Câncer de intestino pode avançar sem sintomas; Goiânia deve registrar 530 novos casos

Doença está entre os tipos de câncer mais frequentes no Brasil; novo exame do SUS começará a ser distribuído em novembro para identificar alterações antes dos primeiros sinais

câncer de intestino

O câncer de intestino pode se desenvolver sem provocar sintomas evidentes nas fases iniciais, dificultando a identificação da doença antes de seu avanço. Em Goiânia, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 530 novos casos em 2026, sendo 260 em homens e 270 em mulheres. No Brasil, a projeção chega a 53,8 mil diagnósticos anuais até 2028. Embora seja um dos tumores mais frequentes no país, parte dos casos pode ser evitada com a identificação e a retirada de lesões precursoras, conhecidas como pólipos.

A ausência de sinais aparentes torna o diagnóstico do câncer de intestino especialmente importante. Por isso, o Ministério da Saúde anunciou uma nova estratégia de rastreamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), direcionada a pessoas entre 50 e 75 anos que não apresentam sintomas. A implementação começará gradualmente em novembro, com a distribuição inicial de 400 mil testes capazes de detectar pequenas quantidades de sangue nas fezes, mesmo quando invisíveis a olho nu.

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Câncer de intestino pode evoluir silenciosamente

Também conhecido como câncer colorretal, o câncer de intestino atinge principalmente o cólon e o reto, regiões que integram o intestino grosso. A doença frequentemente se desenvolve a partir de pólipos, pequenas formações que podem permanecer benignas por anos. Entretanto, algumas dessas lesões apresentam potencial de transformação maligna, especialmente quando não são identificadas e tratadas.

Por outro lado, nem todos os pólipos evoluem para câncer, e nem todos os tumores seguem exatamente o mesmo processo de desenvolvimento. Dessa forma, a avaliação médica e os exames adequados ajudam a identificar alterações que necessitam de acompanhamento ou tratamento, mesmo quando a pessoa não percebe qualquer mudança no funcionamento intestinal.

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Quais são os sintomas do câncer?

câncer de intestino

Embora o câncer colorretal possa ser silencioso, determinados sinais exigem investigação médica. O INCA aponta que alterações persistentes nas evacuações, sangramentos e perda de peso sem explicação estão entre as manifestações associadas à doença. Entretanto, esses sintomas também podem ocorrer em condições benignas, como hemorroidas e doenças inflamatórias intestinais.

Os principais sinais de alerta são:

  • Presença de sangue nas fezes;
  • Diarreia ou prisão de ventre persistentes;
  • Dor, cólicas ou desconforto abdominal;
  • Sensação de que o intestino não esvaziou completamente;
  • Fezes persistentemente mais finas ou achatadas;
  • Fraqueza e anemia sem causa esclarecida;
  • Perda de peso sem motivo aparente;
  • Aumento do volume abdominal ou presença de massa palpável.

A presença desses sintomas não significa necessariamente que a pessoa tenha câncer. Ainda assim, o INCA orienta procurar atendimento médico, principalmente quando as alterações persistem ou se repetem. Além disso, sangramentos intestinais não devem ser automaticamente atribuídos às hemorroidas sem uma avaliação apropriada.

Novo exame do SUS poderá detectar câncer sem sintomas

Uma das principais mudanças anunciadas em 2026 é a adoção do teste imunoquímico fecal, conhecido pela sigla FIT, como exame de referência para o rastreamento do câncer de intestino no SUS. A estratégia será voltada a homens e mulheres de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas, permitindo identificar possíveis alterações antes do aparecimento de manifestações clínicas.

Diferentemente dos métodos tradicionais de pesquisa de sangue oculto, o FIT utiliza anticorpos específicos para detectar sangue humano nas fezes. O paciente recebe um kit para coletar uma amostra em casa, sem necessidade de preparo intestinal ou restrições alimentares. Depois, o material segue para análise laboratorial, e um resultado positivo indica a necessidade de investigação complementar.

Nesse caso, a colonoscopia poderá identificar a origem do sangramento e permitir a retirada de determinados pólipos durante o próprio exame. Entretanto, o teste FIT não confirma sozinho um diagnóstico de câncer, assim como um resultado negativo não descarta todas as doenças intestinais. Pessoas com sintomas ou fatores de risco específicos precisam de avaliação individualizada, independentemente da faixa etária definida para o rastreamento populacional.

Goiânia tem previsão de 530 novos casos de câncer colorretal

As estimativas do INCA para 2026 apontam 530 novos casos de câncer de cólon e reto em Goiânia, com distribuição relativamente próxima entre homens e mulheres. Entre os homens, a previsão é de 260 diagnósticos, enquanto entre as mulheres são esperados 270. A taxa bruta estimada para a capital é de 34,45 casos por 100 mil habitantes.

Já na Região Centro-Oeste, a estimativa chega a aproximadamente 3,9 mil casos anuais. No país, a previsão de 53.810 novos registros por ano no triênio de 2026 a 2028 coloca o tumor colorretal entre os mais incidentes, desconsiderando o câncer de pele não melanoma.

Esses números representam projeções estatísticas de novos diagnósticos, e não uma contagem de pacientes já identificados. Além disso, o INCA ressalta que mudanças metodológicas entre edições de suas estimativas impedem comparações diretas que poderiam ser interpretadas incorretamente como crescimento ou redução da doença.

Alimentação e hábitos influenciam o risco de câncer de intestino

A prevenção do câncer de intestino envolve fatores relacionados à alimentação, à prática de atividades físicas e ao histórico de saúde de cada pessoa. Segundo o INCA, o consumo frequente de carnes processadas, como salsicha, presunto, bacon e linguiça, está associado a um maior risco da doença. Da mesma forma, o excesso de gordura corporal e o sedentarismo estão entre os fatores que merecem atenção.

Por outro lado, uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos e outras fontes de fibras contribui para reduzir o risco. O instituto também recomenda limitar o consumo de carne vermelha a 500 gramas de produto cozido por semana, evitar o tabagismo e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas. Entretanto, essas medidas não eliminam completamente a possibilidade de desenvolvimento do tumor.

O histórico familiar também influencia a avaliação. Pessoas com parentes próximos diagnosticados com câncer colorretal, síndromes hereditárias ou doenças inflamatórias intestinais podem necessitar de acompanhamento específico. Por isso, a indicação e o momento de realização dos exames não devem considerar apenas a idade, mas também os antecedentes individuais e familiares.

Como buscar exames para câncer de intestino pelo SUS?

Com a nova estratégia nacional, o Ministério da Saúde pretende iniciar em novembro a oferta gradual do teste FIT nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), começando por capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes. O objetivo é identificar pessoas que precisam de investigação adicional e direcionar a realização de colonoscopias conforme os resultados.

No entanto, o anúncio nacional não significa que o exame já esteja disponível em todas as unidades de Goiânia. A implantação dependerá da distribuição dos testes e da organização da rede municipal de saúde. Portanto, pessoas que se enquadram na faixa etária de rastreamento poderão consultar sua UBS sobre a implementação local e a avaliação indicada.

Já quem apresenta sangue nas fezes, anemia sem causa esclarecida, alterações persistentes do intestino ou perda de peso inexplicada deve procurar atendimento médico sem aguardar a chegada do novo programa de rastreamento. Nesses casos, a investigação é realizada conforme os sintomas e a avaliação profissional, podendo incluir exames laboratoriais, colonoscopia ou outros procedimentos.


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Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

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