Chapada dos Veadeiros, em Goiás, está entre os principais destinos para aventura
O Brasil conquistou a primeira posição mundial na categoria Aventura do Best Countries 2024, levantamento elaborado pelo U.S. News & World Report em parceria com a Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, e a WPP. Realizada entre 22 de março e 23 de maio de 2024, a pesquisa ouviu mais de 17 mil pessoas de 36 países e avaliou a percepção internacional sobre 89 nações. O Brasil ficou à frente de Itália, Grécia, Espanha e Tailândia nessa categoria, resultado relacionado à percepção do país como um lugar amigável, divertido, com clima agradável e belas paisagens.
O reconhecimento ganha relevância diante da diversidade ambiental brasileira e da variedade de experiências ligadas à natureza disponíveis no território nacional. Trilhas, cachoeiras, cavernas, montanhas, rios, cânions e extensas áreas naturais permitem a prática de diferentes atividades. O resultado, porém, precisa ser interpretado corretamente. O Best Countries mede a percepção internacional sobre os países e não representa uma auditoria técnica da infraestrutura ou da segurança dos destinos de turismo de aventura.
A edição de 2024 do Best Countries avaliou 89 países a partir de 73 atributos. Segundo a Wharton School, as nações incluídas no estudo foram selecionadas considerando critérios relacionados à participação na economia mundial.
Os mais de 17 mil entrevistados estavam distribuídos por 36 países. Cerca de um terço era formado por líderes empresariais, outro terço por pessoas com formação universitária pertencentes à classe média ou a estratos superiores e o restante pela população em geral.
A pesquisa foi aplicada entre 22 de março e 23 de maio de 2024. Os 73 atributos avaliados foram organizados em dez grandes categorias, entre elas Aventura, Influência Cultural, Empreendedorismo, Herança, Qualidade de Vida, Poder, Propósito Social, Agilidade e Abertura para Negócios.
Na categoria Aventura, são considerados quatro atributos associados à percepção de um país: ser amigável, divertido, possuir clima agradável e oferecer belas paisagens.
Por isso, a liderança brasileira não deve ser apresentada como uma certificação de que o país possui tecnicamente a melhor infraestrutura de turismo de aventura do mundo. O resultado significa que o Brasil alcançou a primeira posição entre os países analisados no conjunto de percepções que formam a categoria Aventura.
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O relatório Best Countries 2024 confirma o Brasil na liderança mundial da categoria Aventura. A Itália aparece na segunda posição, seguida por Grécia, Espanha e Tailândia.
Na classificação geral do Best Countries 2024, a Suíça conquistou o primeiro lugar, seguida por Japão e Estados Unidos. O Brasil também obteve posições de destaque em outras categorias do estudo. Segundo a Embratur, o país ficou em 11º lugar em Influência Cultural, em 12º na categoria relacionada a economias com elevado potencial de crescimento e em 12º em Herança.
Os resultados mostram que a imagem internacional brasileira permanece fortemente relacionada à cultura, às paisagens, à história e às possibilidades de experiências oferecidas aos visitantes.
Paisagens naturais, por si só, não são suficientes para estruturar o turismo de aventura. Atividades realizadas em montanhas, rios, cachoeiras, cavernas e outros ambientes exigem planejamento, avaliação de riscos, equipamentos adequados, capacitação e procedimentos de segurança.
Em setembro de 2024, quando divulgou o resultado do ranking, a Embratur informou que o Brasil possuía 44 normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas vigentes e disponíveis para o turismo de aventura, sendo 19 internacionais. Na ocasião, a agência registrava 20 empresas com certificação internacional ISO no segmento.
Um mês depois, em outubro de 2024, a Embratur atualizou o número para 21 empresas com certificação internacional ISO em turismo de aventura. A agência informou ainda que cinco normas internacionais ISO relacionadas ao turismo de aventura têm como base normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas.
A existência dessas normas não significa, entretanto, que todas as empresas ou atividades oferecidas no Brasil sejam certificadas. Antes de contratar uma experiência, o visitante deve verificar as condições da operação, as exigências da atividade e a qualificação dos prestadores responsáveis.
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O desempenho brasileiro no turismo de aventura também passou a integrar ações de promoção internacional. Em 2023, a Embratur assinou um Acordo de Cooperação Técnica com a Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura, a Abeta, com o objetivo de promover e fortalecer o turismo de aventura e o ecoturismo brasileiro no mercado internacional.
Outro acordo foi firmado com o Coletivo Muda!, voltado à promoção internacional de produtos e experiências brasileiras relacionadas ao turismo responsável. Em outubro de 2024, a Embratur participou do Adventure Travel World Summit, realizado no Panamá, um dos principais encontros internacionais do setor.
A participação brasileira teve como objetivo ampliar a promoção dos destinos nacionais e aproximar o mercado brasileiro de profissionais e empresas internacionais especializados em turismo de natureza e aventura.
Em São Bento do Sapucaí, no interior de São Paulo, a Pedra do Baú é uma das referências brasileiras para atividades em ambiente de montanha. A Prefeitura de São Bento do Sapucaí informa que o local permite subida pela via ferrata e escalada.
Para realizar a subida da Pedra do Baú pela via ferrata, o visitante precisa fazer agendamento prévio e utilizar os equipamentos previstos nas normas estabelecidas para a atividade. As exigências estão relacionadas à Portaria Normativa 301 de 2019 da Fundação Florestal.
O procedimento inclui a conferência do agendamento e dos equipamentos antes do início da subida, demonstrando a importância das medidas de segurança em atividades realizadas em ambientes naturais com maior exposição a riscos.
No Maranhão, a Chapada das Mesas reúne cachoeiras, piscinas naturais, formações rochosas e grandes áreas de Cerrado.
O Parque Nacional da Chapada das Mesas possui oficialmente 159.953,78 hectares e abrange áreas dos municípios de Estreito, Carolina e Riachão, segundo informações divulgadas pela Secretaria de Estado do Turismo do Maranhão. A unidade foi criada em dezembro de 2005.
O nome da região está relacionado aos grandes platôs encontrados na paisagem, cujas formas lembram mesas de pedra.
A Secretaria de Turismo do Maranhão destaca as cachoeiras e piscinas naturais entre os principais elementos turísticos da região, especialmente nas áreas de Carolina e Riachão.
A combinação de relevo, rios, quedas de água e vegetação transforma a Chapada das Mesas em um dos principais destinos brasileiros para experiências ligadas à natureza.
No litoral do Piauí, o Delta do Parnaíba oferece uma paisagem formada por canais, ilhas, manguezais, dunas e áreas de grande biodiversidade. O Porto dos Tatus, uma das principais portas de entrada para os passeios pelo Delta, registrou 12.028 visitantes nos meses de janeiro e fevereiro de 2026. No mesmo período de 2025, foram contabilizados 9.494 visitantes.
Segundo a Secretaria de Estado do Turismo do Piauí, o crescimento foi de 26,7%. Os números mostram o aumento do interesse turístico pela região e reforçam a importância das experiências de natureza para o desenvolvimento do litoral piauiense.
Em Goiás, a Chapada dos Veadeiros concentra alguns dos cenários naturais mais conhecidos do Cerrado. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros possui oficialmente 240.586,56 hectares, conforme o cadastro atual do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.
A unidade está localizada no bioma Cerrado e teve origem em 11 de janeiro de 1961, quando foi criado o Parque Nacional do Tocantins. Em 1972, a unidade recebeu o nome de Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.
Seus limites passaram por diferentes alterações ao longo das décadas. Em 5 de junho de 2017, um decreto federal ampliou novamente a área protegida. O parque alcança territórios de Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante, Nova Roma, Teresina de Goiás e São João d’Aliança.
Além da área protegida pelo parque, a região turística da Chapada dos Veadeiros reúne diversos outros atrativos naturais e culturais distribuídos pelos municípios do nordeste goiano.
A relevância da Chapada dos Veadeiros ultrapassa sua importância turística. Em 2001, a Unesco inscreveu na Lista do Patrimônio Mundial o sítio denominado Áreas Protegidas do Cerrado: Parques Nacionais da Chapada dos Veadeiros e das Emas.
O reconhecimento, portanto, abrange os dois parques nacionais e não apenas a Chapada dos Veadeiros isoladamente. Segundo a Unesco, essas áreas possuem papel importante na manutenção da biodiversidade do Cerrado e conservam amostras de habitats fundamentais desse ecossistema. Em 2019, a Unesco aprovou uma modificação dos limites do sítio reconhecido como Patrimônio Mundial.
A importância ambiental da região reforça a necessidade de compatibilizar a atividade turística com a conservação dos ecossistemas que tornam a Chapada dos Veadeiros um destino procurado por visitantes brasileiros e estrangeiros.
Entre os atrativos conhecidos da região de Alto Paraíso de Goiás está o Vale da Lua. O local recebeu esse nome por causa das formas existentes na superfície das rochas, que lembram uma paisagem lunar.
Segundo a Goiás Turismo, essas formações resultam da ação das corredeiras do Rio São Miguel e de processos de intemperização sobre as rochas. A trilha de acesso é classificada pela agência estadual como de dificuldade fácil a moderada.
Apesar da sinalização existente, a Goiás Turismo recomenda cuidado durante o percurso devido às características das formações rochosas e ao risco de quedas. Em períodos de chuva, o atrativo pode permanecer fechado para visitação por questões de segurança.
Em Cavalcante, a Cachoeira Santa Bárbara está entre os atrativos mais conhecidos da Chapada dos Veadeiros. A queda possui aproximadamente 30 metros de altura e é conhecida pela água de tonalidade azul turquesa.
O acesso ocorre pelo povoado Kalunga Engenho II, localizado a cerca de 27 quilômetros do centro de Cavalcante. Segundo a Goiás Turismo, a partir do Centro de Atendimento ao Turista do povoado é necessário o acompanhamento de guia local.
Depois desse ponto, o visitante percorre aproximadamente quatro quilômetros em estrada de terra antes do início da trilha. A visita também proporciona contato com o território Kalunga, relacionando a experiência turística à história e à cultura quilombola presentes na região.
Outra opção de aventura na região é a tirolesa Voo do Gavião, localizada na Fazenda São Bento, a cerca de oito quilômetros de Alto Paraíso de Goiás. Segundo a Travessia Ecoturismo, empresa responsável pela atividade, a tirolesa possui 850 metros de extensão e aproximadamente 100 metros de altura.
O percurso ocorre entre a Serra Almécegas e o morro do Mirante da Fazenda São Bento, com vista para áreas de Cerrado e para os limites do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. A empresa informa que a atividade possui certificação ISO 21101, relacionada ao sistema de gestão da segurança no turismo de aventura.
Como essas informações operacionais são fornecidas pela própria empresa responsável pelo atrativo, condições de funcionamento, disponibilidade, regras de participação e demais exigências devem ser confirmadas diretamente com a operadora antes da visita.
A primeira posição do Brasil na categoria Aventura do Best Countries 2024 representa um reconhecimento importante para a imagem turística do país. O resultado não significa que todos os destinos brasileiros possuam a mesma infraestrutura, os mesmos padrões operacionais ou certificações equivalentes.
Também não significa que o estudo tenha realizado uma avaliação técnica de cada atividade de aventura existente no território nacional. O levantamento demonstra que, entre os 89 países analisados, o Brasil alcançou a melhor percepção no conjunto de atributos que compõem a categoria Aventura.
Essa percepção encontra no território brasileiro uma grande diversidade de ambientes naturais, mas transformar o potencial em desenvolvimento turístico sustentável exige planejamento.
Cachoeiras, rios, cavernas, montanhas, trilhas e outras paisagens dependem diretamente da conservação ambiental. O aumento da visitação precisa considerar as regras das unidades de conservação, a capacidade de cada atrativo e a segurança dos visitantes.
O desafio brasileiro é aproveitar a visibilidade internacional para fortalecer um turismo que combine conservação ambiental, segurança, qualificação dos serviços, participação das comunidades locais e geração de renda.
Nesse contexto, a liderança no Best Countries 2024 funciona não apenas como instrumento de promoção internacional, mas também como oportunidade para valorizar a diversidade natural brasileira e ampliar a responsabilidade sobre sua preservação.
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