Brasil registrou cerca de 18,5 mil mortes pela doença em 2025, aumento de 20% em dez anos; diagnóstico precoce pode elevar as chances de cura para 90%
O câncer de próstata provocou cerca de 18,5 mil mortes no Brasil em 2025, o equivalente a 50 óbitos por dia. Os números, divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com base em informações do Ministério da Saúde, representam um crescimento de 20% na mortalidade pela doença em uma década. Em 2015, haviam sido registradas aproximadamente 15,4 mil mortes.
O cenário também chama a atenção pelo número de novos diagnósticos. Para 2026, a previsão é de que o país registre mais de 77 mil novos casos de câncer de próstata, considerado o tipo de tumor mais frequente entre os homens brasileiros. Entre 2017 e setembro de 2026, a doença foi responsável por mais de 160 mil mortes no território nacional.
Embora seja frequentemente associado ao envelhecimento, o câncer de próstata também tem apresentado crescimento entre homens jovens em outros países. Na Inglaterra, dados do World Cancer Research Fund (WCRF) revelam que os diagnósticos em homens com menos de 50 anos passaram de 158, em 2001, para 640, em 2023. O aumento amplia as discussões sobre a identificação precoce da doença e os fatores que podem contribuir para seu desenvolvimento.
Um dos principais desafios no enfrentamento do câncer de próstata é identificar a doença antes que ela provoque manifestações perceptíveis. Segundo a SBU, quando o tumor é diagnosticado em estágio inicial, as chances de cura chegam a 90%. O problema é que, nessa fase, o paciente geralmente não apresenta sintomas, o que pode atrasar a procura por atendimento médico.
O presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, Roni Carvalho Fernandes, alerta que esperar pelo aparecimento de alterações urinárias ou dores pode comprometer as possibilidades de tratamento.
“Uma doença silenciosa em suas fases iniciais, como é o câncer de próstata, que oferece nessa fase inicial 90% de chance de cura, ela precisa ser procurada e rastreada, pois esperar que os sintomas apareçam pode levar a uma perda da chance de cura. Esperar sentir dor ou ter dificuldade para urinar significa muitas vezes chegar tarde demais ao diagnóstico”, alerta o presidente da SBU, Roni Carvalho Fernandes.
O câncer de próstata pode se desenvolver sem provocar sinais nas fases iniciais. As manifestações costumam aparecer quando o tumor já está em estágios avançados. Entre os sintomas que podem surgir estão:
A ausência desses sinais não significa, necessariamente, que a próstata esteja saudável. Por isso, a Sociedade Brasileira de Urologia destaca a importância da avaliação médica individualizada, especialmente para homens que apresentam fatores de risco.
A recomendação da Sociedade Brasileira de Urologia é que homens a partir dos 50 anos procurem um urologista para avaliar individualmente a necessidade de rastreamento do câncer de próstata. Para aqueles que apresentam maior risco de desenvolver a doença, a orientação é antecipar essa avaliação para os 45 anos.
Nesse grupo estão homens com histórico familiar de câncer de próstata, homens negros e pessoas com obesidade. A investigação pode envolver dois exames:
Quando há suspeita de tumor, o diagnóstico é confirmado por meio de biópsia.
Durante novembro, a Sociedade Brasileira de Urologia promove a campanha Novembro Azul, dedicada à conscientização sobre o câncer de próstata e à importância da identificação precoce da doença. A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino responsável pela produção de parte do líquido seminal, que ajuda a nutrir e proteger os espermatozoides.
Além de divulgar informações sobre o câncer, a campanha busca incentivar os homens a adotarem uma postura mais ativa em relação à própria saúde.
“O homem brasileiro, historicamente, se cuida menos do que a mulher. E essa campanha é uma chance para que este homem assuma o protagonismo da sua própria saúde e passe a entender que prevenção e diagnóstico precoce também é uma atitude de homem”, explica Roni Carvalho Fernandes.
Segundo o presidente da SBU, a procura por atendimento urológico tem passado por mudanças nas últimas duas décadas. Os homens demonstram maior interesse por informações relacionadas à saúde do aparelho urinário e reprodutor.
“É uma mudança cultural importante. O homem, que antes nem queria ouvir falar de ir ao urologista, agora busca informações e agenda suas consultas com mais naturalidade. No entanto, o desafio continua gigante”, destaca.
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O crescimento dos diagnósticos de câncer de próstata em homens jovens também desperta discussões sobre possíveis fatores associados ao desenvolvimento da doença. Na Inglaterra, uma análise de dados do NHS England identificou aumento de aproximadamente um para 3,6 casos por 100 mil homens com menos de 50 anos entre 2001 e 2023. O crescimento no número total de diagnósticos chegou a 360% no período.
De acordo com informações publicadas pelo jornal britânico Daily Mail, parte dessa elevação pode estar relacionada à maior conscientização sobre a doença e ao aumento da realização de exames.
Entretanto, o professor Roger Kirby, cirurgião de próstata aposentado e cofundador da organização Prostate Cancer UK, considera que o crescimento da obesidade e o consumo frequente de carnes processadas também podem contribuir para esse cenário.
“Acreditamos que a carne processada é um fator importante”, diz Kirby ao Daily Mail. “Não apenas em relação ao câncer de intestino, mas também ao câncer de próstata. Isso inclui bacon, salsichas, hambúrgueres — todo esse tipo de comida de fast-food.”
O levantamento do WCRF também identificou aumento de outros tipos de câncer em pessoas com menos de 50 anos na Inglaterra. Os diagnósticos de câncer de intestino passaram de 1.289 para 2.989 entre 2001 e 2023. No mesmo período, os casos de câncer de rim aumentaram de 510 para 1.065, enquanto os de útero passaram de 335 para 698.
Também houve crescimento nos registros de câncer de fígado, de 160 para 278, e de pâncreas, de 255 para 346. O câncer de mama permaneceu como o mais diagnosticado entre os tipos analisados, passando de 6.886 para 8.507 casos, uma elevação de aproximadamente 24%.
O tratamento do câncer de próstata no Brasil recebeu novas possibilidades em 2026. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, a cirurgia de próstata assistida por robô foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A técnica permite realizar procedimentos cirúrgicos com auxílio de equipamentos robóticos, ampliando as alternativas disponíveis para o tratamento da doença. Outra mudança ocorreu com a aprovação, pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), de dois métodos: o ultrassom focado de alta intensidade (HIFU) e a crioablação.
O HIFU é um procedimento pouco invasivo que utiliza ondas de ultrassom direcionadas à região do tumor. A concentração de energia no tecido afetado provoca a destruição das células cancerosas. Já a crioablação utiliza agulhas finas introduzidas no local do tumor para aplicar um gás congelante. A redução intensa da temperatura provoca a morte das células tumorais.
As técnicas ampliam as possibilidades terapêuticas disponíveis para determinados casos de câncer de próstata, considerando as características da doença e a avaliação médica.
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