O trabalho de identificação de fios irregulares em Goiânia faz parte de uma atuação mais ampla da Equatorial Goiás. Conforme o balanço fornecido pela distribuidora, a empresa realizou aproximadamente 426 mil fiscalizações em postes de sua área de concessão desde o início das operações no estado.
Nesse período, a companhia afirma ter identificado mais de dois milhões de irregularidades e notificado formalmente 692 empresas de telecomunicações. Os números incluem diferentes municípios goianos e, portanto, não representam apenas ocorrências na capital.
A necessidade de organizar o compartilhamento dos postes também mobiliza as agências reguladoras nacionais. Em dezembro de 2025, a Aneel aprovou uma proposta de atualização das regras e encaminhou o texto à Anatel.
Moradores que identificarem fios soltos ou caídos em Goiânia podem solicitar uma vistoria à Agência de Regulação do Município. O atendimento recebe informações sobre cabos baixos, abandonados ou que representem risco à circulação de pessoas e veículos.
Para registrar a ocorrência, o cidadão deve enviar o endereço completo e, quando possível, fotografias ou vídeos do local. Entretanto, as imagens precisam ser feitas a uma distância segura, sem tocar ou tentar movimentar os cabos.
A solicitação ajuda os órgãos responsáveis a localizar os pontos que necessitam de atendimento e a organizar novas frentes de trabalho. Em situações de risco imediato, como fios caídos sobre vias ou próximos à rede elétrica, a orientação é manter distância, impedir a aproximação de outras pessoas quando isso puder ser feito com segurança e acionar o serviço de emergência competente.
>> SE LIGA
Canal para solicitar vistoria
WhatsApp da Ouvidoria: (62) 3416-2653
Informações necessárias: endereço completo, descrição da ocorrência, fotos ou vídeos feitos a distância segura.
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Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.
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