Construída no fim do século XVIII, propriedade preserva casarão colonial, capela e tradições gastronômicas e se tornou um dos passeios para quem visita Pirenópolis
A Fazenda Babilônia em Pirenópolis é um dos destinos para quem deseja conhecer a história, a arquitetura e a gastronomia do interior de Goiás. Localizada na GO-431, a propriedade reúne um casarão colonial construído no fim do século XVIII, uma capela original, objetos históricos e experiências de turismo cultural.
Além do patrimônio preservado, a Fazenda Babilônia em Pirenópolis também recebe visitantes interessados no tradicional Café Sertanejo. A refeição reúne dezenas de preparos inspirados em receitas antigas e transforma a gastronomia em parte importante da experiência oferecida no local.
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A história da propriedade remonta a 1795, quando Joaquim Alves de Oliveira chegou à então Meia Ponte, atual Pirenópolis. Com o declínio da mineração de ouro na região, ele iniciou a construção do Engenho São Joaquim, primeiro nome da atual Fazenda Babilônia. Após 1800, o empreendimento ganhou importância na produção agrícola de Goiás.
A propriedade produzia cana-de-açúcar, mandioca e algodão, enquanto sua atividade comercial mantinha relações com diferentes regiões do país. A fazenda utilizou mão de obra escravizada durante esse período.
Assim, sua história também está diretamente ligada à escravidão no Brasil e às estruturas sociais que sustentaram a produção agrícola nos séculos XVIII e XIX. Com o passar dos anos, a propriedade mudou de proprietários. Em 1864, o padre Simeão Estelita Lopes Zedes adquiriu parte da área e, posteriormente, o local passou a receber o nome de Fazenda Babilônia.

O casarão é um dos principais destaques da Fazenda Babilônia em Pirenópolis. A construção preserva características da arquitetura colonial, com grandes estruturas de madeira, paredes de adobe e pau a pique e um extenso telhado coberto por telhas tradicionais. Muros de pedra e outros elementos históricos também permanecem na propriedade. Os ambientes ajudam os visitantes a compreender como funcionava uma grande fazenda do período colonial e como seus espaços refletiam a organização social daquela época.
Entre os espaços preservados está uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição. O local conserva elementos originais, incluindo o piso de madeira, pinturas e estruturas decorativas. A propriedade foi tombada como Patrimônio Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O conjunto também foi inscrito no Livro de Belas Artes em 1965.

A propriedade foi aberta à visitação em 1997 e, desde então, passou a receber turistas e grupos interessados na história regional. O passeio apresenta diferentes espaços do casarão e objetos que ajudam a contar parte do cotidiano de outros períodos. Entre os elementos da visita estão utensílios antigos, ambientes históricos e um pequeno museu. Os grupos também podem conhecer informações sobre a arquitetura e a história da antiga propriedade.
A experiência está ligada à própria trajetória de Pirenópolis. A então Meia Ponte ocupou uma posição importante nas rotas comerciais de Goiás durante os séculos XVIII e XIX. Por isso, visitar a Fazenda Babilônia em Pirenópolis permite observar aspectos da arquitetura preservada e, ao mesmo tempo, conhecer parte das transformações econômicas e sociais da região.

A gastronomia ocupa uma parte importante das atividades da Fazenda Babilônia. Nos finais de semana e feriados, a propriedade oferece o Café Sertanejo, uma refeição composta por mais de 40 itens, segundo informações divulgadas pelo local. O cardápio reúne receitas tradicionais associadas à culinária de Goiás e de Minas Gerais. Entre os preparos estão biscoitos, bolos, queijos, carnes e pratos feitos com milho e mandioca.
Entre as opções apresentadas pela fazenda estão o bolo da senzala, o Mané Pelado, a pamonha assada, a pamonha frita, a paçoca de carne seca e a matula de galinha. Também fazem parte da experiência diferentes quitandas e preparos que utilizam técnicas antigas de conservação dos alimentos.
A proposta gastronômica busca recuperar receitas e modos de preparo transmitidos ao longo das gerações. Durante a experiência, os visitantes também conhecem informações sobre a origem dos pratos e os costumes alimentares do interior goiano.

A propriedade oferece diferentes modalidades de visitação. Uma delas é o passeio cultural e histórico, que apresenta o casarão e outros espaços preservados da fazenda. Também existe uma opção que reúne a visita histórica e a experiência gastronômica do Café Sertanejo. A atividade permite conhecer a propriedade e experimentar preparos inspirados na culinária tradicional da região.
Segundo os valores informados na página de reservas da Fazenda Babilônia, o passeio cultural e histórico custa R$ 48 por pessoa. Já a visita histórica com resgate gastronômico custa R$ 150 por pessoa. Como os valores e as condições de funcionamento podem sofrer alterações, o visitante deve consultar as informações disponíveis no momento da reserva.
Telma Lopes Machado é a atual proprietária da Fazenda Babilônia e pertence à quarta geração de sua família ligada à propriedade histórica. A relação começou em 1864, quando seus bisavós compraram a fazenda, que depois passou pelos avós e pelo pai de Telma. Após a morte dos pais, ela assumiu a responsabilidade pela propriedade.
“O meu orgulho é saber que estou conseguindo manter essa fazenda no sentido de preservação. A propriedade faz parte de toda a colonização de Goiás”, explica.
Para Telma, essa dimensão histórica transforma a preservação em uma responsabilidade que ultrapassa os interesses familiares.
“Então, eu tenho essa responsabilidade de mantê-la de pé, preservando toda a sua autenticidade. A abertura para visitantes surgiu justamente como uma maneira de apresentar esse patrimônio a outras pessoas e transformar a propriedade em espaço de conhecimento”, destaca.
A gastronomia também integra essa proposta. Telma explica que o café servido aos visitantes reúne receitas e influências culturais que marcaram a formação da culinária do Centro-Oeste.
“Você dá para distinguir bem o que se comia em Goiás antigamente. É um resgate antropológico, é você alimentar da história”, afirma.
O futuro da Fazenda Babilônia, segundo Telma, está diretamente relacionado à continuidade do cuidado com o patrimônio. Ela lembra que a propriedade recebeu o tombamento em 1965 e considera essa proteção um dos elementos que garantem sua permanência.
Ainda assim, o desejo pessoal da proprietária é que a fazenda permaneça dentro da família.
“Eu só espero que ela continue na nossa família. A gente tem um sentimento maior. Ela é a nossa casa, ela é o nosso ninho”, finaliza Telma.
>> SE LIGA
Fazenda Babilônia em Pirenópolis
Endereço: GO-431, Km 3, zona rural, Pirenópolis (GO)
Funcionamento: consulte os dias e horários disponíveis no momento da reserva
Reservas: Site oficial
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Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.
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