Maio Roxo alerta para avanço silencioso da enxaqueca que afeta 31 milhões de brasileiros

Campanha chama atenção para sintomas ignorados, demora no diagnóstico e novos tratamentos contra a doença neurológica

Maio Roxo alerta para avanço silencioso da enxaqueca que afeta 31 milhões de brasileiros

A campanha Maio Roxo coloca em debate um problema que afeta milhões de brasileiros e ainda costuma ser tratado como algo simples. A enxaqueca, considerada uma doença neurológica crônica, compromete a rotina, reduz a produtividade e altera diretamente a qualidade de vida dos pacientes. Dados do Global Burden of Disease apontam que cerca de 31 milhões de pessoas convivem com a condição no Brasil.

Mesmo com alta incidência, o diagnóstico correto ainda demora anos para acontecer. Apenas 40% dos pacientes conseguem identificar a doença adequadamente, enquanto muitos passam entre sete e 10 anos tentando entender a origem das crises. O atraso dificulta o tratamento e contribui para o agravamento dos sintomas ao longo do tempo.

Segundo a neurologista do Hospital Mater Dei Goiânia, Lorena Bochenek, a doença vai muito além de uma dor de cabeça comum. A especialista explica que a enxaqueca apresenta características específicas, incluindo dor pulsátil, intensidade moderada ou forte e, em muitos casos, concentração em apenas um lado da cabeça. Náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som também aparecem com frequência.

“A enxaqueca não é apenas uma dor de cabeça. Ela envolve alterações neurológicas e pode comprometer profundamente a rotina, o trabalho e o bem-estar do paciente”, destaca a especialista.

Hábitos diários influenciam diretamente nas crises

Além da predisposição genética, diversos fatores podem aumentar a frequência das crises de enxaqueca. Alterações no sono, jejum prolongado, alimentação irregular, estresse emocional, mudanças hormonais e consumo de álcool estão entre os principais gatilhos identificados por especialistas.

Lorena Bochenek afirma que manter estabilidade na rotina pode reduzir significativamente os episódios. A neurologista destaca que o cérebro de pacientes com enxaqueca apresenta maior sensibilidade às mudanças bruscas do dia a dia, tornando hábitos saudáveis fundamentais no controle da doença.

“O cérebro de quem tem enxaqueca é mais sensível a mudanças. Por isso, manter rotina de sono, alimentação equilibrada e estratégias de manejo do estresse pode fazer diferença real”, explica.

Outro ponto que preocupa médicos é a automedicação. O uso frequente de analgésicos sem acompanhamento especializado pode provocar a chamada cefaleia por uso excessivo de medicação. O quadro aumenta o risco de dores crônicas e ainda pode gerar complicações gastrointestinais, cardiovasculares e renais.

Sinais de alerta exigem avaliação médica imediata

Especialistas alertam que dores de cabeça frequentes não devem ser ignoradas, principalmente quando acontecem mais de uma vez por semana ou interferem nas atividades diárias. A necessidade constante de medicamentos também acende um sinal de atenção importante.

Mudanças no padrão habitual da dor, crises súbitas e intensas, febre, rigidez na nuca e sintomas neurológicos associados estão entre os sinais que exigem investigação médica imediata. Em alguns casos, alterações visuais e sensoriais, conhecidas como aura, podem anteceder as crises de enxaqueca.

Nos últimos anos, os tratamentos passaram por avanços importantes. Além das terapias tradicionais, pacientes contam atualmente com opções modernas e personalizadas. Entre elas estão os anticorpos monoclonais anti-CGRP, toxina botulínica para casos crônicos, novos medicamentos para crises agudas e abordagens não farmacológicas.

“O tratamento atual é cada vez mais personalizado, considerando a frequência das crises, a intensidade e o impacto na vida de cada paciente”, finaliza Lorena.

A campanha Maio Roxo também busca ampliar o acesso à informação e estimular o diagnóstico precoce. A orientação de especialistas é clara: sentir dor de cabeça frequente não deve ser tratado como algo normal. O acompanhamento adequado pode reduzir impactos da doença e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.


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Autor: Pollyana Cicatelli

Jornalista pós-graduada em Comunicação Organizacional e especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação.

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