Igreja mais antiga de Goiás terá restauração de R$ 2,8 milhões após quase 300 anos de história

Localizado em Buenolândia, templo de origem colonial integra o Marco Zero de Goiás e terá sua estrutura recuperada durante os preparativos para o tricentenário da cidade de Goiás

Igreja Nossa Senhora do Rosário

A Igreja Nossa Senhora do Rosário, no distrito de Buenolândia, município de Goiás, está mais próxima de passar por uma restauração completa. Considerado o primeiro templo religioso construído em território goiano, o edifício colonial terá uma intervenção estimada em R$ 2,8 milhões. A Secretaria de Estado da Cultura (Secult) publicou o edital para contratar os serviços especializados de arquitetura e engenharia. Assim, o governo inicia a seleção da empresa responsável pelos trabalhos.

A iniciativa integra os preparativos para os 300 anos da cidade de Goiás, celebrados em 2027. Além disso, pretende recuperar uma construção ligada aos primeiros núcleos de povoamento da região. Com arquitetura simples e quase três séculos de história, a igreja representa parte da memória religiosa e cultural goiana.

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Restauração da Igreja Nossa Senhora do Rosário terá investimento milionário

Igreja Nossa Senhora do Rosário

O projeto de restauração da Igreja Nossa Senhora do Rosário prevê serviços técnicos especializados para recuperar o patrimônio arquitetônico de Buenolândia. Segundo o Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), o orçamento estimado é de R$ 2.877.949,92.

A escolha da empresa ocorrerá por concorrência eletrônica, com avaliação baseada em critérios de técnica e preço. Dessa forma, a seleção considerará tanto a proposta financeira quanto a capacidade técnica das empresas interessadas.

O edital também prevê contratação semi-integrada. Nessa modalidade, a empresa assume responsabilidades relacionadas ao desenvolvimento e à execução do projeto, conforme as condições previstas no contrato.

A sessão pública está marcada para 4 de janeiro de 2027, às 9h, no sistema oficial de compras do Governo de Goiás. Depois dessa etapa, o processo ainda dependerá dos procedimentos administrativos necessários à contratação. Portanto, não há confirmação de quando as obras começarão ou de quando o templo reabrirá após as intervenções.

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História da igreja começa nos primeiros povoados de Goiás

A história da Igreja Nossa Senhora do Rosário em Buenolândia está relacionada ao antigo Arraial da Barra. O povoado integrou os primeiros núcleos de ocupação colonial do território goiano. Sua localização próxima ao encontro dos rios Vermelho e Bugre favoreceu a instalação da comunidade.

A formação do arraial também está associada às expedições de Bartolomeu Bueno da Silva Filho, conhecido como segundo Anhanguera. Segundo o inventário turístico do Governo de Goiás, o povoamento remonta a 1726. Naquele período, a descoberta de ouro estimulava a criação de arraiais no interior do Brasil.

Nesse contexto, surgiram construções destinadas às práticas religiosas e à organização da vida comunitária. Posteriormente, o antigo Arraial da Barra deu origem ao atual distrito de Buenolândia.

Embora a tradição local identifique o templo como a primeira igreja de Goiás, sua data exata de construção permanece incerta. Registros históricos e relatos populares associam a edificação às primeiras décadas do século XVIII. Contudo, os documentos disponíveis não permitem estabelecer com precisão o ano de sua construção.

A origem do arraial e a construção da igreja, portanto, não correspondem necessariamente ao mesmo acontecimento. Ainda assim, o templo permanece como testemunho da expansão colonial e da formação das primeiras comunidades do território goiano.

Arquitetura colonial da Igreja Nossa Senhora do Rosário conserva paredes de taipa

Um dos aspectos mais relevantes da igreja histórica de Goiás está em seu sistema construtivo. A edificação preserva grande parte de sua estrutura em taipa de pilão. Essa técnica utiliza terra compactada em formas para construir paredes resistentes.

O método aparece em diferentes imóveis do período colonial brasileiro. Na época, a disponibilidade de materiais influenciava as soluções arquitetônicas adotadas nas construções.

A fachada apresenta composição simples, com paredes claras, aberturas destacadas em azul e cobertura de telhas cerâmicas. Acima do telhado, uma pequena estrutura destinada ao sino completa a aparência do templo. Diferentemente das grandes igrejas barrocas, o edifício possui ornamentação discreta.

Ao longo dos séculos, entretanto, a construção passou por alterações em sua configuração original. Documentos apresentados ao Conselho Estadual de Cultura registram, por exemplo, a ausência do altar primitivo.

A preservação dessas estruturas antigas exige cuidados específicos. Antes das intervenções, profissionais de arquitetura e engenharia precisam avaliar a estabilidade dos materiais e identificar possíveis danos. Em seguida, devem estabelecer procedimentos compatíveis com as características históricas do imóvel.

Tombamento busca proteger igreja e paisagem histórica

A preservação da Igreja Nossa Senhora do Rosário ganhou uma nova etapa com o processo de proteção patrimonial conduzido pela Secult. Em 2025, o governo estadual anunciou medidas de tombamento provisório do templo. Enquanto isso, os órgãos responsáveis continuaram a análise de sua importância histórica.

Em agosto de 2026, uma equipe da Universidade Federal de Goiás (UFG) participou de uma visita técnica ao distrito. A atividade ocorreu em parceria com a Superintendência de Patrimônio Histórico e Artístico da Secult.

Durante o trabalho, os profissionais realizaram levantamentos arquitetônicos e diagnósticos de conservação. Além disso, reuniram informações para contribuir com os documentos técnicos da restauração.

A participação acadêmica também abriu espaço para discutir a proteção do entorno da igreja. Afinal, o valor histórico do local não está restrito às paredes do edifício. O conjunto também envolve o largo, a organização do antigo povoado e a paisagem próxima aos rios Vermelho e Bugre.

Durante a visita, pesquisadores e técnicos conversaram com moradores sobre a memória da comunidade e os efeitos da proteção patrimonial. Segundo a UFG, o tombamento deverá concentrar-se na igreja e em seu entorno imediato.

Buenolândia abriga o Marco Zero da história goiana

Conhecida historicamente como Arraial da Barra, Buenolândia ocupa um lugar particular na formação do território de Goiás. A localidade está associada às primeiras expedições de exploração aurífera realizadas na região durante o século XVIII.

Naquele período, a mineração estimulou o surgimento de novos núcleos de ocupação. Posteriormente, Vila Boa, atual cidade de Goiás, consolidou-se como importante centro administrativo da região.

O nome original do povoado fazia referência à sua localização, próxima à confluência dos rios que integram a paisagem regional. Com o avanço da mineração, outras comunidades surgiram ao longo dos caminhos de circulação.

É nesse contexto que a Igreja Nossa Senhora do Rosário integra o chamado Marco Zero de Goiás. A memória do antigo núcleo também inclui referências aos bandeirantes, aos primeiros moradores e às transformações econômicas da colonização.

Entretanto, a formação da região envolve diferentes populações. Povos indígenas já ocupavam o território antes das expedições coloniais. Da mesma forma, africanos escravizados participaram da sociedade mineradora e de suas atividades econômicas.

Assim, a preservação do patrimônio permite ampliar o conhecimento sobre esse passado. A história regional, portanto, não se limita aos personagens tradicionalmente destacados nas narrativas sobre a fundação de Goiás.

Restauração integra preparativos para 300 anos da cidade de Goiás

A recuperação da igreja de Buenolândia integra as primeiras ações oficiais relacionadas ao tricentenário da cidade de Goiás, previsto para 2027. A comemoração faz referência à formação do núcleo histórico que daria origem à antiga capital do estado.

Para a secretária de Estado da Cultura, Yara Nunes, a intervenção “faz parte dos esforços do Governo de Goiás para recuperar e valorizar edificações históricas, reconhecendo sua importância para a memória, a identidade e a história das comunidades”.

A cidade de Goiás também possui reconhecimento internacional por seu conjunto arquitetônico e urbanístico. Em 2001, a Unesco incluiu seu centro histórico na Lista do Patrimônio Mundial.

O reconhecimento destacou a adaptação da arquitetura colonial às condições geográficas do interior brasileiro. Entretanto, a classificação internacional abrange uma área delimitada e não representa o tombamento individual de todos os imóveis do município.

No caso de Buenolândia, a recuperação do templo poderá ampliar o conhecimento sobre uma parte menos visitada da história regional. Contudo, a realização das obras dependerá dos resultados da licitação e das etapas técnicas de execução.


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Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

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