Jajá completa 75 anos, relembra a boemia de Goiânia e anuncia um novo Quintal do Jajá

Em entrevista à Gazeta Culturismo, empresário conta como transformou a música ao vivo em marca de seus bares e revela planos para ampliar o espaço dedicado ao samba

Quintal do Jajá

O empresário Jair Onofre do Prado, o Jajá, completou 75 anos no dia 29 de outubro e celebrou a data com uma programação musical no Quintal do Jajá, no Centro de Goiânia. Conhecido por sua trajetória no Mercado Popular da Rua 74, ele reúne mais de cinco décadas de histórias ligadas ao comércio, à gastronomia e à música da capital. Em entrevista à Gazeta Culturismo, Jajá também anunciou a preparação de uma segunda unidade do Quintal, que pretende ampliar o espaço dedicado às apresentações de artistas goianos.

Natural de Joviânia, no interior de Goiás, Jajá chegou à capital na década de 1970 e construiu sua vida profissional na região central. Desde então, acompanhou a transformação dos antigos pontos comerciais em espaços de convivência e entretenimento. Agora, ao comemorar o aniversário, o empresário relembra a criação de seus estabelecimentos, fala sobre a importância dos músicos locais e conta por que continua investindo no Centro de Goiânia.

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Jajá celebra 75 anos com samba no Quintal

Quintal do Jajá

A comemoração dos 75 anos de Jajá começou na quinta-feira, 29 de outubro, com uma roda de samba gratuita. A celebração segue até segunda-feira, 2 de novembro, com apresentações musicais e gastronomia. A iniciativa partiu de conversas entre os responsáveis pelo estabelecimento e abriu espaço para reunir antigos frequentadores e novos clientes. Ao comentar o aniversário, Jajá destacou o desejo de receber o público e valorizar o samba de raiz.

“É uma data festiva, eles abriam as portas para os nossos clientes. O samba gratuito, de qualidade, samba raiz, roda de samba lá. Então, valorizar e dar oportunidade. Para quem não conhecia o Quintal do Jajá, quisesse dar um abraço ao Jajá, ele estava lá, de pé e à ordem, viu?”

A programação também reforça a relação entre os frequentadores e a música ao vivo, uma característica presente nos negócios do empresário há décadas. Para ele, as apresentações fazem parte de uma experiência que envolve atendimento, gastronomia e convivência.

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Quintal do Jajá nasceu de trajetória no Centro

A relação de Jair Onofre do Prado com Goiânia começou na década de 1970. Antes da criação do Quintal do Jajá, o empresário trabalhou em diferentes atividades comerciais e manteve negócios na região central. Entre os empreendimentos mencionados estão o Bar Para Todos, uma casa lotérica, um escritório e o Jajá Drinks.

Em 2018, a parceria com Ricardo Coutinho deu origem a outro projeto, instalado na Rua 15. Ao recordar a criação do estabelecimento, Jajá explicou como apresentou a proposta de abrir uma nova casa.

“Eu e o Ricardo Coutinho, como eu já era muito conhecido, ele veio me procurar aqui para comprar uma sala aqui no mercado. Eu falei: não, eu tenho um projeto de criar o Quintal do Jajá. É que nós criamos lá na Rua 15, do Centro. Eu sempre morei aqui no coração de Goiânia, no Centro. Aí é o seguinte, lá fluiu, graças a Deus. Em 2018, nós fundamos o Quintal do Jajá.”

A permanência no Centro acompanha diferentes momentos de sua vida. O empresário também constituiu família na capital e continuou trabalhando nas proximidades do Mercado da 74, mesmo com o surgimento de novos polos gastronômicos e culturais em outros bairros.

Ao comparar a cidade que conheceu na juventude com a Goiânia atual, Jajá destacou as mudanças que presenciou.

“Eu cheguei aqui muito novo, bem jovem aqui em Goiânia. Estou aqui na Rua 74, sempre aqui nesse pedaço aqui, por muitas décadas. Então, a importância do Jajá é o seguinte: ele procura sempre ter novidade, acompanhar o crescimento de Goiânia. Porque quando eu cheguei aqui, Goiânia era uma menina. Hoje ela já é da velha guarda, virou uma metrópole.”

Jajá ampliou a diversidade musical do Mercado da 74

Antes de abrir o Quintal do Jajá em Goiânia, o empresário já havia investido na programação musical do Jajá Drinks. O estabelecimento se tornou conhecido por receber apresentações ao vivo no Mercado Popular da Rua 74, espaço tradicional da boemia da capital.

A aproximação com músicos de diferentes estilos ajudou a modificar o repertório oferecido aos frequentadores. Jajá recordou especialmente a presença de Zé Piau e a introdução da música popular brasileira na programação.

“Olha, o Jajá Drinks, ele se fluiu com Zé Piau, com as músicas MPB, que, na verdade, aqui era só sertanejo. Aí nós colocamos o MPB, cada dia da semana uma cultura diferente, né? Então, com a música ao vivo, atraiu vários clientes, assim, como se diz, de todas as classes. Então, o Mercado da 74, onde funciona o Jajá Drinks por décadas, ele sempre teve a música ao vivo.”

A diversidade de ritmos permanece na agenda do estabelecimento. Durante a entrevista, o empresário descreveu como distribui os estilos musicais ao longo da semana.

“Tem gosto para todos os ritmos, né? Para quem gosta do MPB, tem o dia. Na terça-feira, nós temos aqui o forró, pé de serra, seresta. Tem dia que é o pop rock, né? E na quarta é o samba. Quinta, pop rock e rock, MPB. Na sexta, sertanejo e forró. No sábado e domingo, samba e pagode.”

A gastronomia também passou a fazer parte dessa trajetória. O Jajá Drinks participou de edições do concurso Comida di Buteco, enquanto a oferta de petiscos e refeições acompanhou a ampliação das atrações musicais.

Para o empresário, o funcionamento dos bares depende dessa combinação entre diferentes experiências.

“O Jajá Drinks também passou a participar da comida de boteco, né? Vêm novos clientes, vêm para a música e para degustar um bom petisco, uma cerveja gelada.”

Quintal do Jajá abre espaço para novos artistas goianos

Ao comentar a importância cultural dos estabelecimentos, Jajá destacou o papel dos bares na valorização dos músicos da capital. A programação do Quintal do Jajá reúne apresentações de artistas com diferentes trajetórias, incluindo profissionais experientes e aqueles que procuram oportunidades para alcançar novos públicos.

Para o empresário, a transformação de Goiânia também exige atenção às pessoas que produzem cultura na cidade.

“A vida está tão difícil. A cultura é onde a gente valoriza os nossos artistas goianos. Para quem está chegando com a música aqui no Mercado da 74, é o seguinte, é por isso que eu falo: cada dia tem um ritmo. A gente tem que valorizar, porque tem muita gente que já está lá no pódio. E ainda dá oportunidade para quem está começando, para quem está chegando, porque é tão difícil.”

A preocupação aparece também na maneira como Jajá relaciona a atividade cultural ao crescimento da capital. A diversidade musical, segundo ele, é uma das características que precisam acompanhar as mudanças da cidade.

“É a cidade da música, do samba, de todos os ritmos. Então, eu sempre procuro acompanhar, participando de comida de boteco, até em algum concurso eu sempre estou participando, para a gente ficar sempre na mídia e trazer o que é de bom para os nossos clientes e para Goiânia.”

Além das apresentações, o empresário considera a gastronomia parte importante da identidade dos estabelecimentos. A presença de pratos tradicionais e petiscos acompanha a programação e amplia as formas de encontro entre os frequentadores.

Jajá destaca trabalho e gastronomia na cultura goiana

A trajetória de Jajá no Centro de Goiânia também envolve a contratação de profissionais que atuam no atendimento, na cozinha e na realização de eventos. Durante a entrevista, ele comentou sobre pessoas que recorrem ao trabalho temporário para complementar a renda, entre elas estudantes universitários.

Segundo o empresário, a permanência dos negócios depende das oportunidades oferecidas aos trabalhadores e do cuidado com o público.

“Olha, a importância do Jajá na permanência, na cultura, então é valorizar a gastronomia, o emprego, valorizar os funcionários. E tem muita gente que vem do interior, vai trabalhar aqui de freelance, para inteirar a mesada, o pessoal está fazendo faculdade, você sabe que a faculdade hoje fica caríssima.”

Ele também destacou o ambiente de trabalho e a relação dos funcionários com a programação artística. Para Jajá, o funcionamento dos estabelecimentos deve considerar tanto as necessidades dos profissionais quanto as experiências dos frequentadores.

“Então, é o seguinte, é o tempo de dar oportunidade para eles trabalharem e completarem o salário deles, e eles vêm, trabalham e se divertem. E valorizar a nossa cultura. Não só a música. Aqui a gastronomia também é uma cultura. Então, valorizar a nossa cultura, valorizar os nossos clientes, ter um bom atendimento”, concluí Jajá.


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Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

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