Estado aposta em ecoturismo, patrimônio histórico e turismo religioso para ampliar presença de estrangeiros e aproveitar alta recorde do setor no Brasil
O turismo internacional vive um momento histórico no Brasil e abre novas oportunidades para estados que buscam ampliar sua participação no mercado global. Entre janeiro e maio de 2026, os visitantes estrangeiros gastaram aproximadamente R$ 25 bilhões no país, o maior valor já registrado para o período e um crescimento de 11% em relação aos cinco primeiros meses de 2025, segundo dados do Banco Central, divulgados pelo Ministério do Turismo. O aumento do fluxo de turistas também movimenta setores como hotelaria, gastronomia, transporte, comércio e serviços.
Em Goiás, o cenário acompanha a expansão da atividade turística, embora o estado ainda enfrente o desafio de ampliar o fluxo regular de visitantes internacionais. O governo estadual ainda não divulgou o levantamento sobre o número total de estrangeiros que estiveram em território goiano em 2026. Mesmo assim, indicadores do setor apontam crescimento da atividade e aumento da relevância do turismo na economia regional.
Sem o litoral, tradicional porta de entrada para grande parte dos turistas estrangeiros que visitam o Brasil, Goiás aposta em experiências ligadas ao ecoturismo, ao patrimônio histórico, às águas termais e ao turismo religioso para ampliar sua participação no mercado.
Entre os principais destinos estão a Chapada dos Veadeiros, conhecida pela biodiversidade do Cerrado e reconhecida como Patrimônio Natural Mundial pela Unesco; Pirenópolis, com seu conjunto arquitetônico colonial e cachoeiras; a Cidade de Goiás, também reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco; Caldas Novas, considerada uma das maiores estâncias hidrotermais do planeta; e Trindade, que recebe anualmente milhares de fiéis durante a Romaria do Divino Pai Eterno, uma das maiores manifestações religiosas da América Latina.
Além do turismo de lazer, esses destinos contribuem para diversificar a oferta turística do estado e ampliar o tempo de permanência dos visitantes.
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Levantamentos do Observatório do Turismo de Goiás indicam que boa parte dos visitantes internacionais chega ao estado motivada por negócios, eventos e viagens corporativas.
Já os turistas voltados ao lazer encontram opções ligadas à natureza preservada, trilhas, cachoeiras, águas termais, cultura regional e patrimônio histórico. O Cerrado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é o segundo maior bioma do país e abriga uma das maiores biodiversidades do mundo, tornando-se um diferencial para destinos voltados ao turismo de natureza.
Para ampliar sua presença entre os destinos internacionais, o Governo de Goiás elabora um Plano de Ação para Promoção Turística Internacional, alinhado ao Plano Brasis, desenvolvido pela Embratur.
A proposta inclui ações voltadas para o fortalecimento das 12 regiões turísticas goianas, qualificação de profissionais, desenvolvimento de novos roteiros turísticos e ampliação da divulgação dos destinos em mercados considerados estratégicos.
Entre os países priorizados estão Colômbia, Peru, México e Países Baixos. A estratégia também contempla Chile, Estados Unidos, Portugal e Reino Unido, mercados que tradicionalmente figuram entre os principais emissores de turistas para o Brasil, de acordo com a Embratur.
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Outro importante teste para o turismo goiano acontece durante a temporada de férias de julho, no Rio Araguaia. A estimativa é de que aproximadamente 1 milhão de turistas visitem a região ao longo deste ano, gerando impacto econômico em municípios como Aruanã e outras cidades ribeirinhas.
Mesmo com a cheia prolongada do rio modificando a formação de algumas praias naturais, a programação da foi mantida. A agenda reúne apresentações musicais, eventos culturais e atividades voltadas ao turismo de lazer, mantendo o Araguaia entre os principais destinos turísticos do estado durante o período de férias.
Embora o cenário nacional seja favorável, a ONU Turismo (UN Tourism) destaca que campanhas de divulgação, por si só, não são suficientes para ampliar de forma sustentável o fluxo internacional de visitantes. A organização afirma que fatores como infraestrutura turística, conectividade aérea, mobilidade, sinalização, qualificação profissional e qualidade dos serviços são essenciais para aumentar a competitividade dos destinos e converter o interesse dos viajantes em visitas efetivas.
De acordo com o Ministério do Turismo, estados que investem simultaneamente em promoção, infraestrutura e qualificação tendem a ampliar o gasto médio dos visitantes e aumentar o número de viagens internacionais ao longo dos anos.
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